ESTREITO DE GIBRALTAR

Separando a Europa da África e ligando o oceano Atlântico ao mar Mediterrâneo, o Estreito de Gibraltar situa-se entre o Marrocos e a extremidade sul da Espanha. Trata-se  de longo corredor de água com cerca de 40 quilômetros de comprimento, largura média de 30 quilômetros (em alguns pontos tem 13 quilômetros de largura) e profundidade mínima de apenas 350 metros. Conhecida e utilizada desde a Antigüidade, essa ligação marítima entre o Atlântico e o Mediterrâneo é uma das regiões mais analisadas do globo. Já em 1826 o estreito de Gibraltar foi minuciosamente pesquisado pela expedição oceanográfica de Dumont d”Urville, que foi seguida por inúmeras outras.

           

A importância estratégica do Estreito de Gibraltar, enorme até a Segunda Guerra Mundial, é ainda muito grande, pois por meio dele pode ser controlada toda a circulação marítima entre o Atlântico e o Mediterrâneo, grandemente aumentada com a abertura do canal de Suez, em 1869. É também passagem essencial para as correntes de navegação de cabotagem, principalmente da Espanha e da França, e de longo curso, sobretudo da Europa, África Ocidental e América. Por suas águas é transportada grande parte do petróleo vindo do Oriente Médio e Norte da África, carvão, minérios de ferro e manganês, além de alimentos e adubos comerciados entre países mediterrâneos e as demais áreas do globo.

 

Utilizado continuadamente por correntes de povoamento, conquista e comércio, o estreito sempre foi uma das regiões mais agitadas da formação histórica e cultural dos países mediterrâneos, tendo diferentes povos lutado para dominar os principais pontos estratégicos da região. Os lugares onde se encontram atualmente Gibraltar e Ceuta foram denominados colunas de Hércules pelos fenícios, em 630 antes de Cristo, e correspondem a duas penínsulas rochosas protegidas das correntes marinhas vindas do Atlântico. Bons ancoradouros, eram empregados por comerciantes e navegadores fenícios nas viagens que faziam para instalar colônias e entrepostos nas áreas vizinhas. Depois dos fenícios, a região pertenceu a gregos, cartagineses e romanos, sendo ocupada mais tarde por vândalos, bizantinos, visigodos e árabes. Durante as duas guerras mundiais Gilbraltar serviu como base aliada, e atualmente é porto livre de comércio continuamente reivindicado pela Espanha.

 

A revista Os Caminhos da Terra, em sua edição 191, publica a matéria intitulada As Portas do Mediterrâneo, onde diz que “Certo dia, o Mediterrâneo secou. Foi há 6,5 milhões de anos. Na dança tectônica dos continentes, a África encostou na Europa e selou o que hoje é o Estreito de Gibraltar. Sem o Atlântico nutrindo o Mediterrâneo, a água evaporou. África e Europa, por 1 milhão de anos, estiveram unidas por um extenso vale. A retirada de tanta água causou grandes movimentos na crosta terrestre. Surgiram terremotos, fendas, vulcões. Num desses abalos, a estreita faixa de terra que conectava o extremo oeste dos dois continentes ruiu. E o Atlântico pôde, mais uma vez, jorrar sobre o Mar Mediterrâneo. As águas caíram sobre o vale a uma altura de 3 mil metros numa força tal que, em 100 anos, o Mediterrâneo estava cheio. Era de volta um mar”.

 

E prosseguindo: “Se não fosse pelo Estreito de Gibraltar, o Mediterrâneo não existiria. É por uma passagem de apenas 13 quilômetros de largura no seu ponto mais estreito que o Atlântico vaza todos os dias sobre o mar, colonizando-o com suas águas e espécies marinhas. Por causa do clima ensolarado, o Mediterrâneo evapora com muita facilidade. Cerca de 4 trilhões de metros cúbicos de água por ano tornam-se vapor. Caso o Estreito de Gibraltar fosse represado, o Mediterrâneo secaria em 200 anos, mesmo com o Nilo e outros rios fluindo em sua direção”.

 

Atualmente está sendo estudada a possibilidade de construção de um túnel sob o estreito de Gibraltar, ligando a Europa à África. Recentemente (06/03/2007), a imprensa européia publicou declaração de José Luis Rodrigues Zapatero, primeiro ministro espanhol, confirmando o interesse de seu país na efetivação dessa obra. Segundo suas palavras, ela "Será uma ligação histórica entre a Europa e África, que contribuirá para acelerar o crescimento, o desenvolvimento e a prosperidade”, mas nada adiantou sobre a data prevista para a decisão final e início da obra, mencionando apenas que o projeto levará anos para ser concluído. Nos respectivos continentes, a linha deverá ligar a cidade espanhola de Tarif, à marroquina de Tanger.