AURORA BOREAL

As auroras polares começam quase sempre com a aparição de um arco luminoso branco amarelado que pode ser observado em qualquer parte da Terra. Como a sua freqüência - que está longe de ser uniforme - é muito maior nas regiões polares, sobrevem daí as designações correntes de aurora boreal (quando ocorre no pólo norte) e aurora austral (quando ocorre no pólo sul). Nos países situados ao sul do planeta (meridionais) esse fenômeno geralmente não passa disso, podendo, no entanto, desenvolver-se algumas vezes de forma brilhante. Do arco primitivo emergem bruscamente raios numerosos e coloridos que formam nas imediações do zênite (ponto da esfera celeste colocado verticalmente  sobre o observador) figuras parecidas com coroas regulares (denominadas coronae borealis).

 

Nos países boreais (setentrionais), situados na parte norte do planeta, a forma das auroras é extremamente variável, o mesmo acontecendo com a sua freqüência, desde o equador, onde, quando muito, se observa uma delas de dez em dez anos, até as altas latitudes, onde são diárias. Os períodos do ano mais favoráveis ao surgimento dessas ocorrências são o outono e a primavera, formando-se dois máximos, em abril e setembro, e dois mínimos, em junho e dezembro. Essa freqüência aumenta das 6 às 11 horas da noite, para decrescer lentamente até às 2 horas da madrugada, e depois rapidamente até às 6 horas da manhã. Durante o dia, em presença da luz do Sol, não é possível observar as auroras.

 

A busca de uma explicação científica para as auroras polares (vistas pelos antigos como indícios de cólera celeste), tem dado lugar a muitas tentativas que, se ainda não conduziram a uma solução inteiramente satisfatória, estabeleceram, contudo, princípios que podem ser considerados como base segura para a interpretação do fenômeno. Uma delas as considerava como efeito do reflexo da luz solar, quando o Sol estava abaixo do horizonte, sobre as camadas inferiores da atmosfera e sobre as encostas cobertas de gelo das montanhas, reflexos este que, dispersando a luz solar na atmosfera, produziam o meteoro luminoso em questão. A esta explicação, extremamente vaga, sucedeu a que, partindo do princípio da existência das poeiras cósmicas vindas dos espaços interplanetários, admitia que elas, ao entrarem na esfera de atração da Terra, inflamavam-se ao serem precipitadas sobre esta, sem explicar, porém, as fases sucessivas do fenômeno.

 

Os estudos nesse sentido vêm desde o século XVII. O astrônomo italiano Galileu Galilei, por exemplo, começou a investigar tal fenômeno em 1621, como parte de suas pesquisas sobre os movimentos dos astros celestes. Mas como ela limitava-se à Europa, o fato de verificar a ocorrência da aurora no norte do continente o levou a batizá-la com o nome de aurora boreal, em homenagem à deusa romana Aurora (do amanhecer) e seu filho Boreas. No século seguinte (18), o navegador inglês James Cook, então navegando pelo Oceano Índico, presenciou o mesmo céu noturno colorido que aguçara a curiosidade de Galileu, e deu-lhe o nome de aurora austral (uma referência direta ao fato de estar ao Sul). A partir de então ficou claro que o efeito não era exclusivo do hemisfério norte terrestre, criando-se por isso a denominação aurora polar.

 

Nessa mesma época, pesquisadores como Edmond Halley, dedicaram-se à busca de resposta mais concreta sobre a ocorrência. Um pouco adiante, Olof Hiorter e Anders Celsius, em 1741; Henry Cavendish, em 1768; Kristian Birkeland, em 1896, 1900 e 1908; Elias Loomis, em 1860, e Hermann Fritz, em 1881. Loomis descobriu a relação da atividade solar com a aurora, ao observar que entre 20 e 40 horas após uma erupção solar, noticiava-se o aparecimento de auroras boreais no Canadá.

 

Pouco mais à frente a imprensa noticiou que trabalhos de Carl Stormer no campo do movimento de partículas eletrificadas em um campo magnético, facilitaram a compreensão do mecanismo de formação das luzes do norte. A partir da década de 1950 descobriu-se a emissão de matéria pelo Sol, a qual foi chamada vento solar, efeito que também explica o fato das caudas de cometas estarem sempre opostas ao Sol. Tal teoria foi formulada pelo físico estadunidense Newman Parker em 1957, tendo sido comprovada no ano seguinte pelo satélite Explorer I. Daí em diante a exploração espacial permitiu não somente um aumento do conhecimento sobre as auroras terrestres, mas também a observação do fenômeno em outros planetas como Júpiter e Saturno.

 

Por volta de 1962 James Van Allen provou ser falsa a teoria de que a aurora era o excesso do cinturão de radiação. Logo após tornou-se claro que a maioria da energia era composta de cátions, enquanto que as partículas da aurora são quase sempre elétrons com relativa baixa energia. Em 1972 foi descoberto que a aurora e suas correntes de magnetismo associadas também produzem uma forte emissão de rádio em torno de 150 kHz, efeito observável somente do espaço.

 

As auroras boreal e austral, fenômenos óticos observados nos céus noturnos nas regiões polares, são provocadas pelo impacto de partículas de vento solar e poeira espacial, com a alta atmosfera da Terra. Elas podem aparecer como pontos luminosos ou faixas no sentido horizontal ou vertical, sempre alinhados ao campo magnético terrestre e com cores variando entre a vermelha, azul, laranja, verde e amarela, ou com várias delas ao mesmo tempo. Durante as tempestades solares, quando a Terra é atingida por grande quantidade de ventos solares, as auroras são mais comuns. Porém, se de um lado esses fenômenos nos proporcionam um lindo show de luzes da natureza, de outro somos prejudicados porque eles interferem em meios de comunicação (sinais de televisão, radares, telefonia, satélites) e sistemas eletrônicos diversos.