PÁSSAROS MIGRADORES

Todos os anos, quando os dias encurtam e o suprimento de comida escasseia, muitos pássaros preparam-se para seu longo vôo em direção a climas mais frutíferos. Muitos são jovens nascidos na primavera. Até o início dessa grande aventura, esses filhotes só fizeram vôos exploratórios para se familiarizarem com os pontos locais de referência, raramente saindo da área em que nasceram.

 

Um dia, levados pelo instinto ancestral, eles partem para destinos desconhecidos, muitas vezes continentes distantes. As andorinhas do norte da Europa, por exemplo, chegam a voar 11.000 quilômetros até a África, onde passam o inverno. Elas migram em grande bando, e provavelmente contam com a experiência dos pássaros mais velhos, mas alguns, como os cucos, têm que encontrar, sozinhos, o caminho que os levará ao destino pretendido. Como um marinheiro em alto-mar, os pássaros migrantes utilizam instrumentos de navegação, podendo determinar uma rota através do sol ou das estrelas ou, até mesmo, por uma espécie de bússola magnética interna.

 

Muitos deles são sensíveis a variações que ocorrem no campo magnético da terra - uma série de forças que emergem em ondas para a superfície do planeta - quase verticais nos pólos e paralelos ao chão, no equador. Ao invés de verem diretamente o norte e o sul, como na bússola, os pássaros sentem sua localização através do ângulo em que o campo magnético intercepta o chão. Os migrantes noturnos estabelecem sua posição através das estrelas - o que não é fácil, pois o padrão das estrelas varia de acordo com a longitude e a estação do ano. Mas, pelo menos no hemisfério norte, há uma estrela (a Polar), e durante a noite as demais estrelas parecem girar em torno dela. De alguma forma os pássaros conseguem estabelecer uma relação com esse movimento e usam a posição da estrela Polar para se orientar. Durante o dia usam o sol para encontrar o seu caminho, e embora este mude de posição no céu, alguns deles, como os estorninhos, conseguem orientar-se conferindo sua posição no céu com seu relógio biológico.

 

Mesmo quando o sol está encoberto os pássaros sabem onde ele se encontra. A luz que atinge a atmosfera da Terra oscila em todos os ângulos, mas com a continuação torna-se polarizada e todos os raios oscilam na mesma direção. A extensão e o ângulo da polarização dependem da posição do sol no céu. Os pássaros e os insetos usam o padrão da luz polarizada - que os homens não conseguem distinguir - como um auxílio de navegação para determinar a posição do sol, mesmo quando não há mais que uma minúscula mancha de céu azul à vista.

 

A luz polarizada também é usada por migrantes noturnos quando iniciam o próximo trecho da viagem. Com essa ajuda eles podem ter certeza de que estão partindo na direção correta, embora o sol já se tenha posto no horizonte a oeste. Quando o sol se põe, um feixe de polarização máxima percorre o céu de norte a sul - um guia muito confiável desde que o céu esteja claro. Na primavera do hemisfério norte os pássaros rumam para o norte voando paralelamente a essa faixa, orientando-se por uma espécie de relógio biológico e pela posição do sol.

 

Não se conhece a razão de tantos recursos de navegação nos pássaros. Criaturas que sabem usar o campo magnético da terra não deveriam precisar de qualquer outro sistema, mas talvez os pássaros os tenham como reserva – falhando um, usam o outro. As irregularidades ocasionais no campo magnético da terra podem interferir na orientação dos pássaros. Ou talvez seja mais difícil usar as linhas magnéticas de força para manter o curso em lugar do sol e das estrelas.

 

O instinto de volta ao lar dos pombos é proverbial e vem sendo usado pela humanidade há séculos. Saber como eles realizam seus grandes feitos de navegação é um eterno quebra-cabeças, e tem sido matéria de muitas pesquisas científicas. Durante uma série de testes descobriu-se que eles podem ouvir sons de freqüência muito baixa conhecidos como infra-sons, que embora não sejam ouvidos pelos homens são sentidos frequentemente como vibrações. O vento e o barulho de pneus de carros, e o vento que sopra ao redor de edifícios altos têm componentes de freqüência muito baixa, e tornam o homem sonolento.

 

Não é claro o uso que os pombos fazem dessa capacidade auditiva. Recentemente, passou-se a acreditar que outras espécies de pássaros também têm essa capacidade. Os cientistas concluíram que os pássaros migrantes percebem o infra-som em certas referências da sua rota. Barulhos como o vento soprando pelos cânions, ou ondas quebrando na praia, contêm som de baixa freqüência que percorre enormes distâncias. Ou seja, essas mensagens, chegando aos migrantes, criariam um vasto mapa de sons – talvez não muito preciso, mas que serviria como apoio para outros sistemas de orientação.  

 

Fonte: Segredos do Mundo Animal