CAMARASSAURO

Pertencente à família dos saurópodes, o camarassauro, que viveu na América do Norte no período Jurássico (entre 205,7 a 142 milhões de anos), provavelmente foi o mais comum dos dinossauros.

 

De grande tamanho (variando entre 15 e 20 metros de comprimento) e peso beirando as 20 toneladas, ele era um animal herbívoro, ou seja, um consumidor voraz de ramos e folhas que encontrava nas altas árvores então existentes.

 

Para isso o camarassauro, apoiado nas patas traseiras, erguia o corpo e se colocava na posição vertical (como se fosse um animal bípede), e dessa forma buscava a comida que se encontrava disponível nos galhos distantes do solo, entre 10 ou 15 metros de altura.

 

E ele certamente deveria fazer isso com relativa facilidade, pois possuía pernas musculosas, além de um pescoço comprido e cabeça pequena e arredondada. Suas mandíbulas eram dotadas de musculatura poderosa e armadas com dentes grandes, de tamanho pouco comum em saurópodes, o que lhe permitia despedaçar as folhas e ramos com que se alimentava.

 

A longa cauda, que também servia como instrumento de defesa usado contra algum predador que se dispusesse a atacá-lo  (principalmente os alossauros, um tipo de dinossauro bípede e carnívoro), funcionava nas horas de refeição como uma espécie de apoio, ajudando-o a manter-se convenientemente equilibrado naquela posição desconfortável.

 

Uma das características particulares desse dinossauro eram os bolsões ou câmaras de ar existentes em suas vértebras, cuja finalidade, segundo os cientistas, seria a de reduzir o peso de seu esqueleto. E foram justamente nelas que os pesquisadores se inspiraram para lhe dar o nome popular: câmara + sauro, este um termo de composição que exprime a idéia de lagarto, sáurio.  

 

Por força de seu tamanho corporal os camarassauros viviam em terreno aberto porque isso facilitava sua movimentação. Dotados de olhos e narinas grandes, eles provavelmente  permaneciam em estado de alerta permanente quanto a aproximação de predadores, já que nessa mesma época os animais carnívoros, seus inimigos naturais, permaneciam em constante prontidão na busca contínua do que comer.

 

Para desestimular a ação dos caçadores interessados em transformá-los na sua refeição do dia, os desajeitados dinossauros formavam grupos de alguns indivíduos e assim reunidos se entregavam à tarefa de buscar o  que comer. Mas se nesse meio tempo os agressores aparecessem, o que não era incomum, os camarassauros valiam-se não só da grande diferença de tamanho entre eles, mas também das garras afiadas que possuíam nas patas dianteiras, além do pesado rabo usado como um eficiente chicote provocador de estragos físicos e doloridos. Mas nem sempre com resultados positivos.

 

Fósseis encontrados em escavações têm comprovado que esses encontros nem sempre terminavam bem para os camarassauros. Em Cleveland-Lloyd, no estado norte-americano de Utah, a pélvis de um desses dinossauros mostrava grandes lacerações no osso, resultante, certamente, de um ataque de alossauro. Pélvis, ou pelve, é a estrutura óssea em que se inserem os membros inferiores e se apóiam uma série de músculos ligados ao movimento. Tal como acontece nos seres humanos, nos quais a pélvis, ou quadril, é a região de transição entre o tronco e os membros inferiores.

 

Fósseis do camarassauro e outros animais pré-históricos podem ser vistos ainda encravados nas rochas do Monumento Nacional de Dinossauros, uma cadeia de montanhas localizada entre Colorado e Utah, nos Estados Unidos, e transformada em Monumento Nacional no dia 04 de outubro de 1915, pelo presidente Woodrow Wilson. Descoberta em 1909 pelo paleontólogo Earl Douglas, que realizava trabalhos de pesquisa e coleta de fósseis para o Museu Carnegie, em Pittsburgh, Pensilvânia, ela abrangia inicialmente uma área de 320 quilômetros quadrados, ampliados posteriormente para 800 quilômetros quadrados, neles incluídas as gargantas de dois rios, o Verde e o Yampa.

 

Essa camada rochosa que guarda os restos fossilizados de uma grande quantidade de dinossauros e outros animais antigos foi formada pela natureza há 150 milhões de anos, através de incontáveis inundações que levaram para aqueles vales sedimentos de todo tipo, inclusive animais, e ali os foram deixando depositados em camadas sobrepostas. Estas foram erguidas posteriormente por movimentos sísmicos que formaram na crosta terrestre as cadeias montanhosas.

 

O Museu Nacional de Historia Natural, situado na Quinta da Boa Vista, bairro de São Cristovão, Rio de Janeiro, abriga um acervo que contém atrações como a de fósseis de várias partes do mundo, entre estes os de enormes dinossauros. Dessas atrações, uma das mais interessantes são os enormes esqueletos de dinossauros mostrados sobre plataformas que simulam o solo e arredores do local onde viviam em tempos pré-históricos. Algumas ilustrações reconstituem sua aparência em pintura, procurando dar aos visitantes uma idéia de como seria a forma e tamanho de cada um dos representados.