FÓSFORO DE SEGURANÇA

Os fósforos (do grego phos, luz, mais phoros, transporte) são palitos de madeira mole impregnada com substâncias que facilitam sua queima, tendo em um dos lados uma cabeça preparada com um produto químico que libere oxigênio (clorato de potássio), e outro facilmente inflamável. As caixinhas onde eles são guardados têm uma faixa de atrito contendo fósforo vermelho e material abrasivo. Quando a cabeça do palito é esfregada, retira um pouco do fósforo presente e este reage com o clorato de potássio incendiando o sulfeto.

 

Existem indícios de que os chineses usavam os pauzinhos de fogo por volta do ano 1000 antes de Cristo, mas a verdade é que os homens já conheciam e utilizavam o fogo milhares de séculos antes que fosse descoberta uma fórmula de ativá-lo quimicamente. Esse crédito pertence ao alquimista alemão Henning Brandt, da cidade de Hamburgo, que em 1669, ao tentar transformar urina em ouro, acabou descobrindo o fósforo por acaso. A notícia chegou ao conhecimento do físico inglês Robert Boyle (1627-1691), um dos fundadores da química moderna, que onze anos mais tarde colocou o novo elemento sobre uma folha de papel áspero e esfregou nele uma vareta cuja ponta continha enxofre. A fricção fez com que o fósforo liberasse faíscas, e estas incendiaram o enxofre. 

 

Até 1826 os palitos de fósforo ainda não haviam se popularizado em virtude do alto preço que cobravam por eles. Mas um dia o químico inglês John Walker misturava potássio e antimônio e descobriu que o composto pegava fogo toda vez que era raspado no chão de pedra. Daí em diante essa nova combinação passou a ser usada normalmente em produtos que podem ser considerados como sendo os precursores dos fósforos atuais: palitos de grande tamanho, que também carregavam com eles o inconveniente de se incendiarem sozinhos, dentro da embalagem. Por isso mesmo o público consumidor relutava em aceitá-los, uma vez que ninguém desejava se ver às voltas com um incêndio imprevisto dentro de sua própria casa. Apesar desse perigoso inconveniente, Alonzo D. Phillips, da cidade de Springfield, nos Estados Unidos, obteve em 1826 uma patente para fabricar fósforos de fricção, aos quais deu o nome de locofocos.

 

Até então muitos países experimentavam um tipo de palito de fósforo que possuía substâncias perigosas e venenosas, mas em 1844 o químico sueco Gustaf Erik Pasch desenvolveu o fósforo seguro, menos inflamável e menos nocivo à saúde humana. Essa invenção e suas formas de fabricação foram sendo aperfeiçoadas ao longo do tempo, e só passou a ser produzida em maior escala no final do século XIX. Antes disso, no ano de 1855, o sueco John Edward Lundstron imaginou que se os materiais inflamáveis usados no produto fossem separados, ou seja, ficando um na cabeça do palito e outro junto aos abrasivos da caixa, os fósforos poderiam oferecer a segurança necessária. O experimento deu certo, e daí em diante o interesse pelos fósforos tornou-se cada vez maior. 

 

A primeira caixinha de fósforos de papelão foi patenteada em 1892 pelo advogado americano Joshua Pusey, da Pensilvânia, um inveterado fumante de charutos. Certo dia, ao vestir-se para comparecer a um jantar importante com líderes políticos, ele constatou que a que pretendia levar não cabia no bolso do colete que usava, surgindo-lhe daí a idéia de que se os palitos fossem feitos de papelão, ao invés de madeira, se tornariam mais leves, menores, e mais fáceis de serem guardados. Porém, somente em 1897 o advogado foi procurado por representantes da Companhia de Óperas Mendelsohn, que pretendia usar um novo veículo publicitário para divulgar a abertura da estação nova-iorquina. A idéia de Pusey foi aproveitada, os fósforos de papel feitos com  a impressão do nome da companhia, e daí em diante a procura desse produto se tornou tão grande que anos mais tarde a Diamond Match Company demonstrou interesse pelo negócio e acabou adquirindo sua patente.

  

No Brasil, a fabricação de fósforos somente foi iniciada no princípio do século 20, pela Companhia Fiat Lux de Fósforos de Segurança. A aceitação de tal inovação pelo público consumidor brasileiro foi imediata, porque a praticidade do pequeno, mas essencial invento, tornava praticamente obrigatório o seu uso quando homens ou mulheres pretendiam acender fogo para qualquer finalidade. Hoje em dia, a cada ano, mais de 500 bilhões de fósforos de fricção são usados no mundo.