Espuma é a suspensão de um gás num líquido, caracterizada pela formação de pequenas bolhas. Em outras palavras, a espuma que coroa a crista das ondas do mar nada mais é que um monte incontável de bolhas de ar de tamanhos variados, cujo principal ingrediente é o ar.
Isso pode ser facilmente observado em qualquer praia, tanto nas de mar aberto, onde ondas mais fortes provocam a formação de uma quantidade maior de espuma, como nas situadas no interior de baías e enseadas, cujas ondas de menor tamanho ainda assim são ornamentadas com estreitas faixas espumosas que as encimam no momento em que timidamente se lançam sobre as pedras ou areia da beira-mar. Essa formação de bolhas está sempre presente nos líquidos que contenham grande quantidade de compostos orgânicos dissolvidos, resultantes dos fenômenos químicos que ocorrem nos seres vivos, como, por exemplo, a respiração, a digestão e a evacuação.
Nesse particular a água do mar é bem servida, porque além de abrigar uma variedade enorme de plantas marinhas, ainda é, também, o habitat de uma infinidade de peixes, crustáceos e outros animais de todos os tipos e tamanhos, que vão dos diminutos formadores de plâncton aos exemplares de algumas espécies que pesam centenas de quilos, como as baleias, cachalotes, tubarões e outros, ocorrendo em todos eles as modificações bioquímicas que se processam nos seres vivos. Por isso os mares e oceanos constituem um caldo riquíssimo dos compostos orgânicos, ingredientes indispensáveis à formação das bolhas que embranquecem de forma tão bela a crista das ondas lançadas continuamente sobre praias e rochedos (vide ilustração acima).
A mesma coisa também acontece nos rios e outros cursos d’água onde os materiais orgânicos estejam presentes em grande quantidade. Isso pode ser observado principalmente em cachoeiras e corredeiras, ou mesmo nos trechos pedregosos que se transformam em obstáculo para as águas fluviais. Mas nesse particular a água do mar leva uma grande vantagem sobre a dos rios, porque permanece constantemente agitada pela movimentação proporcionada pelas ondas. Ultimamente, porém, as águas de nossos córregos, rios e lagoas têm sido intensamente poluídas pelo despejo dos esgotos domésticos, o que vem incrementando o espetáculo triste de montanhas de espuma suja indicando que alguma coisa precisa ser feita, e com urgência, para evitar tal situação.
Sobre esse problema, um texto do Colégio Rainha da Paz, da cidade de São Paulo, instituição católica, fundada em 1950 e mantida pela Associação de Educação e Cultura da Congregação Romana de São Domingos (Irmãs Dominicanas), diz que “Como fruto da atuação do homem sobre o meio ambiente, surge o problema da poluição dos rios. As fontes de poluição da água dos rios resultam entre outros fatores, dos esgotos domésticos, despejos industriais, escoamento da chuva das áreas urbanas e das águas de retorno de irrigação. O grande crescimento populacional e o desenvolvimento industrial, além do uso, cada vez maior, de fertilizantes químicos e inseticidas nas lavouras, tem causado sérios danos aos rios e a vida”.
Enriquecido com ilustração (ao lado) que mostra o aspecto das águas de rios que recebem substâncias tóxicas através dos esgotos domésticos ou industriais, o texto diz mais: “As grandes concentrações de nitrogênio e fósforo, usados nos adubos e fertilizantes, constituem um tipo muito comum de poluição da água. As enxurradas transportam para os rios os fosfatos e nitratos, estes nutrem as plantas aquáticas, as quais, multiplicando-se (especialmente algas), absorvem o oxigênio da água. A falta de oxigênio provoca a morte de muitas plantas e animais, que ao se decomporem aumentam a poluição”.
E conclui: “No Brasil vários rios estão poluídos: O rio Tietê que passa por várias cidades do Estado de São Paulo recebendo seus esgotos, atravessa a cidade de São Paulo como um esgoto a céu aberto, os rios Pardo e Mogi recebem poluentes industriais das usinas e açúcar e álcool, e o rio São Francisco, poluído provavelmente, por receber metais pesados vindo de fábricas próximas e de agrotóxicos”.
Mas, infelizmente, o mar não escapa incólume dessa tragédia. O site www.comciencia.br publica matéria com o título de “Esgoto e lixo poluem o mar”, onde esclarece que “A terra possui 71% de sua superfície coberta com água. Desses 71%, o mar é responsável por 97,2%. Dessa forma, é inegável que o mar representa uma parte fundamental da biosfera sendo, também, considerado fonte importante de recursos energéticos, alimentares e minerais, muitos deles renováveis. Apesar de o homem achar que, por possuir uma área extensa, o mar conta com uma infinita capacidade de prover recursos naturais e absorver todos os resíduos que são nele despejados, isso não é verdadeiro. Cada vez mais, poluentes de diferentes tipos e graus de toxicidade são lançados no meio-ambiente marinho e, conseqüentemente, ocasionam vários tipos de problemas. A poluição marinha é definida oficialmente pela International Commission for the Exploitation of the Seas (ICES) - Comissão Internacional para a Exploração dos Oceanos como "a introdução pelo homem, direta ou indiretamente, de substâncias ou energias no meio marinho que resultam em efeitos deletérios como prejuízo aos recursos vivos; prejuízo à saúde humana; dificuldade das atividades marítimas, inclusive a pesca; impedimento da utilização da água para os fins adequados e redução das amenidades”.