No início do século 15 as diversões populares provavelmente eram poucas, especialmente nos países frios onde a estação de inverno fazia a temperatura cair muitos graus abaixo de zero, formando camadas de gelo que dificultavam até mesmo uma caminhada à casa do vizinho mais próximo. Pois foi em tempo desses que os russos começaram a aproveitar as gigantescas rampas formadas pela neve nas montanhas, criando um divertimento novo e empolgante: eles subiam as encostas e desciam deslizando em blocos de gelo cobertos de palha. Para parar aquela geringonça, um sistema rudimentar de freios: areia era jogada nos últimos metros da pista, com a finalidade de diminuir a velocidade dos carrinhos.
A idéia floresceu, e pouco tempo depois eles instalaram rampas de madeira cobertas de neve, algumas com 20 metros de altura, e em seguida substituíram os blocos de gelo por trenós mais velozes. Em 1784, um inventor apresentou o primeiro trenzinho com carrinhos de rodas, especialmente destinado à brincadeira. Os franceses também se integraram ao projeto, apesar dos riscos: o precário sistema de frenagem podia não parar o veículo no ponto de chegada, e aí ele prosseguia até o primeiro obstáculo que encontrasse pela frente. Em 1827 alguns cidadãos americanos entraram em ação criando a Mauch Chunk Railroad, uma montanha-russa que aproveitava os trilhos de antiga mina de carvão para um passeio de duas horas, com a novidade de um sistema de freio manual acionado pelos próprios passageiros.
Daí em diante a montanha-russa virou mania, e hoje seus trenzinhos passam por túneis, descem ladeiras com mais de cem metros de extensão, atingem velocidades superiores a 160 quilômetros horários e fazem o chamado looping nos trechos em que percorrem completamente um círculo, o que deixa os passageiros de cabeça para baixo. O segredo, nessas horas, é que nas curvas feitas para cima, a velocidade do veículo exerce nos passageiros uma pressão muito forte na direção que estava sendo seguida, e isso acaba vencendo a lei de gravidade por certo tempo. Mas se a velocidade não for suficiente, o carrinho despencará montanha abaixo.
Esse avanço aconteceu nos Estados Unidos a partir de 1884, e lá mesmo, em 1959, foram instalados os primeiros modelos desse equipamento de diversão coletiva, feitos em tubos de aço, material que permitiu a construção de montanhas-russas cada vez mais incríveis e assustadoras. Atualmente, a mais alta do mundo é a Top Thrill Dragster, instalada no mega-parque Cedar Point, localizado em Sandusky, uma pequena cidade do estado de Ohio, Estados Unidos. De formato simples, pois tem apenas uma subida e uma descida, ela é, no entanto, verdadeiramente alucinante, já que sua altura chega aos 128 metros, de onde o trenzinho composto por seis vagões - cada um deles com capacidade para dezoito passageiros - despenca ao longo de 122 metros - o equivalente a um prédio de 40 andares - por um caminho em espiral, a uma velocidade de 193 quilômetros por hora, durante não mais que trinta segundos, dando aos passageiros uma autêntica sensação de queda livre. Ao final do percurso, o trenzinho passa por mais de 350 pares de ímãs, que agem como freios magnéticos na parte plana dos trilhos. Os ímãs atraem a parte metálica dos vagões, fazendo com que a frenagem ocorra aos poucos e quase sem solavancos. O Cedar Park custou aos proprietários cerca de 25 milhões de dólares, mas recebe cerca de mil visitantes por hora.
Outras montanhas russas que merecem citação são a Space Mountain da Disneylândia, na Califórnia, cujo trecho coberto tem 1054 metros, percorridos em três minutos, aproximadamente; a Viper, do parque Six Flags, com um looping (giro completo) que alcança 42 metros de altura; e a Wicked Twister, também no Cedar Point, com trilho invertido que chega aos 65,5 metros de altura, percorridos a 115 km/h. Todas elas estão instaladas nos Estados Unidos. No Japão encontra-se a Steel Dragon 2000, do parque Nagashima Spaland, que com seus 2.479 metros de extensão é considerada a mais comprida do mundo.
O Brasil oferece aos apreciadores desse tipo de divertimento a Star World Mountain, localizada no parque Beto Carrero World, em Santa Catarina. Material publicitário do referido empreendimento diz o seguinte: “Construída pela empresa holandesa Vekoma, a Star World Mountain é uma das maiores montanhas-russas da América Latina. Considerado um brinquedo para ‘quem tem coração forte’, a montanha-russa do Beto Carrero World atinge a velocidade de 86 km/h proporcionando fortes emoções a quem tem coragem de embarcar nesta aventura. O sistema de freios pneumáticos garante total segurança ao equipamento que chega a 35 metros de altura em seu pico e conta com dois loopings em seu percurso. Brinquedo não permitido para gestantes, pessoas com deficiências físicas temporárias, como membros engessados, pessoas cardíacas, com problemas de coluna ou labirintite, pessoas com menos de 1,20m de altura (por motivo de segurança)”.