IDADE DO BRONZE

Bronze é uma liga de cobre e estanho em que entram, às vezes, outros metais, como zinco, alumínio e prata. A Idade do Bronze, dentro do processo histórico, caracteriza o estágio da civilização que sucedeu o Período Neolítico (da pedra polida). Quase todas as culturas antigas passaram por esta fase, exceto as das terras oceânicas (Austrália, Australásia, Polinésia e Melanésia) e africanas, que do uso da pedra mudaram diretamente para o uso do ferro.

 

O bronze já era conhecido na mais remota antiguidade, pois assírios, babilônios e outros povos o usaram em épocas que se perdem na noite do tempo. Cerca de 4.000 anos antes de Cristo os egípcios já faziam trabalhos com este metal, que primitivamente era uma liga natural e não artificial, como o é hoje. Embora os primeiros trabalhos em bronze, das nações mais antigas, consistissem principalmente em armamentos, blindagens e utensílios próprios para a refeição, esses mesmos povos começaram também a aproveitá-lo em novas aplicações: com ele os assírios, por exemplo, fizeram portões, e os egípcios, estátuas. Em outras regiões a era dos metais estendeu-se por uns 4.000 anos, durante os quais surgiram as primeiras tentativas de se dar fim à barbárie primitiva e iniciar uma civilização mais desenvolvida.

 

Todos os elementos vitais da moderna cultura material têm suas bases na fase da Idade do Bronze, embora alguns desses elementos já estivessem pressupostos na última fase do Neolítico. O uso do bronze e os progressos da metalurgia permitiram uma rápida ascensão dos povos, provocando mudanças no campo social, o desenvolvimento da indústria e comércio, e uma divisão mais rigorosa do trabalho. Tornou-se necessário, então, que excedentes fossem produzidos para que os homens ligados às atividades de fabricação dos objetos de metal, ou os trabalhadores das minas, não precisassem plantar para a sua subsistência. Houve também uma maior centralização da riqueza e um progresso mais rápido das formas de organização da sociedade humana.

 

Uma das bases econômicas do primeiro Estado egípcio era a exploração de minas de cobre no Sinai como um empreendimento estatal mantido através de expedições periódicas dos exércitos reais. Tais eram as vantagens obtidas com o emprego dos metais, que na fantasia dos povos antigos eles eram considerados como um presente dos deuses. Realmente, depois de viver tantos séculos lidando somente com material maleável, como o barro, o homem daquela época deve ter se surpreendido ao descobrir que o cobre, quando submetido a alta temperatura, também se tornava maleável, e que, colocado em formas e resfriado, moldava-se perfeitamente na forma desejada. A utilização efetiva dessa descoberta envolveu a elaboração de uma técnica através de uma série de invenções. É teoricamente possível que as propriedades do cobre tenham sido percebidas por vários povos, independentemente uns dos outros. Assim, por volta do ano 3000 antes de Cristo egípcios e sumérios usavam processos de fabricação bem distintos, mas com relação a artefatos metálicos mais antigos, as diferenças praticamente desapareciam. Isso faz crer que o intenso comércio existente entre as várias regiões do mundo antigo tenha propiciado um desenvolvimento mais ou menos uniforme da técnica metalúrgica.

 

Na Europa, a idade dos metais chegou através do Mediterrâneo e do Danúbio, o maior rio europeu, depois do Volga. A rota marítima tinha seu início no lado oriental, mas como por volta de 2.500 antes de Cristo as minas de Chipre ainda eram pouco exploradas, o cobre vindo da Ásia Menor chegava primeiramente a Creta através das Cíclades, grupo de ilhas situadas no sul do mar Egeu, e depois à Grécia. Daí seguia para a Sicília, Itália Meridional e finalmente ao porto espanhol de Almeria, ponto de partida para outras rotas de navegação.

 

Nos tempos pré-históricos o conhecimento e o uso do cobre se estenderam das margens do Atlântico às do Pacífico, alcançando todas as regiões da Europa, excluída a Finlândia; todo o baixo Mediterrâneo oriental; o Egito e a Ásia Menor (principalmente em zonas próximas ao mar), a região do Cáucaso (uma das fronteiras entre a Europa e a Ásia) e grande parte da Ásia (Sibéria meridional, Índia, Birmânia, China e Japão). Na América, a pratica da metalurgia desenvolveu-se no México e em outras regiões meridionais. O uso da metalurgia ocorreu, portanto, em quase todas as regiões do globo, mas tanto o desenvolvimento como a duração da Idade do Bronze foram notavelmente diferentes em cada uma delas. Do mesmo modo como não foi sincrônica a introdução da indústria dos metais, não foi também uniforme o desenvolvimento das várias civilizações do bronze, porque isso sempre dependeu das condições naturais e da habilidade dos vários povos.

 

Na Europa, depois do primeiro contato do homem com o metal, surgiram várias escolas de metalurgia. Mas ao invés de desenvolverem somente os tipos de instrumentos criados numa primeira fase, as novas comunidades de trabalhadores de metal lançaram novos modelos que revelaram um novo espírito nesse tipo de trabalho. O final da Idade do Bronze ficou caracterizado como época de agitação e migrações, embora tenha também testemunhado um imenso progresso industrial e econômico.

 

Por volta do ano 1.200 antes de Cristo, com a invasão dos dórios, o ferro apareceu na Grécia. A expansão dos povos indo-europeus pela Ásia Menor e Egito (povos esses que já conheciam o ferro), acarretaria o fim da Idade do Bronze e o começo de uma nova etapa do desenvolvimento das civilizações, caracterizado pelo emprego do novo metal na fabricação de utensílio e armas. Na Europa, essa nova fase se iniciaria por volta do ano 900 antes de Cristo.