ANTÁRTIDA

A Antártida, o despovoado e gélido continente do Pólo Sul, tem uma extensão de 13.209.000 quilômetros quadrados, com uma altitude média de 1.800 metros, onde se encontram montes como o Fritjol Nansen (5.790 metros) e o Markhan (4.578 metros). As temperaturas são muito baixas, quase nunca ultrapassam 0 grau. E como nos meses do inverno austral o mar é tomado por uma camada de gelo que impede a navegação, a superfície sólida do continente, neste período, atinge cerca de 35.000.000 de quilômetros quadrados.

 

Os antigos gregos, concebendo a Terra como uma esfera, afirmaram que deveria existir um continente no sul. Quando Cristóvão Colombo, dois mil anos depois, reviveu esse conceito helênico, os cartógrafos voltaram a incluir em seus mapas o então lendário continente austral, ou “Terra Australis”. A partir daí, númerosos marujos tentaram em vão chegar a ele. As viagens de Vasco da Gama, Fernão de Magalhães, Francis Drake e Abel Janszoon Tasman, entre os séculos 15 e 17, demonstraram que seus limites eram mais ao sul do que se acreditava. Somente em 1768, em conseqüência das expedições do capitão James Cook, ficou provado que a Nova Zelândia não pertencia a um continente austral, como se supunha; tendo esse mesmo explorador, entre 1772/75, cruzado pela primeira vez o círculo Antártico, quando então circunavegou o continente.

 

De 1778 a 1839 a região foi visitada numerosas vezes pelos pescadores de baleias britânicos e norte-americanos. Durante esse período, entre 1819 e 1821, o capitão Fabian Gottlieb Thaddeus von Bellingshausen, oficial da marinha imperial russa, avistou, pela primeira vez, terras além do círculo Antártico. Entre 1823 e 1841 descobriu-se o mar de Weddell, a costa de Graham, a Terra de Enderby e a Terra Adélia; em 1842, o capitão James Clark Ross chegou ao mar que ganhou o seu nome, chamando de Terra da Vitória a cadeia montanhosa que via à sua frente. No final do século 19, sucessivas expedições alemãs, norueguesas, belgas e britânicas iniciaram a exploração das regiões costeiras, bem como o estudo científico do continente, mas foi somente depois do VI Congresso Geográfico Internacional, realizado em 1895, que um membro da expedição norueguesa desembarcou pela primeira vez em terras do continente. No século 20 as expedições se intensificaram, e com isso outros exploradores foram descobrindo ou reconhecendo mais regiões da Antártida.

 

O continente Antártico é duas vezes maior que a Austrália, sendo inteiramente recoberto de gelo (à exceção das cadeias de montanhas que chegam a 4.000 metros de altitude. Mas apesar dessa base elevada e acidentada, formou-se no continente uma sólida calota glacial com centenas de metros de espessura. Duas massas de terra compõem a Antártida: uma fica a leste do eixo imaginário, entre os mares de Ross e Weddell e é a maior (Antártida Oriental), e a outra, a Antártida Ocidental, situa-se a oeste desse eixo. Entre os dois mares existe uma depressão continental, na qual o fundo da camada de gelo está abaixo do nível do mar. A Antártida Oriental é um território muito instável. Sobre uma base de gnaisse (rocha granítica formada no interior da crosta terrestre, tal como o Pão de Açúcar, localizado na cidade do Rio de Janeiro, Brasil) encontram-se formações de arenito com vários milhares de metros de espessura, encerrando fósseis de muitos períodos geológicos. Nesta parte da Antártida ergue-se o Erebus, vulcão ativo atualmente em fase de calma. Depois de 1841, quando James Clark Ross o observou em um período ativo, seu cume elevou-se mais 300 metros, com quatro cones concêntricos se superpondo para formá-lo. A cratera principal atinge 4.023 metros, com uma largura de 800 metros e 175 metros de profundidade (na ilustração acima, o vulcão ativo Erebus, na ilha de Ross, na Antártida. As plantas fossilizadas - exemplar mostrado ao lado - encontradas no continente, indicam que houve uma fase de clima temperado. A parte mais contínua da Antártida Ocidental é a longa ponta de terra que avança para a América do Sul. É a Terra de Graham, quase uma ilha montanhosa orlada por profundas baías ocupadas pelo gelo. As montanhas ocidentais formam a cadeia Sentinel, com 3.600 metros de altitude no monte Maria Luísa Ulmer.

 

A calota glacial da Antártida ocupa mais de mil metros da margem do continente, a leste do mar de Weddell, e constitui a principal característica da vasta terra austral, cujo território não é penetrado por ventos úmidos. As médias anuais de temperatura são bastante baixas, sem que em nenhum mês ela suba acima de zero. O inverno antártico, com duração de dez meses, durante os quais o sol não aparece, é tormentoso, ocorrendo, durante esse período, diferenças de mais de 30 graus centígrados num mesmo dia, acompanhadas de ventos violentos que provocam tempestades de neve.

 

Cerca de 27 nações mantém no continente austral, durante o ano, cientistas realizando diversos experimentos. Durante o verão eles são mais de quatro mil (biólogos, geólogos, oceanógrafos, físicos, astrônomos, glaciólogos e meteorologistas) operando estações de pesquisa, número que diminui para quase mil, no inverno. Mais de nove mil fragmentos de meteoritos já foram recolhidos na Antártida, dentre eles um com 4 mil milhões de anos, que aparentemente se desprendeu de Marte. Desde os anos 70 um foco importante de estudos tem sido a camada de ozônio acima da Antártica. Em 1985, três cientistas britânicos que trabalhavam com dados que haviam recolhido na Estação Halley, descobriram a existência de um buraco nessa camada. Em 1998, informações de satélites da NASA mostraram que o buraco na camada de ozônio era o maior desde que foi notado, cobrindo 27 milhões de quilômetros quadrados.

 

O Brasil mantém na Antártida a Estação Antártica Comandante Ferraz e quatro refúgios. Instalada na ilha Rei George, um local considerado estratégico, ela tem chilenos, poloneses, chineses, uruguaios, russos, argentinos, peruanos e sul-coreanos como vizinhos.