É muito antiga a existência de loterias, e embora se suponha que os hebreus e os egípcios já as conhecessem, sabe-se que os romanos aplicaram formas de sorteio autorizadas pelos imperadores Nero e Heliogábalo. Por ocasião das saturnais, antigas festas romanas celebradas em honra a Saturno, funcionava uma loteria com bilhetes gratuitos e todos premiados, embora esses prêmios fossem bastante disparatados: eles podiam ir de meia-dúzia de escravos a algumas moscas e outros insetos.
O sistema caiu em desuso por muito tempo, ressurgindo no mundo ocidental, provavelmente em Malines, hoje Bélgica, em 1519. Quatorze anos depois, em Paris, França, foi criada uma loteria que funcionava mediante pagamento de anuidade ao Estado, e como tal atividade proporcionou uma excelente fonte de renda aos cofres públicos, ela foi prontamente imitada por vários outros países. Os florentinos criaram loterias comerciais como meio de venda de seus produtos, tornando-se conhecida a versão de que a construção da basílica de São Pedro, em Roma, foi grandemente auxiliada por uma loteria então organizada.
Em 1700, foi a vez de Luís XIV valer-se de uma dessas casas de aposta para fortalecer o tesouro francês exaurido pelas guerras. Quase um século depois, em 1793, a Convenção suprimiu a existência de loteria no país, mas decorridos seis anos, em 1799, a República viu-se forçada a restabelecê-la. No Brasil, o sistema lotérico constitui monopólio cedido geralmente em concessão pelo Estado, que reserva para si uma porcentagem considerável dos prêmios.
Os jogadores de loteria podem ser enquadrados em grupos que vão dos esporádicos, aqueles que jogam de vez em quando induzidos pelo sonho que tiveram ou por algum palpite, aos científicos, que são os donos de fórmulas infalíveis para a prática dessa modalidade de tentar a sorte, passando pelos inveterados, pelos místicos, pelos inocentes, pelos sonhadores, pelos desesperados e outros mais, todos com um ponto em comum: o desconhecimento das chances que têm para ganhar o grande prêmio.
Desconsideradas as explicações sobre o que é chamado de sorte no jogo, temos a Teoria das Probabilidades para medir matematicamente a oportunidade de alguém sair vitorioso em qualquer tipo de sorteio que dependa do acaso. A definição mais simples do método é a de que ele mede a relação entre a aposta e o número de resultados possíveis, e para que se entenda porque a aplicação dessas fórmulas é menos complicada do que possa parecer à primeira vista, basta lembrar que se alguém deseja acertar certo número em uma escala de 1 a 20, terá uma possibilidade de acerto em vinte resultados possíveis, ou 5% de chance. No jogo de dados, a face que se deseja ficar virada para cima tem 16,66% favoráveis contra 83,34% contrários, enquanto no par ou impar as oportunidades são iguais, com cada apostador tendo 50% de possibilidade para ganhar.
Na Loteria Federal, cada um dos seus cem mil bilhetes concorre, com número que tem, dispondo da probabilidade de 0,001% para ser sorteado. Já o cartão da Supersena que tenha seis dezenas apostadas, conta com uma possibilidade de acerto em 12.271.512 combinações diferentes. Mas se o apostador optar por sete dezenas, suas chances melhoram, pois ele passa a enfrentar 1.753.073 resultados possíveis, ou 438.268 em oito dezenas, 146.089 em nove dezenas, e 58.738 em dez dezenas. Na Mega Sena a equivalência é de uma chance para 50.063.860 apostas; na quina, uma para 24.040.016; no Bolão Federal, uma para 16.777.216; na Lotomania, uma para 11.372.635; na Loteca, uma para 4.782.969; e na Esportiva, uma para 797.161.
Como se observa, a expectativa de alguém ser sorteado em alguma loteria é igual à de que um raio caia na cabeça do indivíduo, mas o fato é que eles caem, embora na cabeça dos outros. Resta ao apostador alimentar a esperança de que algum dia seja ele o atingido pela descarga elétrica, no caso a sorte grande.