MAR DE BERING

O mar de Bering é formado pela parte setentrional do oceano Pacífico compreendido entre o Alasca, as ilhas Aleutas, a península de Canchatca e a Sibéria Oriental, e se liga ao oceano Ártico através do estreito de Bering. Sua profundidade máxima é de 4.091 metros, e entre as ilhas nele existentes contam-se as de São Lourenço, Nunivac e Pribilof, que são norte-americanas, e o arquipélago do Comandante, pertencente à União Soviética.

 

A exploração de suas águas foi realizada em 1728 e 1741 pelo navegador dinamarquês Vitus Jonassen Béring, contratado pelos russos especialmente para esse fim, e as observações e conclusões feitas por ele durante as duas viagens serviram como base principal das reivindicações feitas pela Rússia sobre o território do Alasca, em continente americano.

 

 No período de 1886 a 1893 surgiu uma pendência internacional envolvendo a Grã-Bretanha e os Estados Unidos sobre a pesca de focas no mar de Béring, porque os americanos, após terem comprado o Alasca dos russos em 30 de março de 1867, constataram que os pescadores ingleses e canadenses faziam uma desastrosa concorrência à Companhia Americana do Alasca, detentora do monopólio de pesca naquelas águas, e por isso proibiram a presença de barcos pesqueiros de outras nações na região, sob a alegação de que o mar de Béring era um mar territorial. A prisão de alguns pescadores ingleses provocou protestos veementes da Inglaterra e a adoção de diversas ações diplomáticas, até que os Estados Unidos propuseram submeter a divergência a um tribunal internacional de arbitragem.

 

Reunido em Paris, este tribunal decidiu em 15 de agosto de 1893 que as pretensões norte-americanas não eram cabíveis e por isso negou aos Estados Unidos o direito de proibir a caça de focas no mar de Bering, mas reconheceu como real a necessidade da adoção de medidas capazes de coibir a destruição progressiva das focas, estabelecendo que as empresas dedicadas a essa atividade deveriam aceitar, entre outras regras, a interdição de determinados aparelhos, a demarcação de uma zona de proteção e o limite do tempo da estação de pesca.

 

Os primeiros relatos sobre o mar de Bering foram feitos pelo naturalista alemão Georg Wilhelm Steller (1709 - 1746), que explorou aquela região a serviço dos russos.  De sua biografia consta que em 1734 ele viajou para a Rússia, onde se tornou membro da Academia de Ciência de São Petersburgo, e dois anos depois aceitou o convite para integrar a expedição de Vitus Bering que se dedicaria à exploração da costa ártica da Sibéria. Steller conheceu Bering em Agosto de 1740, e em setembro do mesmo ano a expedição partiu da península da Kamchatka. A experiência foi positiva e no ano seguinte, Bering convidou Steller para o acompanhar na viagem que pretendia realizar à costa oeste americana.

 

Durante esta viagem, Bering cartografou pela primeira vez a costa do Alasca e muitas das ilhas Aleutas, enquanto seu companheiro Steller, primeiro naturalista a visitar a região, descreveu inúmeras espécies novas de plantas e animais, incluindo o dugongo de Steller, extinto pouco tempo depois da sua descoberta. Apesar dos sucessos científicos, a expedição não vivia bons momentos devido à escassez de alimentos e ao escorbuto que começava a afetar a tripulação. A aproximação do inverno também tornava as circunstâncias mais difíceis, e por isso Bering ordenou o regresso à Rússia.

 

A 5 de Novembro de 1741 o navio Saint Peter encalhou nos recifes de uma ilha batizada então com o nome do capitão. Diante disso, a tripulação abandonou a embarcação, que uma semana depois foi despedaçada pelo mar contra as rochas da ilha. Daí em diante a situação se agravou e muitos naufrágos, incluindo Bering, morreram de frio ou escorbuto. Os sobreviventes conseguiram sobreviver graças à fauna abundante da ilha, que incluía, por exemplo, o cormorão-de-lunetas uma ave muito lenta em terra e fácil de caçar. Neste meio tempo Steller arranjou tempo para escrever o seu único livro De Bestis Marinis, sobre a fauna e flora da ilha. Na primavera, Steller organizou os sobreviventes e construiu uma embarcação que conseguiu chegar à Kamchatka, depois de meses no mar. A expedição custara a vida a mais de metade dos homens que a tinham integrado.

 

Steller sobreviveu e passou os dois anos seguintes a explorar a península da Kamchatka. No regresso a São Petersburgo adoeceu de uma febre desconhecida e morreu em Tyumen no fim de 1746. Os seus diários da expedição ao Mar de Bering foram depois publicados por Peter Simon Pallas, que descreveu, oficialmente, muitas das espécies observadas pela primeira vez pelo naturalista falecido.

 

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.