BONSAI

O Bonsai (árvore em bandeja) é uma arte que visa cultivar árvores em pequenos recipientes, vasos ou pedras ornamentais, inspirada em formas e proporções encontradas na natureza. Surgiu na China, no século II depois de Cristo, na dinastia Tang. Dois séculos depois, por intermédio dos monges budistas, chegou ao Japão e a partir daí se difundiu para todo o mundo. No Brasil, foi introduzido com a imigração japonesa, no início do século XX. A essência da arte está em imitar a natureza, copiando os estilos reais das florestas (ilustração) ou das árvores individualmente. Contudo, para se obter um bonsai com as características de uma árvore, deve-se ter muita paciência, atenção nos pequenos detalhes e um extremo cuidado na formação. Existe um catálogo oficial em que a maioria das formas está registrada. A seguir, estão relacionadas algumas formas:

 

Chokkan: esta é uma árvore que apresenta o tronco vertical e galhos pequenos. Os galhos são dispostos quase simetricamente, apresentando formas piramidais. Esta forma é característica de coníferas gigantes.

Moyôgi (ilustração abaixo): a maior parte da árvore está na vertical, no entanto, seu tronco é desenvolvido em espiral e apresenta copa mais densa.

Shakan: um tronco simples, inclinado para a direita ou para a esquerda. Os galhos são razoavelmente uniformes, mas devem ser mais longos no sentido contrário da inclinação do tronco.

Kengai: árvore em forma de cascata. Os galhos são pendentes abaixo do limite inferior do vaso.

Han-kengai: no estilo cascata parcial. Difere-se do Kengai apenas pela intensidade da queda, que é menor.

Bunjin: forma de árvore imitando ideogramas. Uma forma elegante, onde as folhas só se encontram no topo do tronco.

Yose-ue: duas ou mais árvores ficam reunidas em um recipiente, formando um conjunto harmonioso.

Hôkidachi: árvore vertical onde os galhos crescem com aparência de vassoura, tendo a copa bem formada.

 

Todas as espécies de plantas de caule lenhoso podem ser utilizadas para se obter um bonsai, exceto as que têm frutos ou folhas muito grandes. Isso porque no bonsai a genética da planta não é alterada e ele teria proporções fora do comum entre o tamanho de seus frutos ou folhas e seu tamanho total, o que não representaria um cenário da natureza. A seguir, estão relacionadas algumas espécies, entre dezenas de outras, que podem ser utilizadas para se obter um bonsai:

 

Ácer Japonês (Acer palmatum): existem aproximadamente 250 espécies com folhas de diferentes cores que vão do vermelho-vivo ao verde-claro. As espécies japonesas são as mais apreciadas para bonsai, embora existam outras fora do Japão, tais como o Ácer de montanha e o Ácer Ginnala.

Oliveira (Olea europaea): árvore das nossas latitudes. É muito apreciada porque sua casca, sendo nodosa, lhe confere uma rara beleza.

Romãzeira (Punica granatum): também muito apreciada por sua casca nodosa, o que lhe confere uma aparência de maturidade. Existe uma variedade anã, com frutos bem pequenos.

Pinheiros (Pinus): as cultivares mais apreciadas sãos as japonesas Pinheiro Branco, Pinheiro Negro e Pinheiro Vermelho.

Buxo (Buxus): as cultivares Microphylla do Japão e a Sempervirens são as mais apreciadas. Não se tratando de uma árvore, mas de um arbusto, é ideal para bonsai de médio tamanho.

 

Um perfeito bonsai deve ter um tronco com visual envelhecido e uma vigorosa formação de galhos e folhas. Para lhe dar forma, são utilizados arames de várias espessuras para as podas, os quais são colocados envolvendo os ramos e o tronco. O arame não deve ficar muito apertado, pois pode deixar marcas no caule e nos galhos. Sendo assim, o fio deve ser retirado e recolocado periodicamente. A poda (com equipamentos limpos e higienizados) se divide em duas etapas: formação e manutenção. A primeira é realizada no período de estabelecimento do bonsai, que geralmente é de no mínimo um ano. Consiste em retirar os galhos e folhas excedentes, deixando um aspecto de árvore adulta. A poda de manutenção consiste em retirar os ramos e raízes excedentes, e também o excesso de folhas. Deve-se cortar a raiz pivotante e o ápice caulinar; isto forçará a planta a emitir ramos e raízes laterais e ajuda a dar uma forma particular ao bonsai. No inverno, deve-se retirar todas as folhas ou reduzir o seu número para que, no verão, sejam substituídas por folhas menores.

 

Uma árvore em seu desenvolvimento normal necessita de água, a qual é obtida pelo desenvolvimento em profundidade e extensão das raízes no solo. Um bonsai é similar, necessitando de água limpa não clorada freqüentemente, principalmente no verão. É primordial que nunca se deixe os vasos com excesso de água, devendo sempre observar o escoamento desta. Quanto aos nutrientes, já é comum utilizar fertilizantes sintéticos, particularmente fertilizantes líquidos. Um fertilizante ideal para o bonsai deve ter em torno de 50% de nitrato, 30% de fosfato e 20% de potássio. É recomendado que se faça a adubação a cada três estações, e não se deve fazer a fertilização na época do florescimento e frutificação.

 

A grande questão para se escolher um bonsai é o local onde vai ficar. A maioria das pessoas gosta de tê-lo como adorno dentro de casa, outras já preferem fazer um lugar especial no quintal. Tradicionalmente, as árvores das quais são feitas bonsais vêm de regiões de florestas úmidas da China e Japão, sendo essencialmente plantas para serem cultivadas no exterior da casa. Espécies provenientes de regiões que têm clima temperado podem ser cultivadas perfeitamente dentro de casa, como o bambu, fícus e camélia japonesa.

 

Após as podas, deve-se fazer a limpeza do tronco com uma escova, retirando ervas daninhas e folhas caídas. Restos de folhas acumuladas ao redor da planta entram em decomposição, formando um meio ótimo para o desenvolvimento de fungos ou bactérias que causam a putrefação das raízes do bonsai, levando a planta à morte. Os musgos formam um ótimo refúgio para pragas e larvas. Usa-se inseticida para tratar qualquer larva ou inseto que seja encontrado nos musgos. É interessante manter toda a área do vaso limpa, deixando assim, o solo mais arejado. Para se retirar ervas daninhas, pode-se utilizar pinça de haste longa.

 

O bonsai é uma atividade artística que trabalha a sensibilidade humana, promove a criatividade e a interação entre o homem e a natureza, além de ser um ótimo exercício de paciência, perseverança e observação.

 

Fonte: Boletim Técnico nº 66 – Bonsai: Uma Arte Milenar, Editora Ufla, de Breno Régis Santos, Cristiano Martinotto, Fernanda Pereira Soares, Patrícia Duarte de Oliveira Paiva, Paulo Roberto Corrêa Landgraf, Raírys Cravo Nogueira, Renato Paiva e Tatiana Michlovska Rodrigues.