Segundo município mais populoso do Estado do Rio Grande do Norte (259.886 habitantes, segundo o Censo de 2010, sendo 125.694 homens e 134.192 mulheres), Mossoró dista 285 km de Natal, sede do governo estadual. Situada numa região de transição entre litoral e sertão, a cidade é um reduto cultural marcado por acontecimentos históricos como o Motim das Mulheres; o primeiro voto feminino no país; a libertação dos escravos antes da Lei Áurea; e a resistência heróica ao bando de Lampião (na ilustração, painel do Memorial da Resistência, com os heróis no alto e o bando de Lampião na parte inferior).
Em www.prefeiturademossoro.com.br o governo municipal esclarece o último desses episódios relatando que: “De acordo com pesquisas da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, da entrada de Lampião no território potiguar, até o assalto a Mossoró, o bando gastou cerca de três dias. Da noite de 9 para 10 de junho, os cangaceiros entraram em território potiguar. No dia 12 chegaram ao povoado de São Sebastião, onde hoje é a cidade de Dix-Sept Rosado. De lá, foi enviado um telegrama para Mossoró, avisando sobre a chegada do bandido. A cidade, que estava em festa, entrou em desespero. Lampião queria dinheiro de Mossoró. Em bilhete enviado ao prefeito Rodolfo Fernandes, com pedido de 400 contos de réis, ameaçava invadir a cidade caso fosse contrariado. O prefeito decidiu então esvaziar a cidade e montar as trincheiras para recepcionar os invasores. O confronto ocorreu no dia 13 de junho de 1927. A cidade estava preparada. Eram mais de 200 homens postos e preparados para a resistência. À tarde, por volta das 16 horas, começou o ataque. Lampião dividiu o bando em três grupos. Um atacou a casa do prefeito; outro a estação ferroviária; o terceiro rumou para o cemitério. Com a resistência armada, o bando recua cerca de uma hora após o início do conflito. Ficam para trás Colchete, morto, e Jararaca, ferido no peito, que foi assassinado no dia seguinte. Com a frustrada tentativa de invasão e boa parte do bando ferido, Lampião correu de Mossoró com destino ao estado do Ceará. O ato de heroísmo deu a Mossoró o título de única cidade do nordeste a resistir e expulsar Lampião de seu bando”.
A Tribuna do Norte, em Cadernos Especiais, fascículo 9, também trata do mesmo assunto. Em texto intitulado A Arma era a Lei, diz ele que: “Lampião mandou um ultimato ao prefeito de Mossoró, exigindo quatrocentos contos para evitar a invasão e posterior saque da cidade. A carta onde ele pedia o resgate foi escrita por Antonio Gurgel do Amaral e entregue por Pedro José. O prefeito Rodolfo Fernandes respondeu dizendo que não podia enviar a importância exigida: ‘Estamos dispostos a recebê-los na altura em que desejarem. Nossa situação oferece absoluta confiança e inteira segurança’. Lampião não se conformou e enviou um bilhete com novas ameaças. Rodolfo Fernandes respondeu com altivez, reafirmando que não dispunha do valor pedido. Concluiu dizendo que ‘Estamos dispostos a acarretar com tudo o que o senhor queira fazer contra nós. A cidade acha-se firmemente inabalável na sua defesa, confiando na mesma’. O ataque começou às dezesseis horas. Dentro de pouco tempo, o tiroteio atingiu o auge. A resistência, porém, continuou. O ataque contra a cidadela do prefeito fracassou. Os cangaceiros tentaram completar o certo. O pessoal da Estação impediu que isso acontecesse. Após muito tiroteio, a vitória sorriu para os mossoroenses. Um grande feito, do qual todo norte-rio-grandense deve orgulhar-se”.
Outra versão (www.mossoro.rn.gov.br) conta que na noite do dia 12 de junho não houve descanso para ninguém em Mossoró. Os encarregados de sua defesa se revezavam na vigília enquanto o restante da população esperava a vez de partir. O embarque de pessoal durou toda a noite e só terminou na tarde do dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, quando foram ouvidos os primeiros tiros anunciando o início do combate. Mas a meta havia sido alcançada: a cidade estava deserta. Esse relato revela que "Ao entrar na cidade o bando sente medo, devido ao abandono do local. O cangaceiro Sabino encaminha-se com suas colunas para a casa do prefeito. Não perdoa o atrevimento daquele homem que resolveu enfrentar o bando de cangaceiro mais temido do nordeste brasileiro. Sabino posiciona-se sozinho em frente a casa de Rodolfo Fernandes. Os defensores da cidade ficam indecisos, sem saber se ele é um soldado ou um cangaceiro, já que não havia muito diferença entre a maneira de se vestir de um e de outro. Foi preciso a ordem do prefeito para que começassem a atirar. Nesse momento o tempo fechou. Uma forte chuva começa a cair, comprometendo o desempenho dos cangaceiros e tornando mais tétrico o ambiente. Os defensores dominam a situação e não resta outra solução aos cangaceiros senão abandonar a cidade”.
Mossoró foi a única cidade nordestina que conseguiu expulsar Lampião e seu bando sem ajuda das forças militares, contando apenas com a coragem de seus moradores. Estes se armaram, enfrentaram os invasores e abateram dois deles, Colchete e Jararaca, fazendo-os pagar com a vida os crimes que praticaram ao longo da caminhada sangrenta que empreenderam. Toda essa história é relatada através de fotos expostas em painéis no memorial que tem o nome de Museu da Resistência (na ilustração acima, em foto de Alex Gurgel), que fez com que a cidade se tornasse conhecida como a Terra da Resistência.
Até hoje ela celebra sua vitória no encontro entre a milícia formada pela prefeitura e o bando do rei do cangaço. A história desse episódio ocorrido em 1927 foi transformada no espetáculo musical de muito sucesso chamado Chuva de Balas no País de Mossoró, que todo ano, durante as festas juninas, atrai milhares de turistas para a cidade.