O compositor alemão nasceu em Bonn (1770) e morreu em Viena (1827). Seu avô, membro de uma família que contava com muitos pintores e escultores, era o regente da Capela arquiepiscopal na corte da cidade de Colônia, da qual seu filho, pai de Ludwig, integrava o coro como tenor, além de exercer, também, a função de professor de música. Foi dele que Beethoven recebeu as primeiras lições dessa arte, contra os quais revoltou-se a princípio, mas sempre demonstrando, mesmo sem aprofundar-se nos estudos que recebia, ser possuidor de enorme talento para exercê-la.
Por isso, ao completar nove anos de idade, foi entregue aos cuidados do organista Christian Gottlob Neefe (1748-1798), que o fez conhecer os grandes mestres alemães da música. Nasceu nessa época a admiração de Beethoven pelos compositores Johann Sebastian Bach (1685-1750) e Georg Friedrich Handel (1685-1759), e a partir de então os seus progressos nos estudos foram tão grandes que aos onze anos (1781) ele já compunha as suas primeiras peças. Três anos depois (1784), tornava-se segundo organista da capela do Eleitor, em Colônia, e pouco mais tarde (1787) foi enviado para Viena a fim de aprimorar sua técnica com o austríaco Franz Joseph Haydn (1732-1809), um dos mais importantes autores e solistas do período clássico. Costuma-se dizer, embora não existam provas de tal fato, que durante esse período ocorreu um encontro entre Beethoven e o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), que já estava doente, mas mesmo assim trabalhando na composição da ópera Don Giovanni, durante o qual este, ao ouvir uma improvisação executada pelo jovem iniciante, teria dito que em pouco tempo o mundo todo ouviria falar dele.
A partir de 1792, morando definitivamente em Viena (de onde não mais sairia), ele iniciou uma série de excursões artísticas pela Europa, durante as quais fez nascer e consolidar-se em torno do seu nome, o prestígio e a fama de exímio pianista. Datam dessa década, também, suas primeiras composições que se tornariam famosas pelos tempos futuros: as três sonatas para piano Op.2 (1795), o concerto para piano nº 1 em dó maior Op.15 (1795), a sonata nº 8 em dó menor Op.13 - Pathétique (1798), e os seis quartetos de cordas Op.18 (1800). Em 2 de Abril deste mesmo ano ele estreou em Viena a sua sinfonia nº 1 em dó maior Op.21, mas no ano seguinte, declarando-se insatisfeito com o que produzira até então, confessou aos amigos que decidira seguir um novo caminho. E foi o que fez em 1803, compondo a sinfonia nº 3 em mi bemol maior Op.55 (Heróica), obra considerada pelos críticos como sem precedentes na história da música erudita.
Mesmo não ocupando qualquer cargo oficial junto à corte, Beethoven freqüentou os salões da alta aristocracia, que lhe dispensava proteção. Mas suas idéias republicanas prejudicaram essas boas relações. Entusiasmado pelos feitos iniciais de Napoleão Bonaparte, escreveu em sua homenagem a Sinfonia Heróica, ou terceira, mas esse sentimento depois se transformou em completa aversão, de tal forma que na proclamação do Império francês, em 1804, ele compôs a Marcha Fúnebre da mesma sinfonia.
A partir desse ano (1804) iniciou-se para Beethoven um período de grande criatividade, surgindo, em conseqüência, a sonata para piano nº 21 em dó maior Op.53 (Waldstein), seguida em 1805 pela sonata para piano nº 23 em fá menor Op.57 (Appassionata); em 1806 foi a vez dos três quartetos de cordas Op.59 (Razumovsky), da sinfonia nº 4 em si bemol maior Op.60, e do concerto para violino em ré maior Op.61; em 1807, o concerto para piano nº 4 em Sol maior Op.58; em 1808, a sinfonia nº 5 em dó menor Op.67, a sinfonia nº 6 em fá maior Op.68 (Pastoral); em 1809, o concerto para piano nº 5 em Mi bemol maior Op.73 (Imperador), em 1811, o quarteto em fá menor op.95 (Serioso), em 1812, a sinfonia nº 7 em lá maior Op.92 (1812) e a sinfonia nº 8 em fá maior.
A época mais feliz da vida de Beethoven ocorreu no final do século 18, início do século 19, período em que ele desfrutou de sucesso profissional, contou com a proteção dos poderosos, desfrutou de amizades profundas, e viu-se até mesmo dominado pelo amor. Embora várias mulheres tenham participado de sua vida amorosa, a que provavelmente mexeu com os seus sentimentos de forma mais intensa foi uma jovem de 17 anos, Giulietta Guicciardi, para quem o compositor dedicou a sua Sonata ao luar. Também foi nessa época (1801) que ele passou a ter problemas de audição, processo esse que em pouco tempo se tornaria irreversível. Inconformado diante desse problema incurável Beethoven pensou até mesmo em suicidar-se, mas conseguiu superar a crise depressiva e voltou a compor valendo-se de uma corneta para atenuar a deficiência provocada pela surdez. Foi o tempo de sua única ópera, Fidélio, exaltando o amor conjugal. Composta em 1804, ela conta em dois atos a história de Leonore, que disfarçada de Fidélio salva o seu marido Fleurian de uma prisão política, exaltando a vitória do livre arbítrio e da liberdade sobre a opressão e a tirania.
Em 1819 a Áustria lhe concedeu uma pensão vitalícia, e em 1814 sua carreira chegou ao ponto culminante. Mas como a surdez que o martirizava começou a piorar, ele se afastou do público, fechou-se cada vez mais dentro de si mesmo, procurou isolar-se o quanto podia, o que transformou os últimos anos de sua vida em uma sucessão de amarguras motivadas pela saúde precária, pelas dificuldades financeiras e pelos problemas familiares que enfrentava. Certo dia, após discutir seriamente com seu sobrinho Karl, saiu de casa em meio a uma tempestade e com isso contraiu a pneumonia que provocou sua morte em 26 de março de 1827. Seu cortejo fúnebre foi acompanhado por uma multidão de 20.000 pessoas, fato pouco comum na Viena daquele tempo.