Com área de 142.814,585km2, o Amapá, uma das 27 unidades federativas do Brasil, está situado na região Norte. Sua população em 2010 era de 668.689 habitantes, sendo Macapá a cidade mais populosa (397.913), seguida por Santana (101.203), Laranjal do Jarí (39.605), Oiapoque (20.425), e Mazagão (17.030).
Uma versão sobre a origem do seu nome sustenta que a palavra pertencia à língua dos índios nuaruaques que habitavam o norte brasileiro na época do descobrimento, e identificaria uma árvore da região (Hancornia amapá), de cuja casca é extraído o látex (chamado leite de amapá) usado na medicina popular como fortificante, estimulante do apetite e também no tratamento de doenças respiratórias e gastrite. Outras explicações afirmam que ela faria parte do idioma tupi (“ama”, chuva, e “paba”, lugar, morada), ou do nheengatu, para identificar a terra que acaba ou ilha.
A história registra que em 26 de janeiro de 1500 o espanhol Vicente Pinzón chegou com quatro caravelas ao cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Prosseguindo rumo ao norte ele passou pela foz do Amazonas e alcançou a boca de outro grande curso d'água que ficou conhecido pelo nome de rio de Vicente Pinzón. Sua identificação como Oiapoque daria ao Brasil ganho de causa na questão dos limites com a Guiana Francesa, em 1897.
O Tratado de Tordesilhas, firmado entre Portugal e Espanha em 1494, pusera sob jurisdição espanhola toda a costa à esquerda da foz do Amazonas. De 1580 a 1640, período em que os reis da Espanha governaram Portugal, essa região fora explorada pelos dois países, embora franceses, ingleses e holandeses também demonstrassem grande interesse pelo território então conhecido como Costa do Cabo do Norte. Nele se extraíam madeiras e resinas, frutos corantes, óleos vegetais e peixes que eram salgados e exportados para. a Europa. Nesse mesmo tempo ali foram iniciadas plantações de fumo e cana-de-açúcar para o fabrico de açúcar e aguardente, além da criação de gado.
Apesar do Cabo do Norte ter sido entregue como capitania hereditária a Bento Manoel Parente (1637), as incursões continuaram, sobretudo de franceses. Até a primeira metade do século 17 a área primeiramente foi alvo de litígios entre ingleses, holandeses e franceses, de um lado, e luso-brasileiros de outro, e depois entre estes e os franceses da Guiana Francesa. Na segunda metade, luso-brasileiros que partiam do Fortim do Presépio, em Belém, enfrentavam os franceses em escaramuças que se prolongaram até 1713, quando o Tratado de Utrecht deu a Portugal a posse do território entre os rios Oiapoque e Amazonas. Posse que foi consolidada por expedições militares e de reconhecimento que estabeleceram naquelas terras vários fortins para proteção da fronteira e do litoral (na ilustração, Praça Beira Rio em Macapá, antiga rua da Praia, em 1910).
O primeiro Tratado de Utrecht (1713) dispondo que o limite entre as possessões francesas e portuguesas no norte do Brasil seria o rio Oiapoque, ou de Vicente Pinzón, impôs a desistência francesa a qualquer uso do rio Amazonas e garantiu a Portugal a posse exclusiva das suas margens. A partir daí o esforço diplomático francês foi no sentido de provar que o rio Oiapoque não era o de Pinzón, sugerindo alternativas mais para o sul. Depois disso os tratados internacionais de 1797, 1801 e 1802 consagraram diversas fronteiras para a região, mas nenhum deles foi aceito por Portugal.
Em 1853, o senador Cândido Mendes de Almeida propôs a criação da província de Oiapóquia. As populações locais também pleitearam a medida em sucessivos memoriais (1859, 1870), sempre sem resultado. Em 1886 uma república francesa independente foi criada na região do Cunani, entre o Cassiporé e o Calçoene. Para seu presidente, elegeu-se o aventureiro Jules Gros, que instalou o governo em seu apartamento em Paris, nomeou o ministério e criou uma ordem honorífica, a Estrela do Cunani, que lhe deu grandes lucros. Em 1887, o próprio governo francês encarregou-se de liquidar essa república, que ressurgiria em 1901, por breve período, com o nome de Estado Livre de Cunani, sob a chefia de Adolphe Brezet. Este era outro aventureiro que também se intitulava duque de Brezet e de Beaufort e visconde de São João.
Com a Proclamação da República no Brasil a situação na região fronteiriça agravou-se. Os habitantes elegeram em 1894 um triunvirato governativo composto por Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho, cônego Domingos Maltês e Desidério Antônio Coelho, enquanto os franceses nomearam capitão-governador do Amapá o preto velho Trajano, cuja prisão provocou a intervenção militar da Guiana: a canhoneira Bengali, sob o comando do capitão Lunier, desembarcou um contingente de 300 homens e houve luta, durante a qual Lunier foi morto com 33 dos seus soldados. França e Brasil assinaram, então, um tratado de arbitragem (1897). O barão do Rio Branco, vitorioso dois anos antes na questão de limites com a Argentina, foi encarregado (1898) de defender a posição brasileira perante o conselho federal suíço, escolhido como tribunal arbitral. Em 5 de abril de 1899, Rio Branco entregou sua Memória (defesa) à Confederação Suíça, e em 6 de dezembro do mesmo ano uma segunda memória, em resposta aos argumentos franceses, reforçando suas razões com o trabalho de Joaquim Caetano da Silva “O Oiapoque e o Amazonas”, de 1861. Reunidos, os documentos formavam cinco volumes e incluíam um atlas com 86 mapas. A sentença, de 1º de dezembro de 1900, redigida pelo conselheiro federal coronel Edouard Müller, deu a vitória ao Brasil, que incorporou definitivamente a seu território as terras do Amapá (na ilustração, vista aérea de Macapá, aparecendo em primeiro plano a Fortaleza de São José de Macapá).
O desenvolvimento do Amapá na primeira metade do século 20 foi lento. Em 1943, pelo decreto-lei 5.814, de 13 de setembro, o governo federal criou o Território Federal do Amapá. Em 1945, quando se procedeu à nova divisão territorial, a parte do Amapá ao norte do rio Cassiporé passou a constituir o município do Oiapoque, e, em dezembro de 1957, foi mais uma vez desmembrada, para a criação do município de Calçoene, com a cessão de terras ao norte do rio Amapá Grande. A transformação do território federal em estado foi decidida pela Assembléia Nacional Constituinte em 1988, e em 1º de janeiro de 1991 foi instalado o estado do Amapá, com a posse dos 24 membros da sua primeira Assembléia Legislativa.
A linha imaginária do equador, eqüidistante dos pólos, divide a Terra em dois hemisférios: o boreal (norte) e o austral (sul). No Brasil, ela passa pela cidade de Macapá, onde existe um complexo turístico cujo destaque é o Marco Zero, um obelisco de 30 metros de altura, com uma abertura no alto. Nos equinócios (março e setembro), a luz do Sol, ao entrar nele, projeta um feixe de luz que cai justamente na linha do equador.