1852 – BATALHA DE MONTE CASEROS
Argentina

Em Caseros, cidade localizada na área metropolitana da Grande Buenos Aires, travou-se em 03 de fevereiro de 1852 o combate decisivo na guerra em que forças brasileiras enfrentavam as do ditador argentino João Manuel de Rosas, pois foi ela que deu fim ao poder do déspota. Decidiu a vitória o arrojo com que a divisão brasileira carregou à baioneta o centro das forças adversárias, tomando-lhe 24 peças de artilharia e uma bandeira. Distinguiu-se nessa peleja o então tenente-coronel Manuel Luis Osório, futuro general Osório, que comandava o segundo regimento de cavalaria.
Diante do resultado adverso o ditador argentino tratou então de recuar, fugindo do campo de ação acompanhado por um assistente e entrando disfarçado de marinheiro em Buenos Aires, onde se refugiou na casa do Encarregado de Negócios da Inglaterra. Na noite daquele mesmo dia ele embarcou em um navio inglês que o transportou para Londres, onde passou os últimos vinte anos de sua vida.
Tendo subido ao poder em dezembro de 1828, João Manuel de Rosas, chefe do Partido Federal argentino, perseguiu implacavelmente os que não pertenciam ao seu grupo político, obrigando diversos deles a buscar refúgio nos países vizinhos. Na Guerra dos Farrapos, que aconteceu no Rio Grande do Sul, ele apoiou a República de Piratini proclamada por Bento Gonçalves, líder dos farroupilhas, da qual, em 1839, recebeu oficialmente um embaixador.
Além do exército regular, Rosa criou em 1840 o famoso bando dos mazorcas, encarregados de assassinar os suspeitos. E procurou também subjugar Montevidéu, que se tornara refúgio dos perseguidos políticos argentinos, unindo-se para isso a Manuel Oribe, presidente uruguaio exilado, o qual, assim ajudado, manteve sob seu controle, de 1842 a 1851, a maior parte do Uruguai, embora não conseguisse tomar a capital apesar de assediá-la por muitos anos;
A intervenção de Rosas nos assuntos internos do Uruguai estava se encaminhando para um choque com o Brasil, interessado em evitar a queda do governo então no poder na república vizinha. Em face do perigo de guerra, o caudilho solicitou à Câmara dos Representantes de seu país a delegação de poderes extraordinários. Ao tomar conhecimento do fato o general Urquisa, governador da província argentina de Entre-Rios declarou aceitar o pedido de demissão do ditador, que em resposta mobilizou suas tropas e se dispôs a marchar contra ele. Ao mesmo tempo, um exército brasileiro sob o comando do conde, depois duque de Caxias, atravessou a fronteira do Uruguai enquanto a esquadra brasileira também zarpava rumo a Montevidéu. Combatido por Caxias e por Urquiza, Oribe capitulou em 08/10/1951, quando as forças que lutavam contra ele entraram na capital uruguaia.
Em 21 de novembro de 1851, pelo acordo assinado entre os governos de Entre Ríos, Corrientes, Uruguai e o Império do Brasil, o general Justo José de Urquiza se comprometia a atravessar o rio Paraná e combater Rosas. Ao mesmo tempo, o documento constituía o Exército Grande, integrado por entrerrianos, correntinos, brasileiros, uruguaios e alguns habitantes da província de Buenos Aires.
Na batalha de Monte Caseros o exército brasileiro empregou cerca de uma centena de atiradores de elite alemães. Estes homens, equipados com então modernos fuzis de agulha Dreyse, foram estrategicamente distribuídos entre as unidades de Infantaria sob o comando do Capitão Francisco José Wildt, da Guarda Nacional de São Leopoldo, tendo como missão alvejar os artilheiros de Rosas no seu raio de alcance. Essa surpresa tática buscava romper as posições de artilharia inimiga, facilitando a penetração do 2º Regimento de Cavalaria, sob o comando do então Tenente-coronel Manuel Luís Osório, futuro Marques do Herval. Estes mercenários alemães passaram à história com o apelido de "brummer" (resmungões).
Nessa batalha as forças aliadas contavam com 50 canhões, 16.000 cavalarianos, 9.000 homens de infantaria e 1.000 artilheiros, num total de 26.000 soldados, sendo 20.000 deles recrutados nas províncias argentinas de Entre Ríos e Corrientes, 4.000 mil do Brasil, sob o comando de Caxias, e 2.000 mil do Uruguai, liderados por Cesar Diaz.
Do outro lado, os argentinos contavam com 60 canhões, enquanto seus 12.000 cavalarianos, 22.000 soldados de infantaria e 1.000 artilheiros somavam 35.000 soldados defendendo suas posições.
A batalha terminou às três horas da tarde com um saldo oficial de mortos, do lado aliado, em torno de 400, enquanto no exército de Rosas o número de vítimas chegou a 1.200. Acredita-se, no entanto, que pela duração e proporções do combate o mais provável é que as perdas humanas tenham sido bem mais altas, podendo ter chegado a um montante cerca de dez vezes maior do que os números divulgados,