CORRUPTO
Decápode é uma ordem de crustáceos que compreende, entre outros, os camarões, as lagostas e os caranguejos. São geralmente marinhos e raramente terrestres, possuem olhos pedunculados (apoiados sobre faixas de fibras nervosas em forma de haste), cinco pares de patas ambulatórias (com as quais caminham) e três pares de maxilípedes (apêndice torácico modificado para auxiliar a mastigação).
Desse grupo faz parte o corrupto (Lysiosquilla scabricaud), um crustáceo encontrado no litoral brasileiro. Ele tem aproximadamente 20/25 centímetros de comprimento e vive em praias rasas de areia fina, sempre próximo à linha da água, em profundas tocas verticais escavadas por ele próprio ou então aproveitando as feitas por outros animais Quanto maior o buraco, maior também o tamanho do seu ocupante. Geralmente esses buracos ficam expostos apenas durante a maré baixa - 0,2m ou mais -, razão pela qual os que desejam capturá-lo precisam observar a tábua das marés, escolhendo o dia e hora em que ela esteja em seu ponto mínimo. Segundo consta, eles têm o apelido de Corruptos porque são muitos, não "aparecem", e sua captura é difícil.
Os corruptos têm o abdome com coloração amarelada, e sendo carnívoros, alimentam-se não só de matéria orgânica em decomposição mas também caçando pequ enos animais como camarões, caranguejos, moluscos, peixes e até mesmo os da sua mesma espécie. Seu primeiro par de patas, na verdade garras em formas de pinças e muito desenvolvidas, são usadas tanto para atacar a presa como para se defender. Quanto ao urópodo, apêndice descendente localizado no último segmento de seu corpo (veja na ilustração ao lado), quando aberto também funciona para defesa fechando a galeria em que ele está instalado.
Sobre seu sistema de reprodução, sabe-se que as fêmeas da espécie desovam no local onde se abrigam, e quando se sentem em perigo, enrolam os ovos como uma bola e os prendem junto ao corpo, até encontrarem outro abrigo mais protegido.
A poluição dos mares e a destruição de seu habitat natural são dois fatores que ameaçam a sobrevivência da espécie. A eles associa-se uma terceira, que é a captura desses crustáceos para a pesca de robalo. Nas revistas de pesca encontram-se textos onde se afirma que há mais de vinte anos os corruptos, por serem excelentes iscas para peixes marinhos, vêm sendo capturados e utilizados por pescadores amadores ao longo das praias oceânicas do litoral brasileiro, desde a costa nordeste até a costa sul. E também explicam que por terem eles estrutura extremamente delicada, devem ser amarrados ao anzol com uma linha especial – elastricot -, mas sem apertar demais.
Segundo a recomendação, eles podem ser iscados inteiros ou em pedaços, esticados ou dobrados, formando uma "bolota". Neste último caso, ensinam os entendidos, “dobre-o, corte metade da cauda e da cabeça, passando o anzol através destas, sem perfurar a parte central do corpo. Uma maneira de utilizá-los inteiros é prendê-lo num anzol Wide Gap 1/0, entrando pela ‘nuca’, passando pelo interior do corpo e saindo numa placa do meio do rabo, de modo a deixar as patas expostas. Este é um excelente método para peixes de boca grande como o Robalo”.
A captura desses pequenos animais, ainda segundo as revistas especializadas, é feita com a utilização de uma bomba de sucção. “Na parte úmida em que as ondas vão e voltam, procure por eles nos buracos de onde saem jatos de água e areia. As melhores marés são que possuem maior variação de amplitude (luas nova e cheia). Quando a maré estiver baixa, abaixo de 0,30 – 0,2 m, a chance de encontrar os corruptos será maior. Essa isca é usada na pesca de certas espécies de passagem, como o Xaréu e de todas as que habitam o costão, como a Salema”.