BALZAQUIANA
Balzaquiana é um termo aplicado às mulheres que estão na faixa dos 30 anos. Embora tenha gente que procure dar à palavra um sentido pejorativo, de pouco caso ou negativo, é aos 30 anos que elas chegam ao seu ápice, tornando-se mais maduras, mais realistas, mais vividas, esbanjando, então, sensualidade e realização.
A atriz Rita Hayworth (na ilustração) foi um exemplo disso: ao entrar nessa faixa de idade, a diva dos anos 1940 encantou o mundo com sua beleza, seu carisma e sua sensualidade.
Essa expressão surgiu logo após a publicação do livro “As Mulheres de Trinta Anos”, em 1831/1832. Seu autor, o francês Honoré de Balzac (1799-1850), foi um prolífico escritor que se notabilizou pelas agudas observações psicológicas inseridas em suas obras. O mais importante de seus trabalhos, A Comédia Humana, reúne 95 romances, novelas e contos que procuram retratar todos os níveis da sociedade francesa da época, em particular a florescente burguesia após a queda de Napoleão Bonaparte, em 1815.
Na opinião de alguns críticos, em “As Mulheres de 30 Anos” Balzac realiza uma análise do destino das jovens na primeira metade do século 19, em particular dentro do casamento. E faz uma apologia às mulheres de mais idade, que já amadurecidas, podem desfrutar do amor em sua maior plenitude. É o que acontece a Júlia, heroína da narrativa. Ela se casa com um oficial do exército, mas depois descobre que a relação está longe de ser o que imaginava. Vê-se, então, presa a um matrimônio infeliz. Porém, quando se torna uma trintona a moça consegue encontrar o amor nos braços de Carlos Vandenesse.
Sobre as chamadas balzaquianas, o escritor afirma em certo trecho de sua obra que "Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz... obedece a um sentimento consciente. Escolhe... dando-se. A mulher experiente parece dar mais do que ela mesma, ao passo que a jovem, ignorante e crédula, nada sabendo, nada pode comparar nem apreciar... Uma mulher... se esconde sob mil véus... Afaga todas as vaidades... Chegando a essa idade, a mulher sabe consolar em mil ocasiões em que a jovem só sabe gemer. Enfim, além de todas as vantagens de sua posição, a mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça".
Segundo Aventuras na História (guiadoestudante.abril.com.br), ao referir-se à mulher madura com todos os seus anseios e limitações de uma época bastante conservadora, Balzac duplicou a idade do amor, Diz esse texto que até então, na ficção ou na vida real, o amor era privilégio das jovens. Porém, "Balzac valorizou a mulher mais velha, expressando sua vitalidade e mostrando-a como sedutora, explica Maria Cecília Queiroz de Moraes Pinto, professora de Literatura Francesa da USP. “A Mulher de 30 Anos” é um romance escrito entre 1828 e 1844, época em que a sociedade francesa assistia ao período de Restauração, após a queda de Napoleão Bonaparte, em 1815, e início das mudanças sociais provocadas pela Revolução Francesa. Os valores burgueses aparecem na literatura. Os personagens Carlos de Vandenesse e Julia D’Aiglemont apaixonam-se perdidamente. Ambos têm 30 anos, mas Carlos é um "homem jovem" e Julia uma mulher "mais velha". Ela é tão submissa que seu recato e resignação encantam o rapaz. Ele tece uma vasta lista de comparações entre jovens e maduras e, em todos os quesitos, a balzaquiana é superior.
Desde Balzac, a balzaquiana vem sendo cantada em verso e prosa por um grande número de compositores e poetas. Uma das músicas de maior sucesso sobre esse tema, composta por Luis Antônio e interpretada com enorme sucesso pelo cantor Miltinho, tem justamente esse título “Mulher de Trinta”, e diz em sua letra que:
Você mulher / Que já viveu / Que já sofreu / Não minta / Um triste adeus / Nos olhos seus / A gente vê mulher de trinta.
No meu olhar / Na minha voz / Um novo mundo sinta / É bom sonhar / Sonhemos nós / Eu e você / Mulher de trinta.
Amanhã sempre vem / E o amanhã pode trazer alguém