CÁLCIO (Ca)

O cálcio é o mineral de maior prevalência no organismo. O corpo de um homem adulto de 70 kg contém, aproximadamente, 1,2 kg dessa substância, e o da mulher em igual condição, por volta de 0,8 kg. Deles, 99% permanecem depositados no esqueleto, distribuindo-se o 1% restante pelos líquidos e tecidos corporais, onde o cálcio desempenha diversas funções não relacionadas à estrutura óssea, como na coagulação do sangue, na manutenção do funcionamento do coração, nos nervos e nos músculos (ele é a substância que dá início à contração muscular).

 

A estrutura peculiar da matriz do osso, no qual o cálcio está depositado, é essencial para a calcificação normal. Embora possa parecer que esses depósitos sejam permanentes, na realidade são formados constantemente e reabsorvidos pelo organismo. Isso acontece mais rapidamente durante os primeiros anos da infância, e mais lentamente ao longo da vida adulta.

 

Estima-se que nos adultos cerca de 700 mg de cálcio entram e saem dos ossos diariamente, e por isso, para manter em níveis adequados o equilíbrio orgânico desse mineral, lactantes abaixo de um ano necessitam de 360 a 540 mg diariamente; crianças de 1 a 18 anos de 0,8 a 1,2 g ao dia; homens e mulheres (após os 18 anos), em média 800 mg/dia. Durante o segundo e terceiros trimestres da gestação (para a mantença da gestante e boa formação óssea do feto), e durante a lactação (para crescimento ideal dos ossos e dentes do bebê), são necessários 1,2g. Para as mulheres, muitos especialistas recomendam 1000 a 1500 mg em caso de menopausa.

 

Como qualquer nutriente, o cálcio é encontrando em determinados alimentos. Entre eles, o leite, queijo, iogurte e outros laticínios são, sem dúvida, as fontes mais ricas. É encontrado também na sardinha e no salmão (desde que consumidos com as espinhas); tofu (coalhada de soja); brócolis e nas verduras de folhas verdes, como couve; frutas e nos cereais enriquecidos para o café da manhã. Em geral, o cálcio contido nos laticínios é mais fácil de ser absorvido do que o contido nos alimentos de origem vegetal.

 

Como a capacidade de assimilação do cálcio presente nos alimentos varia muito de pessoa para pessoa, uma dieta rica em proteínas contribui para aumentar esse aproveitamento. A vitamina D é essencial nesse mecanismo, mas para que o cálcio ingerido seja adequadamente aproveitado, um adulto necessita receber dela pelo menos 400 UI diárias. Embora sua principal fonte seja a luz solar, ela também pode se obtida em peixes gordurosos e gemas de ovos, além do leite e cereais matinais que costumam ser enriquecidos com ela. Por outro lado, exercícios físicos regulares também são essenciais, pois esse tipo de atividade estimula a circulação, que leva o cálcio para os ossos e estimula o processo de remodelagem.

 

Enquanto uma dieta rica em proteínas ajuda na absorção de cálcio, o consumo excessivo dessa substância prejudica tal aproveitamento. O mesmo acontece com o ácido fítico dos grãos de cereais; com os oxalatos de alguns vegetais (como o espinafre, por exemplo); o pH alcalino no intestino; a taxa alta de ácidos graxos livres; a deficiência de vitamina D; o excesso de café e álcool (este, além de prejudicar a absorção, é também tóxico para as células ósseas); os antiácidos que contêm alumínio; certos antibióticos, diuréticos e esteróides utilizados por um período longo de tempo, além de uma relação Cálcio-Fósforo inadequada, pois essa desconformidade afeta a absorção e a excreção de ambos (se qualquer um deles for dado em excesso, aumenta, em contrapartida, a excreção do outro). A relação ótima é a de 1:1, ou seja, uma parte de cálcio para uma de fósforo.

 

O cálcio desempenha papel fundamental na formação de ossos, de dentes fortes e saudáveis na adolescência, e na prevenção contra osteoporose em adultos. Sua deficiência pode causar raquitismo em crianças e osteomalácia, um distúrbio caracterizado em adultos por ossos moles e doloridos. Em muitos casos, a deficiência se explica pela carência de vitamina D, que é fundamental na absorção do mineral pelo organismo. Indivíduos sedentários costumam ter taxas baixas de cálcio. Quanto às mulheres, elas precisam do estrogênio, o principal hormônio sexual feminino, para metabolizar o cálcio, o que explica o porquê das mulheres idosas ficarem tão vulneráveis à osteoporose, após a menopausa.

 

Setenta a noventa por cento do cálcio eliminado do corpo é excretado nas fezes. Acredita-se que a maior parte é cálcio não aproveitado pelo organismo e que somente uma quantidade muito pequena é eliminada pelos intestinos após sua absorção. A perda diária média de cálcio através do suor é de 15 mg, mas o exercício físico extenuante aumenta essa perda mesmo durante os períodos de ingestão baixa de cálcio. Experimento de Margen e Calloway, realizado em 1967, mostrou que a quantidade de cálcio na urina de indivíduos submetidos a uma dieta contendo 600 g de proteína, foi oito vezes maior do que quando eles utilizavam uma dieta desprovida de proteínas.

 

O consumo de cálcio acima das recomendações habituais pode ser prejudicial à saúde, propiciando o aparecimento de cálculos renais. Podem surgir níveis elevados do mineral no soro e na urina, acarretando calcificação de tecidos moles, em algumas doenças como hipercalcemia (excesso de cálcio no organismo) idiopática da infância e hiperparatireoidismo. Calcificação de tecidos também pode ocorrer em relação aos suplementos dietéticos receitados para pacientes com úlcera péptica.

 

Fontes: Princípios de Bioquímica (White, Handler e Smith), Manual de Química Fisiológica (H. A. Harper) e Alimentos Saudáveis/Alimentos Perigosos (Reader’s Digest)