CANTIGAS DE RODA

As Cantigas de Roda, ou Cirandas, fazem parte do folclore brasileiro. Para executá-las, basta formar um grupo de crianças com as mãos dadas e cantar músicas cujas letras sejam de fácil compreensão, abordando temas referentes à realidade infantil, ou ao seu universo imaginário, se possível com coreografias. Hoje em dia elas são geralmente usadas para entreter crianças de todas as idades em colégios, creches, parques, etc. As Cantigas de Roda devem ter algumas características especiais, como a letra, por exemplo, que deve ser de fácil memorização, com repetições e trocadilhos que a tornam uma brincadeira, comparando episódios fictícios da vida dos animais com a realidade humana, a fim de que a atenção da criança se prenda à história contada pela música e estimule sua imaginação e memória, como no caso das músicas A barata diz que tem, Peixe vivo e Sapo Jururu. Ou então dar vida a algum objeto, falar de amor, contar alguma coisa que divirta a criança.

 

Em sua grande maioria, as cantigas conhecidas no Brasil têm origem portuguesa e espanhola, mas se transformaram em um retrato do país. E são de grande importância para a cultura popular, porque através dela é possível transmitir noções de comportamento, ensinamentos, informações, crenças e outras coisas mais sobre o cotidiano das pessoas. Relembre, agora, a letras de algumas das cantigas de roda mais conhecidas no Brasil:

 

Marcha Soldado

Marcha Soldado / Cabeça de Papel / Se não marchar direito / Vai preso pro quartel.

O quartel pegou fogo / A polícia deu sinal / Acorda, acorda, acorda / A bandeira nacional.

 

Samba Lelê

Samba Lelê está doente / Está com a cabeça quebrada / Samba Lelê precisava /De umas dezoito lambadas.

Samba , samba, Samba ô Lelê / Pisa na barra da saia ô Lalá (BIS).

 

O Cravo e a Rosa

O Cravo brigou com a rosa / Debaixo de uma sacada / O Cravo ficou ferido / E a Rosa despedaçada.

O Cravo ficou doente / A Rosa foi visitar / O Cravo teve um desmaio / A Rosa pôs-se a chorar.

 

Ciranda Cirandinha

Ciranda Cirandinha / Vamos todos cirandar / Vamos dar a meia volta / Volta e meia vamos dar.

O Anel que tu me destes / Era vidro e se quebrou / O amor que tu me tinhas / Era pouco e se acabou.

 

Nesta Rua

Nesta rua, nesta rua, tem um bosque / Que se chama, que se chama, Solidão / Dentro dele, dentro dele mora um anjo / Que roubou, que roubou meu coração.

Se eu roubei, se eu roubei teu coração / É porque tu roubaste o meu também / Se eu roubei, se eu roubei teu coração / É porque eu te quero tanto bem.

Se esta rua se esta rua fosse minha / Eu mandava, eu mandava ladrilhar / Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante / Para o meu, para o meu amor passar.

 

Atirei o Pau no Gato

Atirei o pau no gato to  / Mas o gato to  / Não morreu reu reu / Dona Chica ca ca / Admirou-se se / Do berro, do berro que o gato deu / Miau !!!!!!


Fui no Tororó

Fui no Tororó  beber água não achei / Achei linda Morena / Que no Tororó deixei.

Aproveita minha gente / Que uma noite não é nada / Se não dormir agora /Dormirá de madrugada.

Oh ! Dona Maria, / Oh ! Mariazinha, entra nesta roda / Ou ficarás sozinha !

Sozinha eu não fico / Nem hei de ficar ! / Por que eu tenho o Pedro / Para ser o meu par!

 

Terezinha de Jesus

Terezinha de Jesus / De uma queda / Foi ao chão / Acudiram três cavalheiros / Todos três de chapéu na mão.

O primeiro foi seu pai / O segundo seu irmão / O terceiro foi aquele / Que a Tereza deu a mão.

Terezinha levantou-se / Levantou-se lá do chão / E sorrindo disse ao noivo /Eu te dou meu coração.

Dá laranja quero um gomo / Do limão quero um pedaço / Da morena mais bonita / Quero um beijo e um abraço.

 

Peixe Vivo

Como pode o peixe vivo / Viver fora da água fria / Como pode o peixe vivo / Viver fora da água fria.

Como poderei viver? / Como poderei viver? / Sem a tua, sem a tua /Sem a tua companhia/ Sem a tua, sem a tua / Sem a tua companhia.

Os pastores desta aldeia / Já me fazem zombaria / Os pastores desta aldeia / Já me fazem zombaria.

Por me verem assim chorando / Por me verem assim chorando / Sem a tua, sem a tua / Sem a tua companhia / Sem a tua, sem a tua / Sem a tua companhia.

 

Sapo Jururu

Sapo Jururu na beira do rio /  Quando o sapo grita, ó Maninha, diz que está com frio.

A mulher do sapo, é quem está la dentro / Fazendo rendinha, ó Maninha, pro seu casamento.

 

Escravos de Jó

Escravos de Jó jogavam caxangá / Tira, bota deixa o Zé Pereira ficar / Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá (bis).

 

A Barata diz que tem

A Barata diz que tem sete saias de filó / É mentira da barata, ela tem é uma só / Ah ra ra, iá ro ró, ela tem é uma só.

A Barata diz que tem um sapato de veludo / É mentira da barata, o pé dela é peludo / Ah ra ra, Iu ru ru, o pé dela é peludo.

A Barata diz que tem uma cama de marfim / É mentira da barata, ela tem é de capim / Ah ra ra, rim rim rim, ela tem é de capim.

A Barata diz que tem um anel de formatura / É mentira da barata, ela tem é casca dura / Ah ra ra , iu ru ru, ela tem é casca dura.

A Barata diz que tem o cabelo cacheado / É mentira da barata, ela tem coco raspado / Ah ra ra, ia ro ró, ela tem coco raspado.