O caramujo é um molusco gastrópode, classe que inclui em torno de 49.000 espécies, entre elas os caracóis, as lesmas e os búzios. Animal caracterizado pela concha torcida em espiral, como o caracol, mas diferenciando-se deste por ter a casca mais grossa e ser de dimensões maiores. Os que têm a casca também grossa, mas são de tamanho pequeno, chamam-se caramujinhos.
Pela aparência semelhante que possuem, caramujos e caracóis costumam ser confundidos e considerados como sendo o mesmo tipo de animal, mas na verdade existem diferenças entre eles. A mais importante é a de que os caramujos são aquáticos em sua grande maioria e respiram por um sistema parecido com o dos peixes, ao passo que os caracóis, dotados de um pulmão, vivem em terra firme. Como sua anatomia não lhes permite nadar, se eles foram lançados à água com toda certeza morrerão afogados. Outra forma de diferenciá-los tem relação com a concha: nas dos caramujos elas são em espiral e terminam em “ponta”, enquanto as dos caracóis são mais arredondadas. Esses moluscos alimentam-se das algas de água doce e partes macias de algumas outras plantas aquáticas e também plantas em decomposição.
Existem cinco mil espécies de caramujos que têm como habitat preferido os canais e valas de irrigação, açudes, represas, pequenos córregos e qualquer ambiente de água doce, podendo colonizar, inclusive, lagoas e grandes rios. E se isso não acontece é porque neles e nelas a correnteza e pequenas ondas formadas pelos ventos dificultam sua vida nestes locais. Algumas delas têm pulmões e precisam vir à tona a fim de respirar o oxigênio do ar. Outras possuem brânquias, que retiram o oxigênio da água.
O maior grupo dos caramujos de água salgada reúne em torno de 55 mil espécies, algumas vivendo ao longo das praias, e o restante nas partes mais profundas do oceano. A maioria desses animais marinhos possui brânquias, ao invés de pulmões, e muitos deles têm uma tampa calcária (opérculo) que fecha a concha toda vez que o animal se recolhe. Os caramujos de água doce alimentam-se de plantas aquáticas e de animais mortos, enquanto entre os marinhos, alguns se alimentam de algas e outros comem animais do mar. Os caramujos podem viver de dois a 20 anos.
Eles são encontrados em quase todo o Brasil, especialmente no sudeste da Bahia, no norte do Espírito Santo e centro-leste de Minas Gerais. Mas também são achados, embora em menor número, nas zonas quentes e úmidas de quase todo o nordeste brasileiro, além do Pará, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
Os caramujos são hermafroditas, mas na maioria dos representantes do grupo a fecundação é interna e cruzada. Na cópula do caramujo-de-jardim, por exemplo, que também tem, simultaneamente, órgãos de reprodução masculino e feminino, dois indivíduos aproximam-se, encostam seus poros genitais um no outro, e assim se fecundam reciprocamente. Os ovos desenvolvem-se e, ao eclodirem, liberam novos indivíduos sem a passagem por fase larval (desenvolvimento direto).
Entre as muitas espécies de caramujos existem algumas que são nocivas ao homem, entre elas a Biomphalaria tenagophila, a Biomphalaria glabrata (na ilustração do meio) e a Biomphalaria straminea, hospedeiras de organismos multicelulares do gênero Schistosoma, agentes transmissores da esquistossomose, uma doença crônica causadora da morte de milhares de pessoas a cada ano. Outra variedade perigosa são os Achatina (Achatina fulica, na ilustração acima), naturais da África, que podem atingir mais de 20 centímetros só de concha (com o corpo, seu comprimento total chega perto dos 50 centímetros) e peso em torno de meio quilo. São caracóis de concha cônica marrom, com manchas de tom mais claro.
Esses caramujos africanos foram introduzidos no Brasil em 1988 para substituir o escargot nos restaurantes especializados em comidas exóticas. Como o objetivo não foi alcançado e, principalmente por falta de informação, criadores soltaram os caramujos no meio ambiente, o que gerou uma exponencial proliferação no território brasileiro. As publicações técnicas informam que “esses moluscos têm comprovado sua ação nociva, pois estabelecem populações em vida livre e se tornam uma séria praga agrícola. São também considerados vilões juntamente com o desmatamento, na redução da biodiversidade do planeta. O Brasil possui um excelente ambiente para sua proliferação, além de ter poucos agentes biológicos que possam controlá-lo. Na região Amazônica a preocupação é maior, pois o caramujo africano pode competir com a fauna nativa e causar desequilíbrio ecológico. Recentes estudos registram que mais de 500 tipos de plantas são devoradas por este molusco, além disso, comem papelão, isopor e até sola de sapato”.