A maçã é o fruto da macieira, provavelmente a árvore frutífera cultivada há mais tempo. Originária da Ásia Central, onde seu ancestral selvagem ainda é encontrado até hoje, ela sempre foi uma importante fonte alimentícia em todos os climas frios. À exceção dos cítricos, é a espécie de fruta que pode ser conservada durante mais tempo, sem perder grande parte de seu valor nutritivo. As maçãs de inverno, colhidas no final do outono e guardadas em câmaras ou armazéns acima do ponto de congelamento, têm sido um alimento destacado durante milênios na Ásia, Europa e nos Estados Unidos (desde 1800).
Existem mais de 7500 espécies e variedades de maçãs, encontradas somente em climas temperados e subtropicais porque não florescem em áreas tropicas. Para que isso aconteça as macieiras necessitam de um número considerável de horas de frio, numero esse que varia conforme a variedade cultivada. As da família da Gala, por exemplo, necessitam de um inverno com cerca de 700 horas de frio (temperatura abaixo de 7,2 °C) para proporcionarem o rendimento ideal na colheita.
As macieiras são muito vulneráveis a vermes e a insetos. Como as maçãs são enceradas, os pesticidas usados preventivamente contra infestações dessa natureza podem ficar retidos na casca, razão pela qual é muito importante lavá-las antes de serem consumidas, e com certo cuidado. Apesar das sugestões para que a casca das maçãs seja retirada a fim de evitar a ingestão acidental de resíduos nocivos à saúde, recomenda-se o seu consumo ao natural, com casca, pois é junto dela que se encontra a maior parte das suas vitaminas e sais minerais. De acordo com estudo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry, de 18 de maio de 2007, os componentes que protegem contra o câncer são encontrados na casca da maçã e não em sua polpa.
Não é por falta de motivo que as pessoas consideram a maçã um lanche ideal. Ela é fácil de carregar, saborosa, mata a fome e tem poucas calorias. Um pedaço médio da fruta (150 gramas) tem, em média, 50 calorias. Ela pode ser comida de várias maneiras: ao natural, assada, em tortas ou doces, adicionada ao recheio de aves e em gelatinas e molhos. O vinagre da maçã é usado para temperar saladas, enquanto seu suco e a sidra são bebidas bastante consumidas.
A maçã, em média, fornece somente 8mg de vitamina C, ou 13% da RDA (Ingestão Dietética Recomendada). O miolo da maçã contém pequena quantidade de potássio e ferro, mas o aspecto positivo de sua ingestão é o fato dele ser uma boa fonte de fibras, especialmente a pectina (uma fibra solúvel usada para engrossar gelatinas), que ajuda a reduzir os níveis de colesterol no sangue. Uma outra fibra solúvel da maçã absorve grandes quantidades de água do trato intestinal, ajudando a prevenir a prisão de ventre. Por ser gostosa e de fácil digestão, a maçã cozida é recomendada por médicos para a alimentação de bebês.
A frutose, o açúcar da maçã, é absorvida pelo organismo de forma mais lenta que a sacarose (açúcar usado diariamente), e por isso as pessoas diabéticas podem comê-las sem muita preocupação com aumentos bruscos nos níveis de glicose no sangue. A maçã também é considerada uma espécie de escova de dentes natural; embora isso, na verdade, não aconteça. Mas a ajuda na higiene bucal é feita de outra forma. Morder e mastigar uma maçã estimula as gengivas, e o seu sabor aumenta a quantidade de saliva, diminuindo o número de bactérias na boca e evitando as cáries.
Segundo a Embrapa, o cultivo da macieira é uma atividade relativamente recente no Brasil. No início da década de 70, a produção anual de maçãs era de cerca de 1.000 toneladas. Com incentivos fiscais e apoio à pesquisa e extensão rural, o Sul do Brasil aumentou a produção de maçãs em quantidade e em qualidade, fazendo com que o país passasse de importador a auto suficiente e com potencial de exportação.
Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçãs, a década de 1990 foi um período de consolidação da produção de maçã no país, já que entre 1991 e 2000 a quantidade produzida mais que dobrou. O mesmo aconteceu na seguinte (2001/2010), pois esse quantitativo saltou de 716.030 toneladas, no primeiro ano da década, para 1.274.705, estimativa feita em setembro de 2010.
A produção mundial de maçã é caracterizada por um grande produtor, a China, e vários outros menores. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a China produziu quase 30 milhões de toneladas de maçã em 2008, o que corresponde a 42,8% da produção mundial naquele ano. Os Estados Unidos, segundo maior produtor, foram responsáveis por 6,2% do volume de maçã produzido no mesmo ano. Na América do Sul os principais produtores são Chile, Argentina e Brasil, embora nenhum dos três tenha produzido, também em 2008 mais que 2% do total mundial. Nessa safra, a produção do Brasil correspondeu a 1,6% da mundial, posicionando o país como 12º no ranking dos países produtores de maçã.