O lhama é um mamífero ruminante pertencente à família dos Camelídeos, da qual também fazem parte a alpaca, o guanaco e a vicunha, seus parentes próximos, além dos camelos e dromedários. Natural dos elevados planaltos andinos, e por isso mesmo capaz de suportar não só as baixas temperaturas que ocorrem naquela região, como também períodos de seca mais prolongados, ele é encontrado na Argentina, Chile, Peru e Bolívia.
Desde longa data os nativos dessas áreas montanhosas os consideram como pau para toda obra, pois além da lã, carne e couro que fornecem ao homem, também é aproveitado no transporte de cargas. Um macho da espécie é capaz de agüentar no lombo volumes com peso em torno 50 quilos, ou um pouco mais (essa é a razão pela qual não é usado normalmente como montaria), ao longo de percursos com 20 quilômetros de extensão, ou mesmo um pouco maior. Quando acontece de lhe colocarem no dorso peso superior à sua capacidade de suportá-lo, o animal costuma deitar-se e permanecer nessa posição até ser aliviado da carga pesada com que havia sido presenteado.
Domesticado há cerca de 4.000 anos pelos povos incas que dominavam a cordilheira, esse animal foi largamente usado pelos espanhóis ao longo do século 16. Registros históricos revelam que a destruição do império incaico, provocada por uma campanha feroz e sangrenta desenvolvida pelos conquistadores europeus à procura de riquezas, resultou para os mesmos na apropriação de enormes quantidades de ouro e prata que, retirados de minas como a boliviana Potosi, abasteceram generosamente os cofres do reino ibérico e permitiram a continuidade do estilo de vida faustoso e despreocupado que se desfrutava naquela corte.
Foi dessa forma que os lhamas conhecidos como carneiros vermelhos (os animais da espécie são cobertos por pêlos com cores uniformes ou em manchas, e têm coloração que vai do marrom ao preto ou branco, mas também existem os castanho-avermelhados, que ganham o apelido de carneiros vermelhos) passaram a integrar enormes caravanas que levavam os valiosos minerais extraídos das minas andinas até o litoral, descendo dos altos platôs pelas perigosas trilhas da cordilheira. Chegados à costa, onde ficavam expostos a uma temperatura elevada a que não estavam acostumados, muitos desses animais morriam em pouco tempo, enquanto a preciosa carga que por eles havia sido transportada seguia de imediato nos navios espanhóis, em direção à Europa.
O lhama tem uma aparência curiosa. Seu pescoço é longo, e a cabeça oval, de pequeno tamanho, aparenta ser desproporcional em relação ao corpo que pode chegar a 150kg de peso, com comprimento variando em torno dos 2,00m, e a altura alcançando 1,70m, quando muito. De pelagem farta e abundante, o que é essencial para lhe dar proteção contra o frio que enfrenta, esse animal alimenta-se de capim e folhas dos vegetais que encontra em seu habitat. De forma geral, cada macho da espécie vive em um grupo formado por 15 fêmeas que produzem, individualmente, um filhote (raramente nascem dois) em cada gestação. O período da gestação é de oito meses, aproximadamente, sendo a cria amamentada durante seis meses. A maturidade sexual do lhama é alcançada aos dois anos de idade, e ele vive, em média, durante 24 anos.
Entre seus hábitos estranhos está o de cuspir uma secreção mal-cheirosa em outros animais (e até mesmo nos homens), quando se sente incomodado. Apesar de ser considerado dócil em virtude do comportamento sereno e sossegado que apresenta normalmente, o que se manifesta inclusive no seu caminhar vagaroso e cadenciado, ele se irrita com muita facilidade, tendo sido, por isso, considerado o oitavo animal mais irritável do mundo, segundo o Animal Planet, um canal de televisão pertencente à Discovery Communications, com sede nos Estados Unidos e transmitido também para a América latina, cujas séries e documentários são dedicados completamente ao mundo animal.
Apesar de rústico ele é domesticado com facilidade, podendo, inclusive, ser criado em cativeiro. As fêmeas da espécie são tosquiadas uma única vez em cada ano, o que já não acontece com os machos, cujo pêlo é conservado integralmente a fim de permitir que cargas a serem transportadas sejam colocadas diretamente em suas costas, sem machucá-lo.
No Brasil já existe um pequeno número de criadores que procuram atender ao crescente interesse pelo consumo de sua carne magra e macia, considerada exótica e presente, sobretudo, nos cardápios de restaurantes requintados. Também há demanda pelo couro e pela lã, utilizada para a elaboração de vestuário de inverno. Segundo os técnicos, não é muito difícil criar lhamas, já que são animais que vivem em locais rústicos e simples, se satisfazem com um bom pasto de capim e mato, e assim como os camelos, também podem ficar durante um bom tempo sem beber água. Além disso, os estabelecimentos de turismo rural constituem um dos promissores canais de interesse pelo bicho.