CACIMBA, A

Tá vendo aquela cacimba / lá na bêra do riacho, / im riba da ribanceira, / qui fica, assim, pru dibaxo / de um pé de tamarinêra.

 

Pois, um magote de moça / quage toda manhanzinha, / foima, assim, aquela tuia, / na bêra da cacimbinha / prá tumar banho de cuia.

 

Eu não sei pru quê razão, / as águas dessa nacente, / as águas que ali se vê, / tem um gosto diferente / das cacimbas de bebê...

 

As águas da cacimbinha / tem um gôsto mais mió. / Nem sargada, nem insôça... / Tem um gostim do suó / do suvaco dessas môça...

 

Quando eu vejo essa cacimba, / qui inspio a minha cara / e a cara torno a inspiá, / naquelas águas quilaras, / Pego logo a desejá...

 

Desejo, prá quê negá? / Desejo ser um caçote, / cum dois óio dêsse tamanho / Prá ver aquele magote / de moça tumando banho!

 

cacimba: poço de água potável

caçote: rã ou sapo pequeno

magote: grupo de pessoas

tuia: monte de coisas reunidas