LENDA DO TAXISTA

A Praça Melo Viana fica na parte alta da Rua D. Pedro II, centro de Sabará. Nela se encontra a Igreja do Rosário (na ilustração), imponente prédio com construção iniciada pelos negros em 1768, mas não concluída devido à decadência das minas de ouro. Nesse mesmo largo existe um ponto de táxi.

 

Há tempos um dos taxistas que ali aguardam passageiros recebeu por volta da meia-noite um telefonema solicitando-lhe que fosse buscar alguém em determinado lugar. Foi o que fez. Chegando lá, encontrou à sua espera uma loira entre 30 e 40 anos, que pediu para ser levada ao endereço tal e tal, em Belo Horizonte. Lá se foram os dois, então, para a capital mineira, distante umas duas dezenas de quilômetros, mais ou menos.

 

O lugar indicado era um casarão de dois andares, em bom estado de conservação, sinal de que ali morava alguém em condições financeiras favoráveis. Nesse momento a passageira, meio desconcertada, pediu ao motorista que voltasse no dia seguinte para receber o dinheiro da corrida, no que ele concordou. Afinal de contas, tudo indicava estar tratando com gente honesta, mas momentaneamente desprevenida.

 

Retornando no dia seguinte, ele foi recebido por uma senhora já idosa, a quem explicou o acontecido na noite anterior. Convidado a entrar, o taxista foi levado a um amplo salão aonde se encontravam expostos quadros retratando as filhas da dona da casa, conforme lhe foi explicado. E ao ser solicitado a indicar qual delas tinha sido a sua passageira na madrugada que passara, apontou para uma delas. Diante disso a velha senhora passou a chorar sentidamente durante breve tempo, ao fim do qual enxugou as lágrimas e explicou:

 

- Acontece, meu senhor, que esta pessoa que o senhor está me mostrando era minha filha que morreu há mais de vinte anos em um acidente de carro perto de Sabará, e por isso eu não acredito que o senhor a tenha trazido até aqui nesta madrugada.

 

Ao ouvir tais palavras o motorista agradeceu, pediu licença e retirou-se assustado. Segundo consta, nunca mais voltou a trabalhar como taxista.

 

Baseada em versão dada por Francisco Dário dos Santos, o Chiquinho da TV Muro, de Sabará.