SOLSTÍCIO

Solstício é o tempo em que o Sol, tendo se afastado ao máximo do equador, parece ficar estacionado por alguns dias, antes de aproximar-se novamente da linha imaginária que divide a Terra em dois hemisférios.


Como se sabe, o Sol, em seu movimento aparente, descreve uma grande trajetória de formato oval, cujo plano (vide ilustração) não coincide com o equador terrestre. Dá-se a essa trajetória o nome de elíptica. Os círculos menores da esfera celeste, cujos planos são paralelos ao equador terrestre e passam pelos pontos de máxima elevação e depressão da elíptica (vide ilustração abaixo), são, respectivamente, denominados trópicos de Câncer e de Capricórnio, o primeiro no hemisfério Norte, e o segundo no hemisfério Sul. Os pontos de tangência, ou seja, aqueles em que as linhas imaginárias de ambos se encontram com o da elíptica, são chamados solstícios.

 

Os solstícios são opostos para os habitantes dos dois hemisférios, pois quando no hemisfério Norte é solstício de verão, no hemisfério Sul ele é de inverno, e vice-versa.

 

Durante o movimento elíptico que a Terra faz em torno do Sol (translação), o planeta muda constantemente de posição, o que proporciona diferentes intensidades de iluminação em suas partes. Os solstícios são, portanto, os momentos em que o Sol atinge a maior declinação em latitude em relação à linha do Equador, incidindo com maior intensidade em determinado hemisfério.

 

Eles ocorrem duas vezes por ano, por volta dos dias 21/22 de dezembro e 21/22 de junho, que são, justamente, as datas de início das estações climáticas do verão e inverno, dependendo do hemisfério. Nos solstícios de verão, ocorrem os dias mais longos do ano; e nos de inverno, as noites mais longas. E é em função dos solstícios que os trópicos de Câncer e Capricórnio são definidos, uma vez que durante esses fenômenos os raios solares incidem perpendicularmente (a pino) sobre tais paralelos.

 

Em 21/22 de dezembro, portanto, o hemisfério Sul recebe mais luz solar devido à inclinação do eixo terrestre, marcando assim o início do verão nesta região, e conseqüentemente, a chegada do inverno no hemisfério Norte. Mas em 22/23 de junho, quando a Terra se encontra em posição inversa, o hemisfério Norte é que está mais voltado para o Sol, de maneira que recebe mais luz, marcando assim o início do verão neste hemisfério e início do inverno no hemisfério sul. Já em 21 de março e 23 de setembro, a Terra se encontra em posições tais que ambos os hemisférios são igualmente iluminados, marcando assim o início das 'meias estações', outono e primavera.

 

Quanto aos círculos polares Ártico e Antártico, eles delimitam as regiões que não receberão luz solar durante os solstícios de inverno. Ou seja, durante tais fenômenos essas regiões terão uma noite de 24 horas interruptas.

 

Desde a Antigüidade, os solstícios eram observados e estiveram ligados à cultura do homem. O de inverno representava para muitas civilizações pagãs ancestrais, o fim da escuridão e a vitória da luz, uma vez que nesta ocasião ocorre a maior noite do ano. Tal tradição foi assimilada pela civilização romana e passou a fazer parte de sua cultura por muito tempo. Com a introdução do cristianismo no Império Romano houve por parte da Igreja Católica uma tentativa de cristianizar os festivais "pagãos".

 

Segundo pesquisadores, existem indícios de que a data de 25 de Dezembro foi escolhida no século 4 para comemorar o nascimento de Jesus Cristo. Há evidência bíblica de que Ele não teria nascido durante o inverno, mas com a escolha dessa data conseguiu-se aproveitar a popularidade das saturnálias, uma antiga festividade da religião romana dedicada ao templo de Saturno e à mítica Idade de Ouro. Ela era celebrada todos os 17 de Dezembro, mas ao longo dos tempos foi alargada à semana completa, terminando a 23 de Dezembro (ilustração acima).

 

Tal festa era realizada de duas formas: um ritual público organizado pelo estado, e um privado, celebrado pelas famílias. Neste, elegia-se um mestre de cerimônias cujas roupas coloridas destacavam o vermelho, tal como acontece com o nosso Papai Noel. Mas com a conversão de Constantino I (ou Constantino, o Grande) ao cristianismo (em 312), o feriado pagão mais popular da época não podia ser extinto, e por isso foi transformado. Muitos dos costumes natalinos dos dias de hoje são herança direta da celebração romana misturada com teologia cristã e outros costumes da época, como o aniversário de Mitras, também em 25 de dezembro.