SABONETE

O sabão, de forma geral, é o resultado da reação química entre uma base (soda cáustica ou potassa cáustica) e algum ácido graxo, sendo obtido a partir de gorduras (de boi, de porco, de carneiro, etc) ou de óleos (de algodão, de vários tipos de palmeiras, etc.). Na primeira hipótese (soda cáustica), são obtidos sabões duros, apropriados para formarem barras e pedaços; na segunda, sabões moles, ou mesmo líquidos. Já os sabonetes, constituídos por um sabão base destinado à aplicação dérmica, são especialmente aromatizados e têm sua cor alcançada por meio da adição de um corante, a anilina, adicionada durante a mistura juntamente com o perfume. Para sua fabricação, o tipo de gordura mais utilizado é o sebo bovino, assim como também o óleo de coco, que ajuda a obter mais espuma durante o banho.

 

O aparecimento do sabão se deu em data incerta, já que as informações sobre o fato são tão variáveis que abrangem um período que se estende por quase dois milênios, a partir de 2.500 antes de Cristo. Uma das versões a respeito dessa descoberta diz que cerca de 600 anos antes de Cristo os antigos fenícios ferveram gordura de cabra com água e cinzas de madeira, produzindo dessa forma uma mistura pastosa com a qual limpavam o corpo. Segundo esse relato, o produto sólido só foi criado no século 7, quando os árabes inventaram o chamado processo de saponificação, que em linhas gerais significa a transformação das substâncias gordas nesse tipo de produto solúvel em água. Mais adiante os espanhóis adicionaram o azeite de oliva para perfumá-lo, mas até então, na Europa, ele só, era conhecido pela nobreza de poucos países.

 

Atualmente os sabonetes são vendidos em qualquer supermercado, farmácia, mercearia ou até mesmo em bares, mas durante muito tempo, segundo outra explicação, o homem não dispôs desse artigo para ajudá-lo a promover seu asseio corporal. O que se usava antigamente era a mistura pastosa de terra argilosa com calcário ou cinza de madeira, que os fenícios faziam desde cerca de 600 anos antes de Cristo, e talvez por isso Caio Plínio Segundo (23-79), um naturalista romano conhecido como Plínio, o Velho, tenha tido a idéia de fabricar os primeiros sabões, bolando uma nova fórmula que misturava cinzas de madeira com certa quantidade de sebo de cabra, tudo fervido durante o tempo necessário. Plínio era um homem muito curioso, tanto que por causa disso morreu quando tentava se aproximar o mais possível da borda da cratera do vulcão Vesúvio, para apreciar com mais detalhes a erupção em vias de acontecer: a terra cedeu sob seus pés e ele desapareceu para sempre naquele caldeirão de fogo e lava.

 

O sabão, propriamente dito, apareceu no século 4, e era usado apenas para lavar os cabelos. Quinhentos anos depois, no século 9, alguém instalou em Marselha, na França, a primeira indústria saboeira, que fechou as portas não se sabe se por falta de clientela ou algum outro motivo. Mas adiante, no século 14, o sabão já era usado na higiene pessoal e lavagem de tecidos finos, mas o preço alto que cobravam por ele só permitia que as pessoas ricas pudessem se dar ao luxo de adquiri-lo e tê-lo em casa. Até que em 1792 o francês Nicolau Leblanc (1742-1806), químico trabalhando em Paris, extraiu soda cáustica do sal de cozinha, facilitando assim o processo de saponifica-ção das gorduras. Naquela época, obtinha-se carbonato de cálcio, ou soda cáustica, em depósitos naturais e cinzas de plantas marinhas, mas sua produção era insuficiente. Por isso o processo de Leblanc, além de reduzir o custo da matéria-prima, tornou menos trabalhoso o fabrico de sabão e ácido sulfúrico, permitindo também o desenvolvimento da indústria do cloro.

 

A partir daí o sabonete começou a ser fabricado industrialmente. Com isso o seu custo de produção foi sendo gradativamente reduzido, tornando-o acessível a todos, e como conseqüência dessa queda de preços ele se tornou tão popular que hoje em dia é inimaginável pensar-se em higiene pessoal sem a sua utilização obrigatória. Mas essa aceitação generalizada do sabonete deve-se também, em parte, a um acontecimento imprevisto. Na época, 1879, o inventor norte-americano Thomas Alva Edison (1847-1931), testara com sucesso sua lâmpada incandescente, ponto de partida para o início da iluminação elétrica no mundo. Sabedores disso, Harley Procter, industrial também norte-americano, e seu primo, o químico James Gamble, donos de uma fábrica de velas e sabão, previram que o sucesso da nova invenção prejudicaria enormemente as atividades de sua empresa, e por isso resolveram antecipar-se aos fatos.  

 

Eles haviam descoberto, em 1878, a fórmula de um novo tipo de sabão branco. Ele era cremoso, de consistência homogênea, produzia muita espuma mesmo em contato com a água fria, e também exalava um perfume suave. Certo dia um dos funcionários da empresa, ao interromper suas atividades no horário de almoço, não desligou a máquina misturadora principal, e quando retornou percebeu que uma quantidade de ar acima da recomendada havia sido injetada na solução de sabão em preparo. Mas ao invés de descartar a massa aparentemente prejudicada, ele a despejou nas formas de endurecimento e corte, para serem preparadas e comercializadas normalmente. Esse produto foi distribuído aos comerciantes varejistas, e agradaram de tal forma aos consumidores que estes passaram a solicitar dos fabricantes que a disponibilidade daquele sabão extraordinário não fosse interrompida.

 

Isso aconteceu em 1879, e diante dessa descoberta involuntária os proprietários adotaram como padrão de produção do novo sabão mármore, a injeção extra de ar, passando então a promover a novidade recém-lançada, o primeiro sabonete de formato redondo, envolto artesanalmente em papel drapejado. Assim surgiu o produto mais usado no mundo, cuja função principal é a de limpar as impurezas da pele, e que hoje apresenta várias formas, tipos, tamanhos e cores. Graças a fórmulas sofisticadas, existem atualmente sabonetes destinados aos diferentes tipos de pele, evitando seu ressecamento e garantindo a ela uma limpeza profunda.