REI ARTHUR

Arthur, rei do país de Gales que parece ter vivido entre os séculos 5 e 6 da Era Cristã, é a figura central de um grande ciclo de romances de cavalaria. Por volta do ano 500 ele comandou vitoriosamente os bretões contra os saxões, mas, além disso, quase nada se sabe concretamente de sua vida. A vasta literatura pseudo-histórica que cresceu em torno do seu nome a partir do século 9, reflete tradições folclóricas aliadas a conceitos mitológicos (na ilustração, o rei Arthur em uma escultura alemã renascentista)

 

Segundo a lenda ele nasceu no Castelo Tintgatel, na Cornualha, em data desconhecida, e viveu em Caerleon, Gales, com sua esposa Guinevere; instituiu a Ordem dos Cavaleiros da Távola Redonda, célebres por suas proezas; caçou o fabuloso urso Twrch Trwyth; conquistou muitas terras; viu-se traído por sua mulher e seu cavaleiro mais querido; ferido mortalmente na batalha de Camlan, movida contra seu sobrinho Medraud, foi levado para Avalon por três rainhas de fadas, de onde deverá voltar quando se tornar necessário ao seu país.

 

Os cantores bretões espalharam praticamente por toda a Europa Ocidental o chamado ciclo da Távola Redonda, que figura não só nos poemas épicos franceses e alemães, como também em poemas populares da Sicília e outros mais. Em Portugal o ciclo teve grande aceitação, sobretudo após o casamento do Mestre de Avis com Filipa, filha do Duque de Lancaster, embora, anteriormente, já fosse conhecido graças às colônias borgonheses e provençais em terras lusitanas, e ao contato, nas Cruzadas, entre cavaleiros de diferentes nacionalidades.

 

Foi dessa forma que se começou a construir a lenda sobre um rei dos bretões, líder de virtuosos cavaleiros que se reuniam em torno de uma mesa redonda. O primeiro registro histórico sobre Arthur aparece na obra “Historia Britonnum”, escrito em latim por volta do ano 830, onde são relatadas doze batalhas disputadas por ele, que é mencionado na obra não como rei, mas sim como "dux bellorum" (chefe guerreiro). Elas alcançam a seu ponto máximo na Batalha do Monte Badon, onde o autor diz que Arthur matou sozinho cerca de 960 homens. Estudos recentes questionam, porém, a utilidade do livro como fonte histórica deste período.

 

São muitas as versões sobre as histórias do Rei Arthur, embora seus autores geralmente esclareçam que o folclore acrescentou a elas elementos místicos, entre eles a figura do mago Merlin, da Dama do Lago, da espada Excalibur e da ilha mágica de Avalon. Ao longo do tempo, inúmeras outras influências fizeram com que a história ganhasse uma série de variações.


A popularidade da narrativa fora da Grã-Bretanha se deu a partir da publicação da obra “Historia Regum Britanniae”, escrita por Geoffrey de Monmouth no século 12. Desde essa época foram incorporados temas como o relacionamento adúltero entre Lancelot, um dos cavaleiros da Távola Redonda (na ilustração abaixo), e Guinevere, a esposa de Arthur, ou o fato de que ele precisou retirar Excalibur de uma rocha para provar ser o herdeiro do trono.

 

A maioria dos historiadores modernos contesta a existência real do Rei Arthur e os personagens que giram em torno desse épico medieval. Mas isso não diminui a atração pela literatura arturiana, uma lenda viva no cinema, teatro, televisão, revistas e mídias em geral. Entre as produções cinematográficas sobre ele figuram Excalibur (1981); O Primeiro Cavaleiro (1995); Coração de Dragão (1996); As Brumas de Avalon (2001); O Aprendiz de Feiticeiro (2002); O Rei Arthur (2004); e A Busca pelo Santo Graal (2006).

 

O filme de 1975, "Em Busca do Cálice Sagrado", criado e interpretado pela trupe britânica de comédia Monty Python, é uma paródia das lendas arturianas. Para muitas pessoas, esse filme é a primeira coisa de que se lembram quando ouvem o nome "Rei Arthur". No filme, Arthur viaja pela Grã-Bretanha recrutando cavaleiros para compor os Cavaleiros da Távola Redonda. Então, Deus ordena que os cavaleiros procurem pelo Santo Graal. Embora muitos dos personagens e lugares sejam de várias lendas arturianas, não há provas que sustentem a existência da Sagrada Granada de Mão de Antióquia, do Coelho Assassino de Caerbannog ou dos Cavaleiros que Dizem "Ni!". "Em Busca do Cálice Sagrado" ainda possui um grande número de fãs e serviu como base para o musical da Broadway vencedor do prêmio Tony, "Spamalot". Esse não foi o primeiro musical popular sobre o Rei Arthur. "Camelot", de Lerner e Loewe, em 1960, também ganhou vários prêmios Tony.

 

Nessa lenda do Rei Artur, que narra a união do povo que formaria a Grã-Bretanha, a luta do bem contra o mal e o poder do amor são os seus principais temas, sendo também o motivo dela continuar gerando inúmeras versões literárias e cinematográficas. Caso seja inspirada em alguma figura histórica da antiguidade ou Idade Média, ou então pura invencionice mitológica sem nenhuma ligação com qualquer personagem real, talvez nunca se saiba. Mas isso pouco importa para os amantes desse tipo de literatura.

 

Fonte: HowStuffWorks e Enciclopédia Mérito