Frígios – ou homens livres – foi o nome dado pelos gregos ao povo indo-europeu que por volta de 1190 antes de Cristo penetrou com seus exércitos na Ásia Menor e auxiliou na destruição do império hitita. Provenientes da Trácia e da Macedônia, os frígios tinham costumes rudes, mas já conheciam o ferro. Espalhados por toda a Anatólia (Ásia Menor), fizeram do vale do Sangarius o ponto central de seu poderio, e ali fundaram um Estado – a Frígia – sobre as ruínas do império que tinham ajudado a destruir.
Em 1.000 antes de Cristo a penetração frígia estendeu-se para o norte e o centro daquela região; ao sul, atingiu os rios Hermus e Meandro, tendo quase alcançado o Eufrates, a leste. Através do estudo das tradições gregas e dos objetos frígios encontrados em escavações no vale do Hermus, pode-se deduzir que esse povo exerceu grande domínio no mar Egeu, na costa ocidental da Ásia Menor, durante o século 9 antes de Cristo. E ergueu várias cidades ao longo do mar Negro.
De acordo com os relatos assírios, durante a segunda metade do século 8 antes de Cristo os frígios tentaram inutilmente aumentar seus domínios territoriais na parte oriental da Ásia Menor, e embora tenham penetrado por diversas regiões, não conseguiram consolidar seu poder nas áreas conquistadas, perdendo para os bitinianos sua hegemonia no mar Negro, enquanto os gregos e os lídios do vale do Hermus, impediam-lhes o acesso ao mar Egeu. Depois de 800 antes de Cristo, seu poder decresceu.
Gordium (na ilustração, ruínas da cidade), a capital do Estado, situada na margem direita do Sangarios, era governada por uma linhagem de reis lendários que se chamavam, alternadamente, Gordius e Midas. O último e maior rei da dinastia frigia foi um Midas que levou sua nação a grande prosperidade através da intensificação do comércio com outras regiões, e da elevação de inúmeras vilas à categoria de cidade. Além disso, estreitou relações com a Grécia, cuja influência na cultura frígia se revela tanto na arte como na escrita alfabética (muito mais próxima do grego arcaico que à fenícia). Já Heródoto corrobora uma tradição grega que considera os povos frígio e armênio como ramos de uma só raiz, baseado na semelhança de suas línguas. Escavações realizadas na região de Gordium revelaram a existência de inúmeros túmulos de terra, de tamanhos diversos, dominados por outro maior, isolado, talhado em pedra e conhecido por túmulo do Rei Midas.
Com a invasão dos cimérios, nos fins do século 8 antes de Cristo, iniciou-se o declínio da Frígia como entidade política independente. Enfraquecida, ela caiu nas mãos de um reino vizinho, a Lídia, mas sob seu domínio recuperou a antiga prosperidade. A riqueza dos materiais encontrados nos túmulos da época, e o elevado padrão artesanal, dão a entender que esse foi um tempo de paz e abundância.
Na arte frígia, que alcançou seu apogeu por volta do ano 600 antes de Cristo, destacam-se os túmulos e monumentos talhados em pedra, como os da cidade de Midas, e as fachadas ornamentadas, também de pedra. Os estilos dórico e jônico surgem nas entradas dos túmulos decorados com arquitraves sustentadas por pilares; as paredes externas recobriam-se com motivos geométricos em relevo, e as fachadas apresentavam esculturas, geralmente da deusa Cibele, ou de pares de leões.
Durante o período frígio na Anatólia a cerâmica trazia as características da técnica da Idade do Ferro, sendo a pintada mais usada que a lisa. Aparentemente, os temas decorativos vinham das ilhas do Mediterrâneo ou do Egeu, quase sempre em marrom avermelhado sobre uma superfície de cor neutra, enquanto os ornamentos mostravam veados em combinação com anéis concêntricos e árvores, em geral formando faixas na parte superior dos vasos. Isso estava em perfeita harmonia com a vida dos frígios, que apesar de guerreiros, primavam pelas atividades agrícolas e pastoris.
Não se pode precisar com facilidade as características arquitetônicas desse povo, pois a Frígia sofreu inúmeras invasões e destruições praticadas pelos cimérios, lídios, persas, sírios, celtas e romanos. Nos monumentos de pedra a influência dos hititas e dos gregos é acentuada, mas até hoje não foi descoberta uma cidade construída exatamente no período da autonomia frigia na Ásia Menor.
Seus dois únicos produtos industriais de importância eram o mármore de Domicium e as lãs de Laodicéia e Colossae, no sul. Em virtude do caráter rural de sua economia, a Frígia possuía mais vilas que cidades, construídas geralmente nas encostas das colinas e próximas a um templo ou a uma fortaleza senhorial. A terra pertencia aos reis, os vassalos aos grandes senhores ou aos sacerdotes dos templos, enquanto os camponeses viviam em condição servil.
Entretanto, a maior contribuição dos frígios para a civilização mediterrânea está na religião. Embora trouxessem deuses indo-europeus ao invadirem a Ásia Menor, adotaram prontamente o culto de divindades locais, sendo as mais importantes Cibele (ilustração) e Átis, que representavam a força da natureza e a vegetação que renascia a cada primavera. Em seus cultos orgíacos os sacerdotes chegavam à automutilação, e nos principais santuários uma hierarquia sacerdotal exercia um governo teocrático. O culto a Cibele, a deusa-mãe, espalhou-se pela Grécia no século 5 antes de Cristo, e oficialmente estabelecida em Roma no ano 204 antes de Cristo, dali abrangendo toda a Itália e alcançando a Bretanha e as províncias do Reno.
A Frígia atravessou dois séculos inexpressivos até ser conquistada por Alexandre da Macedônia, mas, com sua morte, a região tornou-se um campo de batalha disputado por várias potências, sendo enfim anexada à Síria. Em 275 antes de Cristo sofreu a invasão dos celtas (quando passou a denominar-se Galácia), e no período romano tornou-se parte da Província Asiática. Finalmente, sob a denominação de Império Bizantino a Frígia desapareceu por completo. Uma de suas poucas reminiscências na era moderna é o gorro frígio (barrete encarnado), adotado na Revolução Francesa como um dos símbolos da República.