O folclore de diversos povos é rico em histórias de gigantes. A Bíblia também. Em Gênesis 6:4, por exemplo, está escrito que “naquele tempo, gigantes viviam sobre a terra, como também daí por diante, quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos homens e elas geravam filhos”. O mais célebre deles foi Golias, morto por Davi. Em Samuel, 17:4, consta que “Saiu do campo dos filisteus um campeão chamado Golias, de Get, cujo talhe era de seis côvados (cada um com 45 centímetros) e um palmo (22,5 centímetros). O cabo de sua lança era como o cilindro de um tear, e sua ponta pesava seiscentos siclos de ferro (cada um correspondente a 11,4 gramas)”.
No Livro de Enoc (filho de Caim, não incluído nas Escrituras, consta em sua primeira parte (são cinco) que a Terra era povoada por homens e anjos, estes enviados por Deus para ensinar àqueles as leis do universo. Mas alguns dos mestres se acasalaram com mulheres terrenas, nascendo dessa união os gigantes nefilins, criaturas ferozes que matavam e devoravam os humanos. Deus se enfureceu com isso, e como castigo lançou os anjos decaídos num lugar de trevas.
Normalmente traduzida como gigante, a palavra nefilim tem significado até certo ponto incerto, podendo referir-se não só à estatura humana, como também a características de ferocidade, degradação de caráter ou de nascimento ilegítimo. A Bíblia refere-se a eles com certa freqüência, assim como também a grupos de gigantes chamados anaquins, refains, emins e outros mais, mortos pelos israelitas. Entre os que sobreviveram encontrava-se Og, rei de Bazan, ao norte da atual Jordânia, “único que restava da raça dos refaim. Vê-se ainda o seu sarcófago de basalto, em Rabbat, cidade dos amonitas. Tem nove côvados (4 metros) de comprimento e quatro de largura (1,78 metros), em côvados de homem”. Em Crônicas (20:6), outra referência a gigantes diz que “Houve ainda um combate em Get. Lá havia um homem de alta estatura que tinha seis dedos em cada mão e em cada pé, ao todo vinte e quatro. Ele provocava Israel, e Jônatas, filho de Sama, irmão de Davi, o matou”.
Na mitologia de povos de língua indo-germânica (inglês, alemão, norueguês, sueco, dinamarquês e outros), há reminiscências de gigantismo. Os gregos imaginaram os ciclopes ora como gigantes, ora como seres monstruosos, disformes e com apenas um olho no meio da esta, ora ainda sob outras formas, com asas de dragão e habitando lugares vulcânicos para onde teriam sido banidos após a guerra com os deuses.
Desde fins do século 19 restos fossilizados de gigantes têm sido descobertos em diferentes locais, o que serve, para muitos, como comprovação de que há 5.500 anos a estatura humana era realmente mais elevada que a atual. Alguns desses achados mereceram ampla divulgação na época em que foram encontrados, provocando intermináveis discussões sobre a autenticidade ou falsidade do que era apresentando ao público. Até hoje jornais e revistas continuam tratando do assunto, como na nota abaixo:
Em 1876 chegou em Londres um gigante fossilizado de 3,65 metros com 6 dedos no pé direito (primeira ilustração). Ele foi desenterrado por Mr. Dyer durante uma operação mineira em County Antrim, Irlanda. Em seguida foi levado para exposição em Dublin, Liverpool e Manchester. Numa edição de dezembro de 1895, a revista British Strand Magazine publicou uma foto do fóssil tirada no depósito de mercadorias da Broad Street da Companhia de Estrada de Ferro North-Western, sendo mais tarde reimpressa no livro Traces of the Elder Faiths of Ireland, de W. G. Wood-Martin.
Outro relato diz que “No final da década de 1950, durante a construção de uma estrada a sudeste de Homs, no Vale do Eufrates, sudeste da Turquia, região próxima àquela onde Noé viveu após o dilúvio, foram encontradas várias tumbas de gigantes. Elas tinham 4 metros de comprimento, e dentro de duas estavam ossos da coxa (fêmur humano) medindo cerca de 120 centímetros de comprimento. Calcula-se que esse humano tinha uma altura de aproximadamente 4 metros e pés de 53 centímetros. Um dos ossos estava sendo comercializado pelo Mt. Blanco Fossil Museum, na cidade de Crosbyton, Texas, EUA, ao preço de 450 dólares”. .
Nos dias atuais ainda existem homens muito altos, não tão altos como os gigantes de antigamente, mas mesmo assim de estatura bem mais elevada que a grande maioria da população. É o caso, por exemplo, dos jogadores de basquete e vôlei, um bom número deles com altura superior a dois metros, mas que mesmo assim não chegam perto de Robert Pershing Wadlow (na ilustração acima), nascido em Alton, no estado de Illinois, em 22/02/1918, e falecido em 15/07/1940. Seus 2,72m de altura fizeram com que seu nome fosse inscrito no livro de recordes.
Diante disso, duas indagações merecem resposta: Será que existe alguma ligação entre os gigantes de ontem e os homens muito altos de hoje? Será que a herança genética dos “anjos decaídos” veio sendo transmitida através dos tempos, de geração para geração, até chegar ao nosso tempo?