O jogo de escopa foi introduzido no Brasil pelos imigrantes italianos aqui chegados no início do século passado. Ele é disputado por duas, três, ou mesmo quatro pessoas, que neste caso formam duas parcerias. Para praticá-lo, eliminam-se os 8, 9 e 10 do baralho (ficando 40 cartas, portanto), atribuindo -se a cada carta o seu valor (dois, três, quatro, etc.), dando-se ao rei, valete e dama a contagem de 10, 9 e 8 pontos, respectivamente, enquanto o ás vale apenas 1. Antes do inicio da partida os jogadores determinam que o vencedor será quem completar primeiramente 21 ou 31 pontos, independentemente do número de mãos que precisarem ser jogadas até o objetivo ser alcançado.
A finalidade do jogo é conseguir o maior número de vazas e escopas possíveis, a fim de se obter o número dos pontos convencionados, antes do adversário. A vaza ocorre quando se faz 15 pontos somando o valor de uma carta da mão com outra, ou várias outras que estejam na mesa; nesse caso o jogador recolhe todas as cartas que completaram a soma, colocando-as a seu lado, viradas para baixo. Já a escopa é alcançada quando a carta descartada, somada a todas as cartas da mesa, completa os 15 pontos. Sempre que uma escopa é obtida, as cartas são também recolhidas, ficando uma delas com a face virada para cima, a fim de que ao final da mão se possa conhecer o número de escopas realizadas por cada participante durante o jogo. O critério adotado para a contagem de pontos, ao final de cada mão, é o seguinte:
- para cada escopa - 1 ponto
- por ter todas as cartas de ouros - 2 pontos
- por ter a maioria das cartas de ouros - 1 ponto
- por ter o 7 de ouros, ou Guindis - 1 ponto
- por ter os quatro 7, inclusive o Guindis - 3 pontos
- por ter a maioria das cartas - 1 ponto
- por ter a maioria dos 7 - 1 ponto
- se o adversário tiver menos de 10 cartas - 2 pontos
Verifica-se, pois, que o valor de cada carta serve apenas para completar os 15 pontos da vaza, ou escopa, no decorrer das rodadas.
As regras do jogo são simples: escolhido o carteador pelo sistema de quem tira a menor carta, este as embaralha, oferece-as ao jogador à sua esquerda para que ele as corte, e em seguida procede à distribuição, uma a uma, três para cada participante, colocando, depois, quatro cartas viradas para cima, no centro da mesa. As cartas restantes são colocadas à sua direita, com as faces ocultas. O jogo obedece ao sentido anti-horário, a partir do carteador, o mesmo acontecendo com a substituição deste, ao final de cada rodada. A partida, portanto, é iniciada pelo jogador à direita do carteador, que descarta uma das cartas que possui na mão, de forma a obter 15 pontos ao combiná-la com uma ou mais das quatro cartas inicialmente colocadas sobre a mesa.
Se o jogador tiver na sua mão o rei, o valete e o três e as cartas da mesa forem o ás, 2, 3, 6 e dama, ele poderá fazer 15 pontos, jogando o valete sobre o 6. Poderá, também, completar a mesma contagem se jogar o 3 sobre a dama, três e ás. Ou, ainda, o rei sobre o 2 e o 3. Embora possa existir a possibilidade de serem feitas diversas combinações, a vantagem é somar os 15 pontos com o maior número possível de cartas da mesa; ou se possível, com todas. Se nenhuma carta do jogador somar 15 pontos com uma, ou mais, das que estão na mesa, ele escolherá qualquer das que mantém na sua mão e a descartará aberta, ao lado das outras colocadas sobre a mesa de jogo. Em prosseguimento, jogará o participante à sua direita, e assim por diante, com cada jogador procurando descartar uma carta que some 15 pontos com as da mesa, a fim de obter uma vaza ou uma escopa.
Após todos os jogadores terem feito o descarte das cartas iniciais, um novo carteador inicia a distribuição de outras três cartas, dando início a nova rodada. Antes da derradeira distribuição o carteador será obrigado a anunciar: "Últimas", e as cartas que sobrarem no centro da mesa ficarão com o jogador que fizer a última vaza. Estas cartas devem somar 10, 25, 40 ou 55 pontos, e caso isso não aconteça, significa dizer que alguém cometeu algum erro no decorrer da mão. Para corrigi-lo, os jogadores devem verificar as vazas de cada participante, a fim de que o autor do engano possa ser penalizado, ou seja, o errado perderá quatro pontos, mais os correspondentes a todas as vazas feitas pelos outros jogadores naquela mão. A soma desses pontos será diminuída do total de pontos do infrator
Se as quatro cartas distribuídas inicialmente na mesa somarem 15 ou 15 + 15, combinadas duas a duas, deverão ser recolhidas pelo carteador, que fará assim uma ou duas escopas, conforme o caso. Exemplo: ao abrir as quatro cartas da mesa tirando um rei, um 5, um valete e um 6, o carteador terá feito duas escopas: Rei e 5 somam 15; o mesmo acontecendo com o valete e o 6 (9 + 6). Se as cartas abertas forem um ás, um 6, um 5 e um 3, ele terá ganho uma escopa. Quando, dessa forma, o carteador fizer uma ou duas escopas, as cartas da mesa não serão substituídas, cabendo ao primeiro que jogar após a distribuição, inaugurar a mesa colocando uma carta aberta de sua mão. Se um jogador descartar uma carta sem perceber que ela soma 15 pontos com as da mesa, ao passar sua vez para o jogador seguinte perderá o direito à vaza. O jogador seguinte poderá recolher a vaza para si.
Quando o jogo é feito em duplas, ou três parcerias, é importante indicar aos parceiros quando se tem o 7 de ouros (guindis), para que estes possam descartar uma carta com que se possa faturá-lo. O sinal habitual para se indicar o guindis é piscar o olho esquerdo. Para indicar que se tem qualquer outro sete, pisca-se o olho direito.
Na escopa, após a contagem final, costuma-se também fazer a contagem de Primeira. Isto é feito verificando-se entre as cartas de um jogador quem tem um conjunto de quatro cartas, uma de cada naipe, que valha o maior número de pontos. Na Primeira os 7 valem onze pontos, os 6 valem 8, os ases valem 6 pontos, cada, e as cartas figuradas não têm valor. As demais correspondem ao seu valor nominal. Quem obtiver o maior número de pontos na Primeira ganhará dois pontos, que serão somados aos que ele obteve no jogo.