O alho é uma planta da família Liliaceae. A espécie mais conhecida é a Allium sativum, cujo bulbo (cabeça de alho) é composto por bulbilhos (dentes de alho). A sua utilização como medicamento ou recurso culinário advém de civilizações antigas, anteriores a Cristo, tais como a chinesa, grega, romana e babilônica. Segundo historiadores, os egípcios consumiam alho em abundância. Durante a Segunda Guerra Mundial, os britânicos utilizavam o alho para impedir que os soldados tivessem infecção.
É uma planta vivaz, bulbosa, que atinge entre 30 cm e 1 m de altura, com flores cor-de-rosa claras ou verde-esbranquiçadas. A temperatura média mensal ideal do desenvolvimento e produção varia de 14 a 24º C. Quando a temperatura cai abaixo de 15º C, estimula a formação dos bulbos. O fotoperíodo (tempo de exposição da planta ao meio ambiente propício) exerce influência sobre a bulbificação e, nesse aspecto, cada cultivar tem sua exigência própria. Em condições de fotoperíodo insuficiente, ocorre crescimento vegetativo, sem formação de bulbos. O espaçamento mais indicado no plantio do alho é de 25 a 30 cm entre as fileiras por 7,5 a 10 cm entre as plantas na linha. Assim, se obtém boa densidade de plantas. Normalmente, os bulbilhos são plantados na profundidade de 2 a 3 cm.
O período de plantio estende-se da segunda quinzena de fevereiro até o início de maio. Porém, as melhores épocas de plantio são os meses de março e abril. A deficiência de cálcio ou boro durante o cultivo torna os bulbos mais susceptíveis ao murchamento e à desidratação. É colhido preferencialmente quando as folhas começam a amarelecer e secar. Bulbos imaturos tendem a deteriorar rapidamente. Ao colher os bulbos mais secos, deve-se suspender a irrigação 2 a 3 semanas antes da colheita. Após a colheita, as ramas só devem ser cortadas após estarem amareladas e secas. O alho pode ser conservado por 4 a 6 meses em armazéns não refrigerados, sendo a perda de água e murchamento as principais causas de perda pós-colheita. Pode ser armazenado com as folhas, solto ou em réstias ou sem as folhas em caixa e sacos.
O alho é muito utilizado na cozinha por conter essências aromáticas que tornam as preparações com sabor acentuado e característico. Utiliza-se o bulbo, composto pelos "dentes" (bulbilhos). Retirando-se a película, o “dente” é utilizado esmagado, picado, fatiado, grelhado, assado ou frito. Também é apreciado cru, por exemplo, nos molhos "alho-e-óleo". Junto com o vinho, forma a base da vinha-d'álho, na qual se curtem carnes, aves e peixes, antes de irem ao fogo. Deve-se ter o cuidado, ao fritar o alho, de não queimá-lo, pois isso causa um sabor ácido ao prato. Cem gramas fornecem 134 calorias. O alho torna-se mais digestivo depois de retirada a pequena gema que há em seu interior. Tem-se hálito fresco após as refeições com muito alho, se no dia seguinte mascar salsa fresca ou grãos de café.
Várias doenças são tratadas com o alho, como acne, asma, artrite, bronquite, distúrbios intestinais, dores de dente, picadas de insetos, parasitas (verminoses intestinais), problemas digestivos, problemas de rins, reumatismo, pressão arterial alta, coqueluche, tuberculose, verrugas, entre outras. Sua ação antibiótica é conhecida há muito tempo, sendo usado em ferimentos e cortes. Fortalece o sistema imunológico como um todo, aumentando a resistência orgânica a infecções; fluidifica as secreções em casos de bronquite e tuberculose, diminuindo a tosse e provocando a expectoração; promove a desintoxicação do sangue. O uso regular do alho aumenta a longevidade, reduz os riscos de infarto, reduz o colesterol LDL (ruim), aumenta o colesterol HDL (bom), previne a aterosclerose e o câncer. Ativa o funcionamento do fígado; elimina prisão de ventre; combate o ácido úrico. Alivia dores musculares e articulares como reumatismo, gota e ciática; auxilia no emagrecimento; é bom para os rins e bexiga; alivia o diabetes e proporciona uma qualidade de vida mais saudável como um todo. Em grandes quantidades, o alho pode originar anemias, inflamações do estômago e úlceras, podendo suprimir também a função testicular. O seu uso deve ser evitado (ou pelo menos minimizado) nos casos de úlcera gástrica, dispepsia, cistite, problemas de visão e epiderme (erupções cutâneas, eczema). O seu contato direto irrita a pele e as mucosas.
Os principais constituintes são: vitaminas B1, B2, C, A, e E, antibióticos naturais, agentes anticoagulantes, ingredientes controladores do colesterol, aliína, aliínase, alicina, escordininas, selênio, heterosídeos sulfurados, enxofre, cálcio, iodo, silício, sódio e ferro. A seguir, a composição em cada 100 gramas.
COMPOSIÇÃO EM CADA 100 GRAMAS
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Energia |
140,00 kcal |
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Carboidratos |
29,30 g |
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Proteínas |
5,30 g |
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Lipídios |
0,20 g |
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Fibras |
1,66 g |
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Potássio |
4 00,00 mg |
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Vitamina B1 (Tiamina) |
02,00 mcg |
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Vitamina C (Ácido ascórbico) |
31,10mg |
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Ácido Fólico |
3,10 mg |
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Fósforo |
150,00 mg |
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Cobre |
0,26 mg |
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Cálcio |
181,00 mg |
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Selênio |
24,90 mg |
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Ferro |
1,70 mg |
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Zinco |
8,83 mg |
Fonte: Boletim Técnico nº 62 – Plantas Aromáticas e Condimentares, Editora Ufla, de Ana Paula Soares P. Salgados, Daniele Pereira de Castro, Fabiana Rezende Muniz, José Eduardo Brasil P. Pintos, Manuel Losada Gavilanes, Maria das Graças Cardoso, Priscila Mendes Aguiar e Vanisse de Fátima Silva // vigorevida.com.br