NUDEZ COMO PROTESTO

NUDEZ COMO PROTESTO

 

A matéria foi publicada na Coluna do Ricardo Setti, Revista Veja, em 20/11/2011, e mostra uma seqüência de imagens de Aliaa Elmahdy, jovem egípcia que posou para a câmara vestindo apenas meias e sapatilhas. Em seu blog, que até agora já recebeu mais de 30 mil visitantes interessados na leitura do texto escrito pela moça, ela exibe a nudez do próprio corpo em um ato que considera ser “um grito contra a sociedade da violência, do racismo, do sexismo, do assédio sexual e da hipocrisia”.

 

E sugere aos que visitam o seu cantinho blogueiro: “Tirem suas roupas e se olhem no espelho, queimem os corpos que desdenham e desprendam-se de seus complexos sexuais para sempre, antes de me lançar acusações racistas ou me negar a liberdade de expressão”

 

O texto de Ricardo Setti informa que por seu “desprendimento” a moça não só “tem sido ameaçada, mas também vem motivando o debate sobre a liberdade de expressão na conservadora sociedade egípcia”. Esse debate, segundo o jornalista, gerou elogios de internautas do mundo inteiro, que elogiaram a coragem da iniciativa de Aliaa. O outro lado da história é que o inusitado protesto foi muito criticado no Egito, “onde a nudez ainda é um forte tabu e a maioria de mulheres se cobre com o véu islâmico ou com o niqab, que esconde todo o corpo, exceto os olhos”.

 

Para complicar o ambiente (porque política é a arte de confundir e tumultuar as coisas simples), as fotos em nada agradaram aos partidos liberais, pois seus dirigentes temem que os radicais islâmicos as utilizem para atacar os partidos durante a campanha eleitoral que precede a próxima eleição de novos parlamentares. Tanto que a feminista Ruwayda Mustafah publicou no Twitter que “Os liberais egípcios serão vistos agora como se estivessem a favor do nudismo, e isso pode realmente estragar sua campanha eleitoral”. (As fotos acima são de Kevin Ducret)

 

O colunista Ricardo Setti esclarece em seu texto “que aos temores dos liberais se soma o fato de que Aliaa se declara ateia em um país fortemente religioso, onde os insultos ao islã são castigados por lei”. A jovem ativista em sua conta no microblog, não hesita em dizer que  “Ignorância, injustiça, superstições e ausência de civilização equivalem ao islã”.

 

O atual namorado de Aliaa, conhecido pelo pseudônimo de Karim Amre, foi condenado a quatro anos de prisão em 2007 por criticar o islã, ainda sob o regime de Hosni Mubarak – transformando-se no primeiro blogueiro egípcio condenado à prisão. Mas depois da Revolução do 25 de Janeiro e da queda do presidente, vários blogueiros e ativistas egípcios também foram condenados por criticar a religião islâmica.