VINHO
Na mitologia grega, Dionísio (Baco, para os romanos), filho de Zeus e da princesa Semele, conhecido como o deus do vinho, é a única divindade que teve como mãe uma mortal. Diz a lenda que Zeus, o deus supremo, depois de conceder a Sêmele um pedido que a levou à morte, entregou Dionísio às ninfas, que cuidaram dele durante a infância. Ao se tornar homem, ele se apaixonou pela cultura da uva e descobriu a arte de extrair-lhe o suco.
Porém, a inveja de Hera levou Dionísio a ficar louco e vagar por várias partes da Terra. Quando passou por Frigia, a deusa Réia o curou e o instruiu em seus ritos religiosos. Curado, ele atravessou a Ásia ensinando a cultura da fruta. Quis introduzir seu cultivo na Grécia, depois de voltar triunfalmente da sua expedição à Índia, mas encontrou oposição de alguns príncipes receosos do alvoroço causado por ele. Por causa dessa sua paixão pela cultura da uva, Dionísio após sua morte, passou a ser cultuado pelos gregos como sendo o deus do vinho.
O vinho constitui uma bebida alcoólica obtida pela fermentação espontânea do suco da uva madura, chamado mosto. Este é constituído de aproximadamente 4/5 de água e o restante de açúcar (glicose), além de pequenas quantidades de ácidos orgânicos, substâncias corantes, matérias protéicas e sais minerais. A qualidade de um vinho não depende apenas das condições em que se desenvolveu a fermentação, mas também das diferentes quantidades de elementos do mosto. Influem sobre estes fatores a variedade da uva, as características individuais do vinhedo (idade, exposição, sistema de cultivo, etc.), o terreno, o clima da região, as condições meteorológicas do ano, o grau de maturação dos frutos, etc.
O vinho possui uma longa história. Pesquisas arqueológicas levam a acreditar que sua produção tenha se iniciado entre 6.000/5.000 a.C, na região da atual Geórgia (fronteira entre Europa e Ásia), Irá e China (Ásia), enquanto evidências mais recentes indicam que a domesticação da videira ocorreu no início da Idade do Bronze, por volta de 3.300 a.C, em terras da antiga Suméria, atual Curdistão, e Egito.
As mais antigas evidências relativas à sua produção na Europa, são originárias de sítios arqueológicos na Grécia, datados de 6 500 a.C. Foram os antigos gregos que introduziram o cultivo de videiras nas suas numerosas colônias na Itália, França e Península Ibérica. Muitas das principais regiões vinícolas da atual Europa Ocidental foram estabelecidas pelos romanos, que durante o tempo em que mantiveram o poder de seu império melhoraram a tecnologia de fabrico do vinho, a qualidade das variedades então conhecidas, e técnicas de seu cultivo. É dessa época a criação dos barris para a armazenagem e transporte da bebida.
Desde o tempo dos romanos pensava-se que o vinho (eventualmente misturado com ervas e minerais) tivesse também propriedades medicinais. Nesses tempos, não era invulgar dissolverem-se pérolas no vinho para conseguir mais saúde. Cleópatra criou a sua própria lenda ao prometer ao romano Marco António que ela beberia o valor de uma província numa taça de vinho, após o que engoliu uma valiosa pérola colocada numa taça com a bebida. Durante a Idade Média, a Igreja Cristã apoiava firmemente o vinho, o qual era necessário para a celebração da missa católica. Em locais como a Alemanha, a cerveja foi considerada pagã e bárbara, e por isso banida, enquanto que o consumo de vinho era visto como civilizado e sinal de conversão. O vinho era tão venerado, e o seu efeito tão temido, que foram elaboradas teorias sobre qual seria o melhor material para fabricação de taças, a fim de evitar seus efeitos secundários considerados indesejáveis.
A constituição química das uvas permite que estas fermentem sem que lhes sejam adicionados açúcares, ácidos, enzimas ou outros nutrientes. Apesar de existirem outros frutos, como a maçã, ou algumas bagas que também podem ser fermentadas, os "vinhos" daí resultantes são geralmente designados em função do fruto a partir do qual são obtidos (vinho-de-maçã), e são genericamente conhecidos como vinhos de frutas. O termo vinho, ou seus equivalentes em outras línguas, é definido por lei em muitos países.
No Brasil, é considerado vinho a bebida obtida pela fermentação alcoólica de mosto de uva sã, fresca e madura, sendo proibida a aplicação do termo a produtos obtidos a partir de outras matérias-primas. Essa fermentação é feita por vários tipos de leveduras que consomem os açúcares presentes nas uvas transformando-os em álcool. Dependendo do tipo de vinho, podem ser utilizadas grandes variedades de uvas e de leveduras.
A qualidade da uva tem enorme influência sobre o sabor e qualidade do vinho, por isso a vindima deve ser realizada no tempo certo. Uma vindima antes do tempo resulta em um vinho aguado, com baixa concentração de açúcar e, consequentemente, de álcool. Se a uma vindima for tardia, a uva produzirá um vinho rico em álcool, mas com pouca acidez. Os fatores fundamentais que influem na vindima:
Em 2007, os cinco maiores produtores de vinho do mundo foram a Itália (8.519.4l8 litros); a França (6.500.000); a China (6.250.000); os Estados Unidos (6.105.000); e a Espanha (6.013.000). O Brasil foi o 10º maior produtor, com 1.341.806 litros.
Fonte: Wikipédia