SEMÁFORO

Semáforo, farol ou sinal de trânsito, é o nome que se dá aos aparelhos instalados nos cruzamentos de vias públicas de grande movimento, para ordenar o fluxo de veículos e permitir a travessia segura dos pedestres. Ele é composto por três círculos de luzes coloridas que funcionam de forma alternada, cada uma delas transmitindo determinada orientação: quando a luz verde acende, indica que o cruzamento está livre para passagem; a luz amarela, por sua vez, avisa que a passagem está para ser fechada; enquanto a luz vermelha é o sinal de que a passagem pelo cruzamento encontra-se momentaneamente impedida.

 

A primeira informação que se tem sobre eles vem da Grécia antiga, e se refere a um sistema usado pelos helênicos para transmitir mensagens de um a outro ponto: eram as tabuletas conhecidas como semaphoros, junção de sema (sinal) com phoros (que leva), e não tinham, como se observa, coisa alguma a ver com o controle de tráfego. Existe, também, a versão que atribui a criação da palavra ao abade Claude Chappe, sacerdote e engenheiro francês idealizador de um sistema de transmissão óptica para longas distâncias, utilizado pelo governo francês pela primeira vez em 1794. Constava de uma série de 120 torres, dispostas em linha reta entre Paris e a ilha de Lille, no mar Mediterrâneo, cada uma dotada de um telescópio: assim, os sinais emitidos em cada uma eram vistos com facilidade pelo operador da torre vizinha, que os retransmitia para a torre subseqüente.

 

Esses postos, de uso exclusivamente militar, pretendiam complementar o sistema de defesa contra ingleses e holandeses, e conforme a topografia do terreno, distavam um do outro entre 6 e 16km. Seus operadores dispunham de luneta de observação com um sistema de braços articulados que permitiam a codificação de 196 sinais diferentes. Nos primeiros ensaios foi utilizado um código para 36 letras e 10 algarismos, e esses sinais ópticos percorriam cerca de 120 Km por minuto. Rapidamente se espalhou por toda a Europa da época, permitindo que uma mensagem da Rússia (São Petersburgo) à Inglaterra demorasse apenas um dia.

 

Foi só depois de muitos anos que um inventor desconhecido pretendeu disciplinar o movimento das carruagens, carroças e similares nas ruas da cidade americana de Boston, criando para isso um aparelho com braços mecânicos que movimentavam duas plaquetas, uma com a inscrição go (ande), e a outra com a inscrição stop (pare). Isso ocorreu em 1840, e a invenção serviu para que se colocasse ordem no caos que deveria ser o vai-e-vem de veículos puxados por animais nas ruas daquela cidade. Trinta e poucos anos depois (1868), um sistema semelhante foi instalado em Londres, Inglaterra, com a finalidade de organizar o fluxo de carruagens. A novidade era que ao invés de placas escritas, a sinalização recebeu lanternas vermelhas e verdes para melhorar sua visibilidade.

 

A adoção da luz vermelha como sinalização era anterior a essa providência, porque desde 1806 um farol da costa britânica já a empregava como aviso aos navegantes, o mesmo acontecendo depois com os navios e mais tarde com as ferrovias. O motivo da preferência fundamentava-se nos testes de transparência com vidros coloridos realizados pelo engenheiro Robert Stevenson, responsável pela construção do farol, onde se comprovara que o vermelho, de todas as cores, era o que permitia maior visibilidade. Em outras palavras, cada cor de luz possui um raio de tamanho diferente, ou seja, algumas atingem maior distância antes de se dispersarem e ficarem invisíveis. Como a cor vermelha é a que possui um raio maior, podendo ser vista de grande distância, ela dá aos motoristas a possibilidade de parar mais depressa.

 

A partir de 1908 o tráfego de automóveis nos Estados Unidos aumentou de forma considerável, e as tentativas para solucionar os problema de tráfego procuraram acompanhar aquele fenômeno. Os norte-americanos começaram a ver o movimento de automóveis em suas cidades com olhos científicos, e a conseqüência disso foi que em 1909, em Nova York, foi tentado um controle de cruzamento por meio de corneta: um toque abria o trânsito para uma rua, dois toques para outra rua. No ano de 1914, em Cleveland, Estados Unidos, as lanternas inglesas foram substituídas por luzes elétricas cujo acende-e-apaga obedecia ao controle de guardas que se revezavam no local, mas como os motoristas custavam a se acostumar ao novo sistema de sinalização, ao lado dele ficava um guarda com um sino: cada vez que o sinal mudava a cor, o guarda advertia os que ali estavam parados com uma badalada do instrumento que carregava. Pouco depois, em 1917, a inclusão da luz amarela no sistema de controle de tráfego representou um melhoramento importante porque estabelecia a pausa necessária entre o ande e pare determinado pela sinalização.

 

Na década seguinte ocorreu finalmente a implantação do sinaleiro automático de trânsito de três posições, patenteado em 1923. Seu inventor foi Garret Augustus Morgan (1877-1963), um afro-americano nascido em Kentucky, e que entre suas criações mais importantes inclui um capacete para bombeiros e uma máscara de gás popularizada durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Depois, a patente do sinaleiro automático foi vendida à General Electric por 40 mil dólares. Desde então, o mecanismo facilitou a urbanização das grandes cidades e a criação de ruas e avenidas com inúmeros cruzamentos, assegurando a segurança dos cidadãos.