LENDA DA NOIVA DE SANTA RITA, A - Paraty-RJ

Em História Viva, na internet, com o título de “Patrimônio Histórico: Igreja de Santa Rita, em Paraty”, encontra-se reportagem cujo texto diz que a Igreja Santa Rita de Cássia, erguida naquela cidade pela Irmandade de Santa Rita dos Pardos Libertos, entre os anos de 1722 e 1725, congregava "as cores pardas de Paraty" na vida e na morte. Em vida, os homens pardos participavam dos ofícios e das festas religiosas. Na morte, eram enterrados nas catacumbas do cemitério da Irmandade, ainda existente ao lado da igreja.

 

Nela, segundo o texto mencionado, será interessante aos que a visitam observar os detalhes trabalhados do gradil da sacada interna, o trabalho na madeira das portas e dos altares colaterais, o galo marcador de vento na torre externa e o relógio na fachada. Numa construção anexa à igreja está o cemitério da Irmandade em estilo columbário (com tumbas embutidas), construído no século XIX. Existe nesse anexo um poço de água transparente que muitos acreditam ser milagrosa. Assim como todas as igrejas de Paraty, esta possui fachada voltada para o mar. Atualmente, ela vem sendo utilizada para concertos, peças de teatro, exposições e conferências. Nos fundos da igreja está o Museu de Arte Sacra.

 

A matéria revela, ainda, que o arquiteto Lúcio Costa a considera como sendo a mais valiosa da cidade. A construção em pedra e cal, a fachada frontal em estilo barroco, o acabamento feito em cantaria e o trabalho de madeira nas portas e de ferro nas sacadas do coro, dão à igreja um aspecto imponente, representativo dos anos de ouro da Paraty colonial.

 

O cemitério da irmandade está localizado ao lado do corpo principal da igreja. Na entrada, possui uma espécie de "vestíbulo" provavelmente usado como velório, seguido de dois alpendres, um paralelo à parede da nave e o outro servindo de cobertura ao columbário (espaço destinado a receber as cinzas). Ambos formam um pátio agradável, com jardim e poço internos. Na ilustração acima (de Duetto Editorial), a área marcada com o número 4 (à esquerda e ao alto), é a do cemitério da igreja, do qual não se sabe a data exata da construção. Os seus dois alpendres compõem um pátio central ajardinado.

 

Pois bem. Como toda cidade antiga, Paraty é rica em narrativas sobre acontecimentos fantásticos. Desse repertório variado de lendas relativas à história do lugar, de pessoas e crenças, transmitidas pela tradição oral através de gerações, consta a do jovem casal apaixonado que em meados do século 19 pretendia unir-se em matrimônio na Igreja Santa Rita. Felizes com a proximidade da cerimônia religiosa, os noivos demonstravam a alegria que sentiam através do sorriso franco com que recebiam os parentes e amigos que deles se aproximavam. Mas a jovem morreu poucas horas antes de subir ao altar, sem que ninguém pudesse explicar como e por qual motivo tal fatalidade tinha acontecido, já que a noiva era dona de excelente saúde.

 

Inconformado, o noivo trancou-se em casa sem querer ver ninguém. Mas dois dias depois ele levantou-se desesperado. Saiu às pressas, dirigiu-se à igreja e lá implorou ao vigário que abrisse o caixão enterrado no cemitério do próprio templo, alegando que  sua amada o estava chamando. Os que o acudiram acharam que ele estava ficando louco, tentaram acalmá-lo, mas sem aceitar a idéia de abertura do caixão, apesar dos pedidos insistentes feitos pelo agitado rapaz. Dali para frente, e durante muito tempo, os que passavam à noite pelo largo da igreja Santa Rita juravam de mãos juntas terem visto um fantasma vestido de noiva, bebendo água no chafariz localizado em frente à igreja (veja-o na ilustração acima).

 

Muitos anos depois, quando foram retirar os restos mortais da jovem, descobriram que o seu esqueleto estava virado, de bruços. Essa constatação fez todo mundo imaginar que a noiva provavelmente morrera de sede dentro do caixão, sem que ninguém  tivesse ouvido os seus pedidos de socorro. Para evitar que o fantasma dela continuasse saindo em busca de água no chafariz, o padre mandou perfurar um poço dentro da igreja, e isso bastou para que o fantasma nunca mais fosse visto do lado de fora.  

 

O chafariz do largo e o poço da igreja existem, e estão até hoje no mesmo lugar.