CROCODILO-DE-ÁGUA-SALGADA

O crocodilo-de-água-salgada, também conhecido como crocodilo-marinho, ou crocodilo-poroso (Crocodylus porosus) é o maior réptil existente na atualidade, e pode ser extremamente perigoso para o homem. Sua distribuição estende-se pelos Oceanos Índico e Pacífico, desde a costa leste da Índia à maior parte das ilhas da Indonésia, e da costa do Vietname até às Ilhas Salomão e Filipinas, sendo mais comum no norte da Austrália e Nova Guiné. Ele é habitualmente encontrado em rios e estuários, mas, como seu nome indica, pode também procurar ás águas das zonas costeiras de mar aberto.

 

Esses crocodilos apresentam um grande dimorfismo sexual (quando há ocorrência de indivíduos do sexo masculino e feminino de uma espécie com características físicas não sexuais marcadamente diferentes). Os machos podem medir entre 6 e 7 metros de comprimento (raramente encontrados maiores de 7 metros) e pesar até 1.500 kg, enquanto as fêmeas raramente crescem além dos 2,1 a 3 metros. A cabeça é relativamente grande em relação ao corpo e apresenta duas cristas em torno dos olhos. Enquanto jovens, os crocodilos-de-água-salgada são amarelados com riscas e/ou pintas escuras, tornando-se uniformemente escuros quando adultos. A barriga é mais clara e de cor branca ou amarelada. As maxilas têm entre 64 a 68 dentes aguçados, são movidas por músculos poderosos e podem esmagar numa única dentada o crânio de um bovino adulto.

 

O crocodilo-de-água-salgada é um animal exclusivamente carnívoro. Enquanto jovem alimenta-se de insetos, algumas espécies de crustáceos, anfíbios e pequenos peixes, mas quando adulto passa a caçar presas de maior porte como tartarugas, búfalos, macacos e outros animais que consiga apanhar. As presas são normalmente caçadas quando se deslocam para beber água nos rios, e são mortas com uma única dentada. Após a morte, o crocodilo normalmente consome a carcaça de sua vítima no fundo do rio.

 

Sua reprodução ocorre durante a estação úmida, entre os meses de março e novembro, em zonas de água salgada. Nesta época, os machos adquirem um território que defendem de intrusos, e procuram atrair as fêmeas com a emissão de sons. As posturas são feitas em ninhos construídos em terra, com lama e ramos, e nele são enterrados entre 40 a 60 ovos, que levam cerca de 90 dias para eclodirem. A determinação do sexo dos pequenos crocodilos é feita através da temperatura dos ovos durante os primeiros dias após a postura: os machos são produzidos se a temperatura estiver em torno dos 31°C; mas se as condições climáticas forem mais variáveis, as crias serão fêmeas.

 

A mãe, apesar de não ter parte ativa no processo de incubação, permanece junto ao ninho durante todo esse período, desenterrando os ovos assim que escuta o chamado das crias. E na medida em que estas vão nascendo, são levadas para a água, recebendo os cuidados maternos até o momento em que começam a nadar. Daí em diante é cada um por si, razão pela qual a maior parte morre durante os primeiros meses de vida como presa de outros animais caçadores. Mas os que vão crescendo de tamanho aumentam proporcionalmente suas probabilidades de sobrevivência.

 

Os machos adultos toleram a presença de animais mais jovens nos seus territórios, embora, às vezes, cheguem a caçá-los, mas estes acabam sendo expulsos assim que seu número alcance um determinado quantitativo considerado perigoso pelo “dono” da área. Eles então se deslocam para zonas de água salgada e percorrem o litoral até encontrarem um rio que possam marcar como seu território. A maturidade sexual é atingida entre os 10 a 12 anos para o sexo feminino e os 16 anos para o masculino.

 

Muito embora essa espécie não corra perigo imediato de extinção, algumas populações estão seriamente ameaçadas. Na Índia, por exemplo, ela já foi considerada extinta, mas hoje se tenta por lá sua reintrodução no ambiente. No Sri Lanka e Tailândia a destruição do habitat provocou seu desaparecimento, enquanto na Birmânia eles subsistem apenas em criatórios especializados. Somente na Austrália e Papua-Nova Guiné encontram-se populações estáveis desses crocodilos, graças a programas integrados de conservação elaborados pelas autoridades locais.

 

Um crocodilo-de-água-salgada de 5 metros foi flagrado por turistas no Parque Nacional Kakadu, na Austrália, devorando um tubarão touro (ilustração acima). A vítima já havia sido partida em dois quando os turistas começaram a registrar o resultado do duelo de gigantes. Segundo reportagem do Heral Sun, de 16/10/2007, Dean Cameron, guia do parque, declarou acreditar que o tubarão tinha pelo menos 3 metros de comprimento. “Teria sido incrível ver (o ataque), uma seqüência incrível da vida selvagem'” disse Cameron à reportagem. “O crocodilo deve ter atacado o tubarão durante a noite e o levado para um banco (de areia) a fim de comê-lo”, esclareceu o guia. Dois barcos com 45 turistas estavam atracando durante um passeio, quando as pessoas observaram o banquete do réptil gigantesco. Segundo a reportagem, não é a primeira vez que um crocodilo é visto devorando um tubarão. Em 24 de março, turistas também registraram a ação no Rio Adelaide.