Os meridianos são semicírculos imaginários que descem verticalmente do pólo norte ao pólo sul, servindo como linhas de referência para as medidas de longitude (e fusos horários) em direção leste ou oeste, até os pontos desejados. O mais importante deles é o que passa pelo Observatório de Greenwich, na Inglaterra, sendo por isso designado como meridiano de Greenwich. A longitude de qualquer ponto na Terra é medida a partir deste meridiano, e deve oscilar entre 0 e 180 graus, tanto a leste como a oeste do observatório. Mas nem sempre foi assim.
Pouco antes de sua morte, o geógrafo e estatístico italiano Adriano Balbi (1782-1848) publicou um tratado de geografia no qual abordava o problema em que se constituía, na época, a determinação dos graus de longitude. Para que isso pudesse ser feito, ele explicava que “contando-se de um meridiano de convenção, ao qual chamam primeiro meridiano, há dois modos de os contar: ou até 360º, começando do primeiro meridiano para a parte oriental, até o encontrar pela parte ocidental, ou até 180º para a parte oriental, e até outros 180º para a ocidental, e em caso tal é mister que se declare expressamente se a longitude é oriental ou ocidental. Os geógrafos antigos - e ainda hoje os alemães - seguiram sempre o primeiro modo de os contar; o segundo foi geralmente adaptado pelos modernos, e em particular, pelos franceses e ingleses”.
Prosseguindo, Balbi afirmava que “quanto ao meridiano de convenção, ou primeiro meridiano, convém saber que Ptolomeu adaptou o das ilhas Afortunadas, ou ilhas Canárias, por se acharem no limite ocidental dos países naquele tempo conhecidos”. E também lembrava que Luís XIII, rei da França, determinara aos geógrafos franceses, por decreto, a tomada da ilha de Ferro - a mais ocidental do arquipélago das Canárias – como ponto inicial para a medição das longitudes; que os holandeses, por sua vez, haviam adaptado o do pico de Tenerife, a maior ilha do arquipélago das Canárias; que o cartógrafo Geraldus Kremer Mercator (1512-1594), escolhera o da ilha do Corvo, no arquipélago dos Açores, e finalizava seus esclarecimentos dizendo que “ultimamente, quase todas as nações adaptaram os meridianos aos seus respectivos observatórios: os franceses reportam-se ao meridiano do observatório de Paris; os ingleses, ao de Greenwich; os espanhóis, ao de Cádis; os portugueses, ao de Coimbra, ou Lisboa, e assim por diante”.
Com relação ao Observatório Real de Greenwich, ele foi fundado em 1675 pelo rei Carlos II (1630-1685) na localidade com o mesmo nome situada não muito distante de Londres, e sua atividade principal, na época, consistia em efetuar medidas astronômicas que servissem aos navegadores para resolver o problema da determinação da longitude no mar. Em 1851, o matemático e astrônomo inglês sir George Biddel Airy (1801-1892) estabeleceu que o observatório por ele dirigido seria o primeiro meridiano para os britânicos, e assim ficou sendo até o mês de outubro de 1884, quando um acordo internacional celebrado na cidade de Washington (EUA), durante a International Meridian Conference, decidiu confirmar essa determinação, adotando-a como referência para calcular distâncias em longitudes e estabelecer os fusos horários (cada fuso horário corresponde a uma faixa de 15º de largura, sendo a hora de Greenwich chamada de Greenwich Mean Time - GMT).
Analisada por 41 delegados representando 25 nações, a proposta aprovada pela grande maioria dos presentes (a República Dominicana votou contra a proposta; enquanto Brasil e França abstiveram-se de votar), estabeleceu, então, que o meridiano de Greenwich seria o de longitude 0º 0’ 0” E / W
Depois da Segunda Guerra Mundial (década de 1950), às más condições de visibilidade provocadas pela fumaça e pelas luzes de Londres nas observações estelares, determinaram a transferência do observatório, com o seu nome original, para a localidade de Sussex, transformando-se as antigas instalações em museu. Posteriormente, em 1990, o Observatório foi mais uma vez transferido para a Universidade de Cambridge, mas a referência meridiana permanece no local original.