VIKINGS

Os vikings foram piratas escandinavos que infestaram as costas do norte e do sul da Europa nos séculos 8, 9 e 10. Eles navegavam nos drakkars - compridos barcos a vela e a remo esculpidos na madeira e com capacidade para até oitenta homens, tendo sido os primeiros no norte da Europa a construí-los com velas. Com isto ganhavam enorme vantagem sobre as embarcações de outras nações, movidas a remos. E navegando cada vez mais distante, tomaram grande parte da Suécia e da Escócia, a ilha de Man, as ilhas Hébridas, a Islândia, a Groenlândia e outros territórios russos, suecos e finlandeses e construíram um respeitável povoado na região do fiorde de Oslo. Acabaram por unificar a Noruega, reinando sobre ela durante anos.


Guerreiros e aventureiros corajosos e ambiciosos, os vikings se deslocaram da Noruega, Dinamarca e Suécia em 780, e passaram a devastar e saquear as cidades e campos da Europa cristã, de onde levavam cavalos, gado e cereais. Com um exército formado de guerreiros profissionais que treinavam para combates ferozes e estavam equipados com espadas, escudos, machados e arcos, eles conquistaram em 840 a maior parte da Irlanda, atingiram a Espanha em 844, a Itália em 860, subiram o rio Sena até Paris (844-885), dominaram um pedaço da Inglaterra (866-875), apoderaram-se da Normandia em 911, além de inúmeros outros feitos guerreiros.


Enquanto os dinamarqueses e noruegueses se espalhavam por todo o ocidente, os suecos dirigiram-se para o leste e para o sul, lutando contra finlandeses e eslavos. Constantinopla sofreu o primeiro ataque em 865, seguido em breve de novas expedições no decurso das quais as armadas vikings devastaram as costas do mar Negro e do mar Cáspio. Eles acreditavam na existência de muitos deuses, dos quais Odin, Thor e Frey eram os mais cultuados. O martelo do deus Thor, a mais venerada de todas as divindades, era como um berloque usado para atrair a boa sorte. As expedições dos guerreiros vikings exerceram uma profunda influência no estado social dos povos escandinavos, postos assim em contato com os diversos agrupamentos europeus, tendo ainda favorecido de maneira especial os progressos do Cristianismo, cujo triunfo no Norte marca o fim da era da pirataria organizada. No período viking a Noruega conheceu um desenvolvimento notável: a agricultura, o comércio e a construção de barcos foram as atividades mais importantes.


Mas tudo o que se sabe sobre o passado desse país está baseado em lendas sobre as aventuras marítimas dos temíveis guerreiros bárbaros. Muitos dizem, por exemplo, que eles usavam elmos com chifres, pois tinham medo de que o céu lhes viesse a cair nas cabeças. Apesar dessa imagem se ter tornado comum, os guerreiros nórdicos não os utilizavam. Na realidade, como eles nunca se valeram de tais peças para se proteger, essa representação não passa de uma invenção artística das óperas do século XIX, que procuravam mostrar os vikings como criaturas selvagens e impiedosas, sem saber ao certo como eles eram. Na verdade, os verdadeiros capacetes vikings eram cônicos e sem chifres.

 

Dentre seus líderes mais famosos podem ser mencionados Erik, o Vermelho (também conhecido como Erik, o Ruivo, ou Eric), nascido na atual Noruega por volta de 940, mas banido de lá para a Islândia, por ter matado um norueguês. Em 980 quando matou outro homem, foi banido novamente, e por isso, ele e alguns seguidores navegaram durante dois anos para descobrir novas terras, desembarcando finalmente na Groenlândia. Pretendendo criar seu próprio reino, independente da Noruega, Erik voltou à Islândia para buscar novas pessoas, e em seu regresso fundou a cidade de Gardar e a vila de Brattahlid. Aos poucos outras pessoas foram chegando à Groenlândia, tornando-a cada vez mais habitada. Erik morreu no ano 1000, deixando seu filho Leif Eriksson como seu sucessor em Brattahlid .

 

Este ficou conhecido como o primeiro europeu a descobrir a América do Norte e, mais especificamente, a região que se tornaria o Canadá. Por volta do ano 1000, Leif ouviu falar de lugares além da Groenlândia onde o frio não era tão intenso, e como tinha boas noções de navegação, decidiu partir para o sul, na esperança de descobri-los. E realmente encontrou terras bastante arborizadas, e mais tarde, sinais de povoamento, onde desembarcou para fazer contato com os habitantes nativos, os índios americanos. Leif chamou aquela terra de Vinland (que significa terra das vinhas), e de Skraelings (feios) os seus moradores, pois sendo os nórdicos loiros e ruivos de pele branca, consideravam os índios muito diferentes das pessoas que eles estavam acostumados a ver.

 

A convivência entre nativos e recém-chegados foi pacífica durante algum tempo, e nesse período Leif fundou ali a cidade de L'Anse-aux-Meadows, cuja população era de trinta pessoas. Retornando à sua terra para buscar mais colonos, se viu forçado a assumir a vila Brattahlid em virtude da morte do pai, mas mesmo assim muitos interessados partiram com destino à nova cidadezinha. Isso durou até 1012, quando a população indígena invadiu e destruiu todas as casas. Em 1962, quando escavações foram feitas naquele lugar, encontraram-se restos  de cerâmicas viking, o que comprovou a existência de Vinland. Por esse motivo, alguns historiadores preferem considerar Leif Eriksson como o real descobridor da América, e não Cristóvão Colombo.