Em 1892 dois grupos políticos disputavam a preferência do povo do Rio Grande do Sul: de um lado o Partido Federalista, chefiado por Gaspar Silveira Martins, que defendia o sistema parlamentar de governo e a revisão das constituições estaduais, prevendo a centralização política e o fortalecimento do Brasil como União Federativa; e de outro o Partido Castilhista, liderado por Júlio de Castilhos, adepto do positivismo (em tese, maneira de encarar a vida pelo lado prático), do presidencialismo e da autonomia estadual. Os seguidores do primeiro eram denominados gasparistas, ou maragatos (ilustração), frontalmente opostos aos seguidores de Júlio de Castilhos, conhecidos como castilhistas, ou pica-paus.
Em 17 de junho de 1892 este último foi aclamado presidente daquele estado, e os federalistas, perseguidos pelos adversários, resolveram reagir. Em 2 de fevereiro de 1893 cerca de seiscentos homens comandados por Gumercindo Saraiva iniciaram as hostilidades derrotando as tropas legalistas sob o comando do coronel Pedroso de Oliveira. Prosseguindo com a campanha em outras batalhas, como as da lagoa Branca e restinga da Jarraca, os maragatos acabaram dominando a fronteira, passando, então, a exigir a deposição de Júlio de Castilhos e a realização de um plebiscito onde o povo pudesse escolher a forma de governo que desejava.
O agravamento da rebelião agitou a população em todo o território nacional, passando a ameaçar a estabilidade do governo gaúcho e do próprio regime republicano no país. Preocupado, o marechal Floriano Peixoto, então na presidência da República, enviou tropas federais sob o comando do general Hipólito Ribeiro para socorrer Júlio de Castilhos. Estas, chamadas legalistas, foram organizadas em três divisões - a do norte, a da capital e a do centro - que contavam com o reforço do contingente da polícia estadual para enfrentar o inimigo. A primeira derrota dos maragatos aconteceu em maio de 1893, junto ao arroio Inhanduí, em Alegrete, município sul-rio-grandense. Deste combate participou o senador Pinheiro Machado, ao lado dos legalistas.
Em 10 de agosto de 1893 foi travada a batalha de Cerro do Ouro, e nela os rebeldes liderados por Gumercindo Saraiva, que havia recebido um reforço de mil gaúchos, derrotaram as tropas legais impondo-lhes pesadas perdas em homens e munições. Dirigindo-se em seguida para Dom Pedrito, os gasparistas iniciaram uma série de ataques relâmpagos contra vários pontos do estado, desestabilizando as posições conquistadas pelos legalistas, avançando depois sobre Santa Catarina e chegando ao Paraná, esperando contar com o apoio de três navios que haviam zarpado da baia de Guanabara em direção ao sul do país, para auxiliá-los. Mas foram detidos na cidade da Lapa, a sessenta quilômetros a sudoeste de Curitiba, e a resistência ali oferecida pelo coronel Gomes Carneiro, que morreu sem entregar suas posições ao inimigo, deu ao governo da República o tempo necessário para debelar definitivamente a revolta (na ilustração, foto da Cruz dos Degolados, em São Martinho-SC, homenagem os degolados da revolução. Fonte: ricardobraiba.wordpress.com).
Em 20 de fevereiro de 1894 o almirante Custódio de Melo, que comandara sem sucesso a Revolta da Armada no Rio de Janeiro, era recebido triunfalmente em Curitiba, onde organizou um governo provisório, mas dois meses depois as tropas legalistas penetraram no Paraná e em 7 de maio restabeleceram a autoridade legal em Curitiba.
Vendo-se sem meios para continuar lutando, Custódio de Melo fugiu e refugiou-se em Buenos Aires no dia 17 de abril de 1894; Gumercindo Saraiva bateu em retirada para o Rio Grande do Sul, onde morreu em 10 de agosto de 1894, após ser ferido no combate de Campo Novo; Saldanha da Gama, o último dos chefes federalistas, também tombou em Campo Osório (junho de 1895), o que assinalou o fim da luta.
Em 19 de setembro de 1895, já no governo de Prudente de Morais, foi concedida a anistia aos revoltosos.