O Etna está localizado na parte oriental da ilha da Sicília (entre as cidades de Messina e Catânia), perto da costa, e tem 3340 metros de altura, medida que é variável em virtude das suas freqüentes erupções (em 1956, por exemplo, constatou-se que ele havia aumentado 32 metros). Maior vulcão ativo da Europa (com circunferência, na base, de 140 quilômetros), supera em quase três vezes o tamanho do Vesúvio, também situado no sul da Itália, embora não seja tão destrutivo quanto este.
A montanha do Etna se divide em três partes. A primeira se inicia no solo plano, avança algumas centenas de metros encosta acima, e nela, onde o terreno é de boa qualidade, são cultivados vinhedos, oliveiras e árvores frutíferas. A intermediária, que vai até os dois mil metros de altitude, é coberta por bosques nos quais predominam os pinheiros e castanheiros. A última, que vai até o topo, é inóspita, com solos arenosos e cheios de fragmentos de lava petrificada e escória de todo tipo. Sua estrutura atual é formada por uma cratera principal e diversos outros cones subsidiários, originados de fissuras nas vertentes da montanha.
Estudos geológicos comprovaram que o Etna surgiu há 2,5 milhões de anos. Ao longo desse tempo sua história foi marcada por um sem número de erupções que normalmente não ofereceram maiores riscos à população, embora tivessem sido, algumas vezes, bastante destrutivas. Ficaram famosas, por exemplo, a de 396 antes de Cristo, que assustou os cartagineses na época empenhados em conquistar a Sicília, e os levou a abandonar a região atingida pelo vulcão; outra foi a de 1381, quando um rio de lava chegou até às águas do Mediterrâneo; assim como a de 1669, que pelos registros da época durou de 11 de março a 15 de julho, atingiu um bom número de povoações e destruiu as casas onde moravam 27 mil pessoas (que conseguiram escapar a tempo) na cidade de Catânia. No século 18 foram 16 erupções, e 19 no século 19. No século 20, entre as dezenas que ocorreram, destaque para a de 1928, que sepultou a aldeia de Mascali, e mais recentemente, a de 1983. Em algumas delas tentou-se desviar o caminho do material incandescente expelido pelos vulcões, e que descia pelas encostas, através de valas e canais escavados à mão ou com o emprego de dinamite, mas esse recurso não ofereceu nenhum resultado positivo.
Em matéria publicada na edição de 06/11/2002, a revista Veja informou que “(...) No domingo, 27, a montanha (Etna) explodiu, lançando jorros de material incandescente a mais de 100 metros de altura. A nuvem de fumaça e cinzas que emergiu de sua cratera atingiu a Líbia, no litoral da África, a 640 quilômetros de distância. Em sua fúria, o Etna torrou uma estação de esqui e uma floresta de pinheiros. A cinza caiu como chuva sobre Catânia, a segunda maior cidade da Sicília, a 44 quilômetros de distância. (...) Ironicamente, o que mais incomodou os sicilianos não foi o vulcão, mas uma série de pequenos terremotos ocorrida na terça-feira. Os tremores de baixa intensidade (grau 4 na escala Richter) foram fortes o suficiente para abalar casas e igrejas em Santa Venerina, uma das cidadezinhas à sombra do Etna. Milhares de pessoas passaram a noite em barracas ou em carros, com medo de desabamentos”.
Prosseguindo, a reportagem esclareceu que: “Os vulcões não são nada mais que afloramentos de magma, a rocha em estado fundido encontrada no centro da Terra. Os mais perigosos são os que liberam uma avalanche de cinzas e gases tóxicos capazes de se deslocar a até 200km/hora e atingir temperaturas altíssimas. Suas vítimas são carbonizadas vivas em segundos ou morrem sufocadas, com os pulmões queimados. Rachaduras nas encostas do Etna liberam gases periodicamente, diminuindo a pressão que, elevada, poderia levar a uma erupção de proporções devastadoras. A lava que desce em corrente por sua encosta atinge a temperatura de 1200 graus, a mesma de um forno siderúrgico. Mas avança com lentidão, dando tempo para os moradores serem retirados de seu caminho. Só se comprovou a morte de 77 atingidas pelo Etna, quase todas turistas que se arriscaram demais para ver de perto a fúria do gigante”.
A fama do Etna vem de longa data. Na Roma imperial ele era chamado de Aetna, nome provavelmente derivado do grego ou fenício e cujo significado é algo parecido com queimar violentamente. Os árabes, por sua vez, apelidaram-no de a montanha de fogo. O vulcão, na mitologia greco-romana, era o lugar onde Eolo, o deus dos ventos, os teria confinado em cavernas sob a montanha; ali foi aprisionado o gigante Tifão (tinha várias cabeças de serpente e lançava chamas pelas bocas), filho de Tártaro e da Terra, pai de monstros como a Hidra de Lerna, o cão Cérbero, a Esfinge e as Harpias, e que por ter chefiado os Titãs na luta perdida contra os deuses, sofreu esse castigo imposto por Zeus, ou Jupiter; por sinal, o mesmo destino dado a Encelado, irmão de Tifão, e que segundo a tradição, quando se movia abalava a Sicília; além deles, Hefesto, ou Vulcano (daí a origem da palavra vulcão), deus do fogo, tinha no Etna a sua fundição, enquanto os Ciclopes, gigantes com um único olho no centro da testa, fabricavam raios para que Zeus os usasse como armas.
Ésquilo, dramaturgo grego, referiu-se a uma erupção do Etna em 475 antes de Cristo. O filósofo Platão, em 387 antes de Cristo, foi vê-lo de perto. Diz uma lenda que mais ou menos nessa mesma época, outro filósofo grego, Empédocles, que vivia num observatório na encosta da montanha, convenceu-se de que o ar quente dos gases vulcânicos seria capaz de suportar o peso de seu corpo, e por isso jogou-se na cratera.