ANEMIA

Algo entre 500 e 600 milhões de pessoas (o equivalente a um sexto da população mundial) sofrem de anemia, termo genérico que designa uma série de doenças caracterizadas pela carência de hemoglobina, um pigmento feito de ferro e proteína que ocorre nas células vermelhas do sangue de vertebrados e funciona primordialmente no transporte do oxigênio dos pulmões para os tecidos do corpo. Ou, ainda, uma anormalidade existente nos glóbulos vermelhos, também nomeados por eritrócitos ou hemácias.

 

Em uma anemia branda isso pode se manifestar na forma de fraqueza geral, palidez, fadiga e unhas quebradiças, mas nos casos mais graves observam-se respiração ofegante, desmaios e arritmia cardíaca.

 

O tipo de anemia mais comum é o que se deve à carência de ferro geralmente causada por uma perda de sangue muito grande ou crônica. Pacientes que tenham sofrido intervenção cirúrgica, assim como as vítimas de acidentes e portadores de úlcera hemorrágica ou câncer intestinal, costumam apresentar essa deficiência. As mulheres com grande perda de sangue durante a menstruação, e principalmente as adolescentes que necessitam de mais ferro para atender as exigências de seu crescimento, também fazem parte desse grupo de risco.

 

Aqueles que seguem uma dieta equilibrada, ou seja, que consomem muita carne, pães e cereais enriquecidos com ferro, raramente apresentam esse problema, pois tal tipo de alimentação costuma fornecer mais do que o necessário em minerais para a maior parte das pessoas. Existem, entretanto, algumas exceções. Bebês e crianças que tenham o leite como principal componente da dieta podem sofrer de carência de ferro, da mesma forma como as mulheres grávidas também podem padecer do mesmo mal, visto que necessitam de maior quantidade desse mineral tanto para o feto em desenvolvimento quanto para o aumento no volume de sangue em seu corpo. Os vegetarianos são outros que podem desenvolver carência de ferro, bem como os pacientes com artrite reumática e doenças inflamatórias.

 

Dietas mal-balanceadas respondem por boa parte dos casos de anemia, pois deficiências nutricionais impedem a fabricação de hemácias de boa qualidade. As verminoses - que afetam cerca de um bilhão de pessoas no mundo - também provocam essa insuficiência. Muitas pessoas que apresentam sangramentos provocados por hemorróidas, pólipos benignos no intestino grosso, e até casos mais graves, como úlceras gástricas e cânceres intestinais - que respondem por cerca de 2% dos casos de anemia – também se incluem nessa relação.

 

A anemia hemolítica ocorre quando os glóbulos vermelhos do sangue são destruídos mais rapidamente do que o normal. A causa pode ser hereditária, tal como no caso da anemia falciforme, mais freqüente em negros e seus descendentes, ou decorrente de uma série de doenças, dentre elas a leucemia e outros tipos de câncer, disfunção do baço, perturbações imunológicas e hipertensão arterial grave. Nesta doença, uma hemoglobina defeituosa deforma as hemácias quando na presença de baixos níveis de oxigênio. As hemácias passam com dificuldade pelos capilares, podendo ocasionar a formação de coágulos e outros eventos perigosos.

 

A anemia perniciosa, também conhecida como Anemia de Addison, é causada pela carência de vitamina B12, necessária à produção de glóbulos vermelhos. Embora tal deficiência possa resultar de uma dieta vegetariana rígida, com eliminação de todos os produtos de origem animal (principal fonte da B12), a causa mais comum é um distúrbio intestinal que impede sua absorção. Esta é uma doença crônica e progressiva que atinge os idosos com mais freqüência, mas capaz de afetar pessoas com menos de 30 anos de idade. Geralmente o tratamento envolve injeções de vitamina B12, resultando em alívio dos sintomas e melhora na contagem de hemácias.

 

A carência de folato, ou ácido fólico, vitamina hidrossolúvel do complexo B (B9) também pode causar anemia nas mulheres grávidas (que precisam de maior quantidade dessa substância para o feto em desenvolvimento), em alcoólatras e idosos com dietas pobres, além do retardo de crescimento em crianças e outros sintomas, tais como diarréia, perda de apetite, perda de peso, fraqueza e esquecimento. Os alimentos que contém ácido fólico são os vegetais verdes escuros, cereais, leguminosas, ovo e leite.

 

Dentre os tipos mais raros de anemia estão a talassemia, também conhecida como Anemia do Mediterrâneo por ser mais comum em pessoas descendentes de italianos, gregos, asiáticos e africanos, e a anemia aplástica, que ocorre quando a medula óssea produz em quantidade insuficiente os três diferentes tipos de células sangüíneas, glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, e pode ser causada por infecções, exposição a produtos químicos tóxicos ou radiação, ou por distúrbio genético.

 

Os humanos recebem dois tipos de ferro (o heme e o não-heme) através de sua dieta alimentar, e ambos são absorvidos pelas células da mucosa intestinal, principalmente no duodeno, e transportados na corrente sangüínea e no fluido extracelular. O primeiro, o ferro heme, é absorvido em maior quantidade pelo nosso corpo, e tem nas carnes vermelhas sua principal fonte fornecedora. Quanto ao ferro não-heme, ele está presente em diversos vegetais (feijões, ervilha, lentilha, levedo de cerveja, beterraba, espinafre, folhas de mostarda, brócolis, agrião, açúcar mascavo, suco de açaí, damasco seco, pães de farinhas integrais), e sua absorção pode ser melhorada caso fontes de Vitamina C, como goiaba, laranja, kiwi, morango, caju, tomate, acerola e limão, sejam incluídas na mesma refeição.

 

A combinação de alimentos ricos em ferro com frutas cítricas e outras frutas, além de legumes com boa quantidade de vitamina C, aumenta a assimilação do mineral. Em contrapartida, quando ingeridos em excesso, os antiácidos, os farelos, o cálcio, a proteína de soja, o café, os taninos do chá e o ácido oxálico do espinafre, combinam-se com o ferro, impedindo que ele vá para o sangue.