LAGO TITICACA - Peru e Bolívia

O lago Tititica tem 8.300km2 (175km de comprimento por 50 de largura, aproximadamente). Situado entre o Peru e a Bolívia, a 3.821 metros acima do nível do mar, é o lago navegável mais alto do mundo, e o segundo em extensão na América Latina, perdendo apenas para o Maracaibo, na Venezuela. Com profundidade média variando entre 140 e 180 metros, e máxima de 280, ele é abastecido não só pelos mais de 25 rios que nele deságuam, mas também pela chuva e degelo das geleiras que o rodeiam. Em compensação, é fonte do rio Desaguadero (que tem a corrente mais impetuosa do globo), cujas águas correm através da Bolívia em direção ao lago Poopo.

 

A origem do nome Titicaca é desconhecida, embora tenha sido traduzido como “Pedra do Puma”, o que já mereceu diversas explicações sem que se possa dizer qual delas é a correta. Mas o que a lenda nos diz é que ele foi o berço da civilização inca. Por essa versão o deus Sol teria instruído a Manco Capac e Mama Ocillo no sentido de que procurassem um local onde sua gente pudesse permanecer em paz. Os dois chegaram então a uma ilha mais tarde batizada com o nome de Isla Del Sol, e de lá o povo inca estendeu seu domínio por vasta região durante quatro séculos (12 a 16), quando então os espanhóis chegaram e colocaram um ponto final na hegemonia incaica. Manco Capac, primeiro Imperador e fundador do império Inca, era conhecido como o homem forte e civilizador das tribos selvagens dos arredores de Cuzco.

 

O lago Titicaca, conhecido por diversos nomes pelos locais, tem 41 ilhas. Ele é dividido em duas partes pelo estreito de Tiquina, na região sudeste. A menor, na mesma região, é chamada pelos bolivianos de lago Huinaymarca, e a outra, a maior, de lago Chucuito. Os peruanos procedem da mesma forma, mas usando nomes diferentes: a parte pequena tem a denominação de lago Pequeno, e a grande de Lago Grande. Das 41 ilhas, somente algumas são habitadas por um maior número de pessoas. Como as ilhas de Taquile e de Amantani, no lado peruano, e as ilhas do Sol e da Lua, no lado boliviano. Mas nesse particular, o que desperta maior interesse são as ilhas flutuantes dos Uros, uma das mais antigas civilizações da América.

 

Reduzidos atualmente a meros figurantes na engrenagem comercial que explora o turismo na região, os uros sobrevivem exibindo aos visitantes o seu modo de vida primitivo, embora engenhoso, e vendendo aos interessados em adquirir lembranças, as peças de seu artesanato. Mas o que realmente atrai a atenção dos turistas são as ilhas flutuantes em que eles vivem, cuja existência remonta a centenas de anos. Fabricadas com o junco que cresce no meio do lago, conhecido como totora, uma planta versátil que apesar de nascer na água quando seca ao sol não afunda facilmente, tais ilhas recebem cabanas, escola, bar, banca de venda de artesanato e outras construções rústicas onde se abrigam centenas de pessoas, ficando amarradas a estacas fincadas no fundo do lago, para evitar que flutuem à deriva em razão do vento. Na medida em que as camadas submersas vão apodrecendo, os indígenas compensam essa perda com mais junco seco colocado na parte superior da ilha, renovando assim o seu poder de flutuação. Porém, quando ao final de certo tempo ela começa a afundar de forma irremediável, outra já está pronta para substituí-la. As totoras que lhes servem de piso são trocadas a cada quinze dias, e aproveitadas como combustível pelos moradores. 

 

A coloração das águas do lago pode apresentar a cor azul ou verde, a primeira, azulada, nas áreas onde a profundidade ultrapassa os 25 metros, e a segunda, esverdeada, nas mais rasas, em razão das plantas aquáticas ali existentes. A fauna é rica, apresentando inúmeras variedades de peixes, inclusive trutas que ali foram introduzidas e que se adaptaram bem. Da mesma forma, gansos e patos, entre outras aves, fazem do Titicaca o seu habitat. Infelizmente, porém, o crescimento desordenado das zonas urbanas às margens do lago, com a também crescente e ainda inevitável poluição advinda desse inchamento demográfico, tem trazido prejuízos e situações inconvenientes ao meio-ambiente da região.

 

Entre essas cidades encontra-se a de Puno. Situada em território peruano, e transformada em portão de acesso a quem deseja visitar o Titicaca, ela se tornou conhecida como “Capital Folclórica das Américas”. E faz jus ao nome que lhe deram apresentando festivais anuais em todas as suas aldeias. Sede da cultura Tiahuanaco, uma das mais importantes da época que precedeu o domínio inca, seu legado cultural pode ser apreciado por qualquer interessado nos museus e sítios arqueológicos ali instalados.

 

Copacabana, às margens do lago no lado boliviano, foi fundada pelos incas, mas existem vestígios de que antes deles, os Tiahuanacos andaram por suas terras. Segundo o historiador Dalton Delfini Maziero, uma surpreendente descoberta ocorreu na região do lago Titicaca, relacionada a antiga cultura Chiripa (1350 aC - 100 dC). “O morro rochoso de Quesasani, ao lado da atual cidade boliviana de Copacabana, eterno centro de peregrinações religiosas, é guardião de um monumento conhecido popularmente como "Forca do Inca". O nome escolhido não poderia ser mais infeliz. Trata-se de duas colunas naturais de rocha, entre as quais existiam sete traves do mesmo material. Hoje apenas uma se mantém intacta.. As primeiras referências foram feitas pelos conquistadores espanhóis. Concluíram - em sua mentalidade militarista - que as traves e colunas serviam para enforcar os marginais da nação incaica. Daí o nome "Forca do Inca". (...) O mistério da obra só foi devidamente esclarecido em 1983, quando Juan de la Cruz Zapata, especialista em física cósmica da Universidade Maior de San Andrés, desenvolveu estudos nos quais concluiu serem as colunas, usadas para prever os movimentos lunares e a chegada de eclipses. Podemos dizer hoje, com toda certeza, que o monumento foi um observatório astronômico. Em finais da década de 80, o arqueólogo Oswaldo Rivera Sundt confirmou essa tese, datando o local em 1764 aC. Descobriu pedras que foram desgastadas propositadamente para que os raios solares pudessem projetar-se nas traves. Essas "deformações" rochosas serviram para marcar datas fundamentais à observação do meio ambiente. Através das projeções solares, os pré-colombianos puderam organizar seu ano e suas plantações”

 

Quanto à ilha de Taquile, no lado peruano, distante da cidade de Puno cerca de 35km, e que com seus 6km2 é a maior do Titicaca, pode ser considerada outra grande atração turística, pois nela existe uma comunidade indígena que se tornou conhecida pela qualidade de seus produtos têxteis produzidos manualmente, incluídos entre as melhores manufaturas do seu país