As pirâmides, monumentos funerários de especial forma geométrica, existiram em países de civilização primitiva, como a Assíria, a Caldéia, o México, e em particular, o Egito, onde sua construção atingiu o maior esplendor. Nesse país, elas se destinavam a conservar para a eternidade os sarcófagos com múmias dos faraós, de suas esposas, sacerdotes e grandes da corte (na ilustração, a Esfinge e ao fundo a pirâmide de Quéops).
O hábito de conservar os corpos após a morte originou-se na crença de que a alma do indivíduo, separada do corpo pela morte, continuasse a sua existência, podendo mesmo voltar a habitar o mesmo corpo, ou corpos diferentes, e em vista disso procurou-se proporcionar aos mortos as honras e os confortos que haviam desfrutado em vida. A construção das pirâmides representa, no entanto, estágio relativamente avançado de civilização.
A princípio os enterramentos realizam-se em simples covas à superfície, qualquer que fosse a posição social do defunto. Todavia, em virtude da natureza arenosa do solo egípcio, os ventos e as águas descobriam facilmente os corpos, que passavam a servir de pasto a hienas e abutres, sobretudo em conseqüência das cheias do Nilo. Em fins do período arcaico, os reis e grandes da corte ordenaram que suas covas fossem cobertas com uma edificação em adobe e teto de madeira, recebendo tais construções, mais tarde, o nome de mastabas, que significa bancos, por se parecem com os bancos que as casas egípcias tinham à entrada, no período da dominação árabe. A nova residência era mais ou menos copiada da antiga e dotada aproximadamente dos mesmos confortos.
Todavia, as profanações e os roubos tornaram-se freqüentes, o que levou os faraós a aprofundarem a câmara funerária mandando talhá-la em rocha viva, bem como a cobrir a superfície com edificações de pedra. As pirâmides tumulares egípcias foram erguidas entre a 3ª e a 5ª Dinastias, período conhecido como o Velho Reinado, ou Idade da Pirâmide por excelência, que vai aproximadamente de 2815 a 2294 antes de Cristo. Cada pirâmide possuía geralmente três divisões: uma capela externa, cuja porta se abria na parede oriental, rodeada de ornamentos, figuras e inscrições referentes aos feitos do falecido, havendo, no fundo da sala, uma estela colossal, junto à qual colocavam-se as oferendas em um altar.
Num recanto escuro da sala abria-se um longo corredor que levava à parte inferior da pirâmide, tendo por vezes ramificações, conduzindo à câmara em que se guardavam os objetos de uso do morto, e as oferendas. No subsolo abria-se a câmara funerária, tendo no centro o sarcófago em que se depositava a múmia, e no qual se reproduzia a imagem do falecido. Em volta do sarcófago depositavam-se objetos de uso do morto.
As pirâmides situam-se na margem esquerda do Nilo, na região de Mênfis. Formam, por vezes, grupos arquitetônicos, pois os monarcas ordenavam freqüentemente a construção de templos e palácios junto a suas pirâmides; além disso, os grandes da corte e as esposas do monarca eram enterrados geralmente em outras pirâmides menores e mais fracas, que se erguiam na vizinhança. O grupo de Gizé consiste de três pirâmides: a de Queóps ocupa uma superfície de 54.000 m2, com uma altura de 140 metros.
Seus 2.200.000 blocos de granito, pesando cada um cerca de 2 toneladas e meia, foram retirados de pedreiras da Arábia e da Líbia, e transportados com grande dificuldade até o local da construção.
Estando as pirâmides egípcias repletas de riqueza, foram desde cedo visitadas por ladrões, fato a que já se referia Heródoto. Durante a dominação dos árabes, estes freqüentemente aproveitaram as pedras das pirâmides para suas construções. No século 19 iniciou-se a exploração científica dos túmulos reais egípcios, sendo suas riquezas e objetos arqueológicos transportados para os principais museus do Ocidente.