Em 1795, durante o transcurso da Revolução Francesa e na mesma época em que aquele país sustentava guerra contra a aliança das monarquias européias, o governo francês preocupava-se em saber como levar comida para os seus soldados que se encontravam na frente de batalha, sem que ela apodrecesse no meio do caminho. Em decorrência disso, as lideranças da revolução ofereceram um prêmio de 12.000 francos a quem desenvolvesse um método capaz de impedir que os alimentos consumidos pelos integrantes das forças armadas ficassem estragados.
Pensando em ganhar tal recompensa, o cozinheiro francês Nicolas François Appert (1752-1841) fez experiências com diversos ingredientes, concluindo que se no acondicionamento dos alimentos preparados fossem usados jarros de vidro arrolhados, selados com cera e depois mergulhados em água fervente, seria possível preservar sopas, doces, laticínios e outros tipos de comida, por um tempo considerado satisfatório. Para demonstrar a viabilidade desse processo, diversas amostras com carnes, vegetais e outros dezesseis itens preservados pelo novo método, foram embarcadas em um navio que saiu para alto mar, onde permaneceram por mais de quatro meses sem que nenhuma delas sofresse qualquer alteração importante. Diante do resultado plenamente satisfatório, esse processo de conservação foi implantado pelas autoridades, o cozinheiro Nicolas recebeu o prêmio prometido, e a vida continuou.
Na verdade, alguns procedimentos visando conservar os alimentos já vinham sendo empregados há milhares de anos: os antigos egípcios e os romanos conheciam os efeitos preservativos do sal, da dessecação e da defumação; os índios americanos colocavam tiras de bisão e de veado no alto de uma tenda ou sobre uma fogueira, onde a dessecação e defumação permitiam que sua durabilidade se estendesse por algum tempo; o bacalhau seco e salgado era um alimento comum entre os colonos americanos, e os povos, de forma geral, guardavam os alimentos perecíveis em cavernas e fontes, onde a baixa temperatura prolongava a conservação desejada.
Mas a progressiva urbanização dos aglomerados humanos formados em todo o mundo, também trouxera a necessidade de que alimentos com boa qualidade fossem colocados à disposição dos consumidores com rapidez, e isso acarretou o desenvolvimento de tecnologias de processamento dos mesmos. Em função disso, o cozinheiro Appert dedicou-se durante quatorze anos ao aperfeiçoamento do seu invento, trabalho que culminou em 1812 com a abertura, em Paris, da primeira fábrica do mundo de alimentos em conserva. O resultado do experimento bem sucedido havia sido descrito em O Livro de todos os lares: a arte de preparar comida por muitos anos, publicado em 1810, na capital francesa, no qual Nicolas François Appert descrevia o seu processo de armazenagem de cinqüenta tipos diferentes de comida.
Um dos exemplares dessa obra chegou no mesmo ano às mãos de Peter Durand, comerciante inglês, que gostou da idéia do francês, associou-se a Auguste de Heine, e os dois se empenharam em aperfeiçoá-la. Recebendo do rei George III, da Inglaterra, a patente para criação da lata feita de folha-de-flandres, destinada a guardar alimentos, Durand e Heine apresentaram pouco depois a nova embalagem, que além de ser feita com material resistente à ferrugem e corrosão, podia ser vedada para impedir a entrada de ar, e ainda oferecia a vantagem de sua forma cilíndrica, de não ser quebrável como o vidro, e ter manuseio mais fácil que uma garrafa frágil e fechada por meio de rolha pouco confiável. O único inconveniente é que elas só podiam ser abertas com martelo e cinzel, pois o abridor de latas só foi criado 50 anos mais tarde. Um ano depois a empresa Donkin and Hall, de Londres iniciou a produção dos alimentos enlatados, e o negócio deu tão certo e prosperou tanto, que em 1815 os soldados franceses e ingleses já se alimentavam com enlatados.
Pouco tempo depois a novidade deixou de ser exclusividade militar na Europa, mas em decorrência do elevado preço de venda sua procura pela população era muito pequena. Isso, porém, não impediu sua chegada aos Estados Unidos, onde em 1825, Thomaz Kensett registrou a patente da lata feita de folha-de-flandres na América, e por isso ficou conhecido como o pai da indústria da lata. Muitos anos depois, em 1926 a companhia texana Hormel lançou no mercado um novo produto, a presuntada, que agradou plenamente à população norte-americana. O resultado dessa satisfação foi que na década de 1930 as conservas se tornaram extremamente populares em todo o planeta, a tal ponto que atualmente cerca de 200 bilhões de latas de comida diversas são produzidas a cada ano.
A primeira lata de bebidas de alumínio foi manufaturada em 1963 pela Reynolds Metals Company, nos EUA, logo acompanhada pela Royal Crown, em 1964, e pela Pepsi e Coca-Cola, em 1967. Tal fato constituiu uma inovação interessante para a indústria de embalagens, porque sendo a lata de alumínio composta por duas partes - um corpo e uma tampa - isso permitiu que no corpo do vasilhame fosse feita a impressão, em 360°, de belas e coloridas mensagens destinadas a despertar maior atenção dos consumidores para os produtos expostos nas prateleiras. A primeira lata de cerveja de folha-de-flandres, feita em 1935, nos Estados Unidos, pesava 85 gramas. Hoje a lata de bebida feita de alumínio pesa menos de 15 gramas.