O rato guloso saíra à procura de comida. Depois de andar sem rumo pelas redondezas de onde morava, ele chegou a um brejo não muito distante de sua toca, e lá encontrou um sapo aquecendo-se ao sol.
Assim que este avistou o recém-chegado, logo pensou que sua próxima refeição acabara de chegar. Mas como não podia capturá-lo quando quisesse, assim como faria se fosse um inseto, tratou então de conquistá-lo. Vai daí que a certa altura da conversa que iniciara, ele perguntou:
- Você não quer almoçar comigo? Posso lhe servir um banquete. Mas para isso você terá que ir à minha casa, que fica no meio do lago.
O rato hesitou, porque não sabia nadar, mas o sapo o tranqüilizou garantindo que o protegeria. E para convencê-lo, completou: “Você vai ver coisas fantásticas, incríveis, extraordinárias, além de plantas maravilhosas, como nunca imaginou que existissem. Além disso, vai poder falar amanhã, para os seus netinhos, sobre os costumes dos meus vizinhos”.
Foi assim que o ardiloso batráquio conseguiu prender sua pata e a do rato em um talo de junco, logo começando a puxá-lo em direção à água. Enquanto fazia isso ele pensava satisfeito: “Carne de rato gordo é a comida de que eu mais gosto. Quando chegar ao meio do lago, vou puxá-lo para o fundo, e pronto, ele já era!”.
Foi aí que o rato percebeu a verdadeira intenção do sapo, e por isso começou a pedir que alguém do céu lhe ajudasse. E lutava, ao mesmo tempo, para salvar a própria vida. Porém, como seus pés estavam presos, pouco podia fazer além de debater-se o quanto podia, enquanto seu captor procurava dominá-lo. Mas a confusão aprontada por eles acabou despertando a atenção de um gavião que passava nas alturas à procura de caça. Na mesma hora a ave de rapina investiu velozmente contra o rato e o prendeu em suas garras afiadas, levando junto a rã e o talo de junco.
Depois, já voando em direção ao ninho, ele observou melhor o que capturara. E concluiu satisfeito: “Que surpresa! Que sorte a minha! Hoje é um dia de festa: vou ter rato no jantar e rã na sobremesa”.
Moral da história: às vezes o feitiço acaba virando contra o feiticeiro.
Baseado em uma fábula de Esopo