SEM PEIXE (MG)

O município de Sem Peixe está situado em uma região montanhosa do estado de Minas Gerais, na bacia do rio Doce. Segundo o histórico da cidade publicado pelo IBGE, as lembranças do passado revelam que o povoamento da região iniciou-se por volta das últimas décadas do século 19, a passos lentos por causa dos índios, da dificuldade geográfica e das doenças. As estradas eram trilhas e a vegetação abundante.
Em 2010, segundo recenseamento feito pelo IBGE, a população era de 2.847 sempeixianos distribuídos em uma área de 176.634km2, o que corresponde à densidade demográfica de 16,12 habitantes por quilômetro quadrado.
O nome primitivo do lugar era São Sebastião do Sem Peixe, que lhe foi dado pela lei provincial 3.354, de 09/10/1885, data da criação do distrito, e confirmado pela lei estadual de número 2, em14/09/1891, subordinando-o ao município de Alvinópolis. Muitos anos depois, em 07/09/1923, a lei estadual 843 alterou-lhe o nome, passando a denominá-lo simplesmente de Sem Peixe. Em 1938, pelo decreto-lei estadual 148, de 17 de dezembro daquele ano, o distrito de Sem Peixe foi transferido para o novo município de Dom Silvério (anteriormente chamado de Arraial da Saúde), assim permanecendo até o dia de sua emancipação política.
Desmembrado do município de Dom Silvério, o então distrito de Sem Peixe tornou-se independente através da Lei 12.030, de 21 de dezembro de 1995, mas assumiu efetivamente essa condição em 01 de janeiro de 1997. A origem de seu nome está ligada a uma lenda indígena que sobreviveu à passagem do tempo. Diz ela que quando índios nômades passaram pela região, foram pescar em um rio ou córrego local, mas não encontrando peixe suficiente trataram de procurar outro lugar que lhes pudesse oferecer pescaria mais proveitosa. E justificaram a saída com a palavra “piracuera”, que na língua indígena quer dizer “aqui não tem peixe”.
Em seu livro “Sem Peixe em Pequenas Gotas”, a historiadora Inácia Maria Paiva Nascimento revela que o município conta com inúmeras comunidades rurais (ou capelas como são chamadas), de maioria católica. Quanto à educação, lá se encontra instalada uma escola estadual de ensino fundamental (5ª a 8ª serie) e ensino médio, uma escola de educação infantil e duas municipais de ensino fundamental, sendo uma delas localizada na comunidade de São Bartolomeu.
A zona urbana – esclarece a historiadora - compõe-se de vinte e nove ruas e uma praça. Os nomes das ruas homenageiam uma devoção especial ou pessoas de vida marcante no lugar: fazendeiros, políticos, lideranças comunitárias ou religiosas, funcionários públicos e comerciantes.
A base da economia é a agropecuária, produzindo gado de corte e leite, milho, cana-de-açúcar e feijão, culturas essas favorecidas pelo tipo de solo de textura média, distribuído em um relevo 30% plano, 20% ondulado e 50% montanhoso.. A altitude mínima é de 212 metros, sendo que a sede do município localiza-se em uma área situada a 300m de altitude. A temperatura média é de 23°C, com máxima de 35 e mínima de 11 graus. O município e banhado pelo Rio Doce na zona limítrofe com os municípios de Rio Casca e Santa Cruz do Escalvado, mas também faz divisa com Dom Silvério e São Domingos do Prata.
O livro da historiadora Inácia Maria Paiva Nascimento preserva a memória de muitos dos que ajudaram a cidade a nascer e crescer. Como, por exemplo, resgatando a informação de que no cartório local encontram-se primeiros livros de registros de óbitos, nascimentos e casamentos, datados de 1897. O juiz de paz era o senhor Pedro Alexandrino de Barros, que registrou a abertura dos primeiros livros em 29/01/1897, juntamente com o escrivão senhor João Ferreira de Oliveira. O livro de óbitos registra o primeiro falecimento em 5/02/1897, sendo a defunta chamada Basília Maria, com 21 anos, declarada morta por Francisco Ferreira Matoso. Seus pais eram Raimundo Gonçalves Dias e Joaquina de tal.
Ou a do primeiro casamento registrado na nova Sem Peixe, que foi o de María Marculina de Oliveira e Barreto Soares (nome presumível por causa da caligrafia). Já em 28/02/1897 anotou-se o primeiro nascimento, que foi o de Antonio Ferreira Benfica, filho de Aprígio Ferreira Benfica e Ana Ferreira de Carvalho, residentes em um lugar chamado Praínha. O pai da criança compareceu ao cartório no dia 08/02/1896, mas o registro foi feito em 25/02/1897. Como testemunhas e declarantes aparecem nestes livros os nomes de Inácio Antônio Novais, José Procópio Souza, João Gualberto de Barros, Luiz Soares de Carvalho, Silvério Ferreira de Oliveira, Acácio Rodrigues Frade e sua esposa Ricardina L. Frade, Francisco Bento de Abreu e outros, sendo que muitas vezes o escrivão usava a expressão fulano... de tal para nomear pessoas das quais só se sabia o primeiro nome. Concluí-se então, explica a historiadora, serem estes alguns dos primeiros moradores da região.