CORRENDO DO PERIGO

Os animais usam todas as formas que lhes são possíveis para escapar dos inimigos: se um Lagarto-Basilisco comendo na margem de um rio da América Central for emboscado por qualquer predador, ele tem uma saída insólita - pular e correr pela superfície da água (ilustração), mas mesmo que afunde logo depois, as poucas passadas dadas são suficientes para afastá-lo do caçador, talvez um felino pequeno. Mais à frente, já adequadamente distante do inimigo, o lagarto pode sair nadando, mergulhar ou ficar submerso por até dois minutos – tática bem útil na hipótese de ser uma ave de rapina a perseguidora pretendendo transformá-lo em refeição.

 

Suas pernas longas e fortes e seus pés com dedos também longos e escamados lhe permitem andar sobre a água, razão pela qual é conhecido em alguns lugares pelo nome de Lagarto Jesus Cristo. Em terra firme um exemplar adulto dessa espécie pode chegar à velocidade máxima de 10 km por hora, mas quando ele foge pela água ficando quase de pé, usa apenas as patas traseiras para correr em alta velocidade. E é dessa forma - sustentado pela tensão superficial da água e pela expansão dos próprios pés - que ele consegue escapar de quem pretende devorá-lo. À noite os basiliscos costumam dormir em arbustos debruçados sobre pequenos rios, de onde podem facilmente se atirar na água em caso de perigo.

 

Já o Podura (ilustração abaixo), um dos maiores atletas entre os insetos, apresenta-se regularmente nos jardins britânicos. Mas como é bem pequeno – só 5 milímetros de comprimento – e se move muito depressa quando salta, seus feitos raramente são vistos pelo homem, muito embora seja um dos insetos mais abundantes – acima de 300 espécies vivem somente na Grã-Bretanha.

 

O Podura pode saltar até vinte centímetros de altura, ou seja, quarenta vezes o seu comprimento. Ele não tem asas e usa suas notáveis qualidades atléticas para escapar dos predadores, Somente quando os cientistas conseguiram fotografar o seu pulo é que suas habilidades acrobáticas foram inteiramente apreciadas. Quando ele se assusta, pula no ar e executa ao menos um salto mortal sem direção determinada, pois o que importa é escapar do perigo que o ameaça. Esse seu jeito espetacular de fugir o faz gastar muita energia, mas tem a vantagem de surpreender o atacante. Esse pulo resulta de um apêndice em forquilha, normalmente preso na parte inferior do seu corpo, como um alfinete de segurança fechado. Quando esse rabo é solto, bate no chão com tanta força que o Podura é catapultado para o ar, rodopiando.

 

Outra criatura que se livra de seus atacantes saltando para o alto é a larva da Mosca de fruta do Mediterrâneo. Ao primeiro toque de uma vespa ou formiga, a larva se enrola agarrando a ponta do rabo com os pequenos ganchos que tem na boca, e então retesa sua camada de músculos abaixo da pele, forçando a das costas a esticar-se. Ao liberar a tensão, a larva é jogada para o alto, rodopiando, podendo cair a 13 centímetros de distância em um quarto de segundo. Quando bate no chão, ela demora um momento a retomar o equilíbrio, mas depois vai repetindo a ação por umas trinta vezes.

 

Os coelhos e lebres, por sua vez, foram feitos para correr.  Suas longas e potentes patas traseiras lhes dão velocidade, e os tufos de pelos que têm entre os dedos são responsáveis pela estabilidade. Para garantir a dianteira de que precisam eles também se valem das orelhas grandes e olhos aguçados que os ajudam a distinguir um predador ainda longe, embora tentem não ser vistos ficando estáticos até o perigo passar. Esses pequenos mamíferos herbívoros podem mover-se rapidamente quando necessário, tanto que uma lebre maior consegue chegar em segundos à velocidade de 80km por hora.

 

Se um predador, como uma raposa, for avistado ainda ao longe, o coelho ou a lebre costuma levantar-se nas patas traseiras, talvez para mandar a mensagem: “Eu te vi. Sou forte e estou em boa forma. Perseguir-me é jogar energia fora”. Mas quando a perseguição começa, o animal ziguezagueia para desequilibrar o seu perseguidor e impedir que ele ganhe velocidade.

 

Na África, as gazelas e os impalas (ilustração) dão um salto ao ar quando vêm um leão ou um guepardo. O motivo disso ainda é controvertido entre os biólogos, acreditando alguns deles que talvez seja para avisar o predador que ele foi visto e que a perseguição vai ser dura, ou talvez para sinalizar à manada sobre a existência de perigo nas redondezas. Segundo outra teoria, talvez esse salto permita que gazelas vejam sobre a grama alta e localizem outras ameaças, como leões de tocaia, antes de decidirem em que direção devem correr. Quando forçados a isso, esses antílopes também correm loucamente em ziguezague, para impedir que seu perseguidor alcance velocidade máxima.

 

Os cangurus australianos locomovem-se a uma velocidade de até 64 quilômetros por hora, saltando com as duas fortes patas traseiras ao mesmo tempo, mantendo as dianteiras contra o peito e usando a grande cauda para maior equilíbrio. Normalmente os adultos dessa espécie não saltam mais alto que um metro e meio, mas podem superar obstáculos com o dobro dessa altura quando são perseguidos pelos dingos. Estes são animais que pertencem a uma subespécie de lobo, assim como o cão doméstico, e que se encontram atualmente em estado selvagem na Austrália e sudeste asiático.

 

Fonte: Segredos do Mundo Selvagem