CIRCULO POLAR ÁRTICO

O Círculo Polar Ártico é o paralelo da latitude 69°33’39” Norte, limite da área que circunda o Pólo Norte, nela incluídos mares e terras onde prevalecem as condições características das regiões polares. Ao norte desse paralelo a temperatura permanece abaixo do ponto de congelamento praticamente durante o ano inteiro, embora nessa latitude a amplitude térmica anual possa variar de vários graus abaixo de zero (no inverno boreal) a poucos graus acima de zero (no verão boreal). Por essa razão o oceano Ártico, no período mais frio, costuma congelar, formando uma calota de gelo que permanece inteira durante alguns meses;   

 

Muitos, porém, não o consideram como limite geográfico satisfatório, motivo pelo qual a linha onde termina o crescimento de árvores é normalmente aceita como tal. Dessa forma, parte do Alasca; do Canadá, a Groenlândia, o norte da Noruega e da Islândia, o litoral russo até a Sibéria e o oceano Ártico, ou Glacial Ártico, estão incluídos nas regiões árticas. Geralmente, as terras e as ilhas que nelas se encontram apresentam as mesmas características geológicas dos continentes de que estão próximas. São habitadas por várias raças, algumas nômades, que vivem da pesca, sobressaindo, dentre elas, os lapônios. O esquimó é encontrado desde o Alasca até a Sibéria Oriental, mas ao que parece ele está desaparecendo em conseqüência do seu contato com a civilização, apesar das medidas de proteção adotadas pelos governos canadense e dinamarquês.  

 

Nessa região a vegetação só existe nas áreas de tundra, planícies além do limite da vegetação arborescente, cujo subsolo é permanentemente congelado e cujo solo pantanoso suporta uma densa vegetação de musgos, liquens, ervas e arbustos anões. Visitado por pássaros migratórios como gansos, patos, mergulhões, corvos e andorinhas árticas (a única ave não-migratória é a coruja da neve), o Ártico é também o habitat de alguns animais terrestres, sendo os mais conhecidos as raposas azul e prateada, a rena, o boi-almiscarado, o caribu e a lebre ártica. O mar, rico em peixes, abriga animais de grande porte (focas, leões marinhos, baleias e ursos polares), mas a caça descontrolada reduziu em muito as populações dessas espécies.    

 

Embora os antigos não tivessem conhecido as regiões polares, os gregos haviam concluído por meio de cálculos astronômicos que nessas regiões, durante o verão, deveria existir o sol da meia-noite, mas que ele não apareceria durante o inverno. Acreditava-se, inclusive, que lá existisse uma região feliz, onde os seus habitantes desfrutavam de uma vida calma, pacífica e imperturbável.

 

O primeiro explorador que a História registra como tendo, provavelmente, alcançado as regiões árticas, foi o grego Píteas, um mercador, geógrafo e explorador da colônia Fócida Massilia (hoje Marselha, na França), que viveu entre 380 e 310 a.C. Por volta do ano 325 a.C. ele fez uma viagem de exploração ao noroeste da Europa, circunavegando a Grã-Bretanha. Primeiro autor greco-romano a descrever o sol da meia-noite, a aurora polar e os gelos polares, Píteas relatou as suas viagens num documento intitulado “Do Oceano”, do qual são conhecidos apenas pequenos trechos citados por autores posteriores. Alguns destes, como Políbio e Estrabão, acusaram Píteas de documentar uma jornada fictícia, mas apesar disso a sua história é aceita atualmente como plausível. Em um de seus relatos, Píteas informou ter visitado uma ilha situada a seis dias de viagem do norte da Escócia, à qual chamou de Thule. Muitos historiadores acreditam que esta ilha tenha sido a Islândia, enquanto outros supõem que ele se referia, na verdade, à costa da Noruega.

 

Depois dele, muitos exploradores percorreram a região. Existem referências de que em 825 monges irlandeses chegaram a Islândia e ilhas adjacentes; de que em 870 o norueguês Otar teria descoberto o mar Branco (um braço do mar de Barents, na costa noroeste da Rússia); de que no início do século 10 o norueguês Gunnbjörn descobriu a Groenlândia. Posteriormente, nos séculos 16 e 17, o aumento da atividade marítima fez com que ingleses e holandeses se empenhassem na busca de uma passagem para a China, através do oceano Ártico: em 1576 o estreito mais tarde denominado Hudson, foi percorrido pela primeira vez por Martin Frobisher (1535-1594), militar inglês que explorou as costas da ilha Baffin;  em 1585, o inglês John Davis navegou até o estreito que hoje tem o seu nome; em 1596, o holandês Willem Barents descobriu Spitzbergen, a maior das ilhas do arquipélago Svalbard; em 1607, foi a vez de Henry Hudson, que tentava achar uma passagem para o oceano Pacífico na costa norte da Ásia (Passagem Nordeste); em 1616, o explorador inglês Willian Baffin atravessou o estreito de Davis e chegou à baía que depois recebeu o seu nome; as expedições de comerciantes russos no século 18, e as explorações determinadas pelo governo do mesmo  país, resultaram num melhor conhecimento das costas setentrionais da Sibéria; além disso, os baleeiros e caçadores de focas localizaram novas ilhas enquanto percorriam aquelas águas oceânicas.

 

No começo do século 19 as buscas pela Passagem Noroeste foram intensificadas. Entre 1819 e 1825, William Parry, oficial da marinha britânica, conduziu três expedições que tinham essa finalidade. Em 1847, o grupo comandado pelo explorador John Franklin se perdeu durante a viagem que fazia em busca do mesmo objetivo. Diante disso, numerosos grupos de busca foram enviados ao Ártico. De 1848 a 1859, as expedições de socorro que para lá se dirigiram percorreram cerca de 12 mil quilômetros, e uma delas, a austríaca, descobriu a Terra de Francisco José, um arquipélago entre o mar de Barents, a sul, e o oceano Glacial Ártico, a norte. Mais tarde ela foi cuidadosamente explorada pelos cientistas russos e anexada pela URSS em 1928.

 

A Passagem Nordeste foi descoberta em 1878/79 por Nils Nordenskjöld, um explorador sueco. Anos depois, entre 1903 e 1906, Roald Amundsen cruzou a Passagem Noroeste, da Groenlândia  à costa ártica canadense, e de lá ao estreito de Bering.

 

.Até o final da década de 1940, boa parte do Círculo Polar Ártico permanecia inexplorado e sem mapeamento, o que representava um desafio para cientistas de diversas nacionalidades. Além disso, a importância estratégica da região, sob o ponto de vista militar, levou muitos países, especialmente Estados Unidos e Rússia, a construírem estações de pesquisa e comunicação em terras ao norte do círculo ártico e ilhas de gelo à deriva nas águas do oceano, bem como na calota polar.