MENINA E A NATUREZA, A

O rio sereno acompanha a amplidão, de um amarelo cremoso infinito.

Um verde enraizado no sertão, forma com as águas um aparente quadro bonito.

 

A menina ampara quatro balões na mão, como que seguindo um rito.

No seu olhar transparece a solidão, e a vontade de soltar um grito.

 

Seus olhos buscam a vastidão, e depois o céu de nitrito.

Sente o cheiro de dedetização, na atmosfera de hipossulfito.

 

Aves voam com lentidão, ao longe um tatu em conflito.

A terra com jeito de consternação, a água com um odor indescrito.

 

Seus olhos se fecham em comiseração, seu rosto totalmente contrito.

Domina-lhe uma tensa comoção, na mente um pensar restrito.

 

Sentada no barranco ela espreita com atenção, e um sorriso amargo arquiteta o seu dito.

Infla o peito com emoção, e declara ao mundo: a Natureza já é um mito!

 

Imagem: Srta. Danny